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Europa League: análise ao Frankfurt 1-0 West Ham

O painel de Observadores Técnicos da UEFA analisa como o Eintracht Frankfurt se manteve fiel ao seu plano de jogo para afundar o West Ham na segunda mão das meias-finais da Europa League.

Veja como a largura do Frankfurt foi fundamental para a vitória sobre o West Ham.
Análise táctica: A largura do Frankfurt

O Eintracht Frankfurt está pronto para jogar pela primeira desde 1980 a final de uma competição continental, após o triunfo nas meias-finais da UEFA Europa League, na semana passada, sobre o West Ham.

Neste artigo, levado até si pela Swissquote, o Painel de Observadores Técnicos da UEFA analisa a grande ameaça que a equipa alemã representa através dos laterais Ansgar Knauff e Filip Kostić – e antecipa um intrigante duelo entre Kostić e o capitão do Rangers, James Tavernier, na final.

Como tudo aconteceu: Frankfurt 1-0 Rangers

Golo

1-0: Rafael Borré (26)

Veja o golo de Borré pelo Frankfurt de todos os ângulos
Veja o golo de Borré pelo Frankfurt de todos os ângulos

Autor do primeiro golo na partida da primeira mão, Knauff foi, desta feita, o homem da assistência. Correu entre o lateral-esquerdo Ben Johnson e o central Kurt Zouma para captar um passe vindo da direita e, a partir daí, com uma mudança de direcção inteligente na direção da zona de penálti, serviu Borré, que rematou rasteiro, de primeira, para o canto mais distante, assinando o seu terceiro golo nesta campanha.

Vale a pena rever o movimento de Borré, pela forma como contemporiza a sua corrida enquanto Craig Dawson, o seu marcador, continua em direção à bola – criando assim espaço para si. Foi uma característica perfeitamente identificável no jogo do colombiano, que abriu sempre espaço para seus companheiros de equipa com boas movimentações sem bola.

Sistemas tácticos

Eintracht Frankfurt

O 3-4-2-1 do Eintracht Frankfurt'
O 3-4-2-1 do Eintracht Frankfurt'

Oliver Glasner colocou a sua equipa a jogar em 3-4-2-1, com alas rápidos – Knauff (36) à direita e Kostić (10) à esquerda – a desempenharem papéis fundamentais. A dupla torna o relvado extremamente amplo, com Kostić em particular a chamar a atenção dos observadores técnico da UEFA com os seus cruzamentos perigosos e cortes inteligentes, e Knauff a impressionar pela sua capacidade de drible.

O sucesso do Eintracht resulta de um esforço colectivo, claro, e em cada zona do relvado houve jogadores a funcionarem bem dentro do sistema táctico, a começar pelo guarda-redes Kevin Trapp (1), que mostrou confiança na construção do jogo e boa antecipação na leitura das bolas longas do West Ham.

À sua frente estiveram três defesas que sabem sair a jogar – embora o capitão Martin Hinteregger (nº13) tenha deixado o campo bem cedo, devido a uma lesão muscular que o afastará da final – enquanto no meio-campo Djibril Sow (nº8) e Sebastian Rode (nº17) fizeram um excelente trabalho de cobertura. À frente, Glasner tinha dois jogadores - Daichi Kamada (nº15) e Jens Peter Hauge (nº23) - que actuam muito bem entrelinhas e que se destacam pelas rápidas investidas em profundidade, como visto na primeira mão, no lance do quinto golo de Kamada na caminhada rumo a Sevilha. Na frente esteve Borré (Nº 19), um ponta-de-lança hábil e capaz de recuar para criar espaço.

Mostrando confiança no seu sistema táctico, o Frankfurt não alterou o seu plano de jogo após a expulsão de Aaron Cresswell do lado do West Ham logo aos 17 minutos. Pelo contrário, Glasner disse a seus jogadores para se manterem focados em tarefas que lhes tinham sido designadas antes do apito inicial.

West Ham

O West Ham adoptou um -4-4-1 após a expulsão de Aaron Cresswell
O West Ham adoptou um -4-4-1 após a expulsão de Aaron Cresswell

Os londrinos começaram o encontro em 4-2-3-1. À frente da forte dupla de meio-campo composta por Declan Rice (nº41) e Tomáš Souček (nº28) estava o trio mais ofensivo composto por Jarrod Bowen (nº20), Manuel Lanzini (nº10) e Pablo Fornals (nº8), que procurou encontrar espaços por dentro e entre linhas. Após o cartão vermelho exibido a Cresswell, o técnico David Moyes substituiu Lanzini pelo lateral Johnson (nº 31) e o West Ham mudou a para um 4-4-1 que, quando atacava, se transformava num 4-2-2- 1.

Houve muitas bolas longas para Michail Antonio (No9), que foi o jogador mais perigoso dos visitantes no jogo, com sua força, resistência e corridas. Mas o jogo não foi fácil para os visitantes, frente a adversários que se deram muito bem a explorar a sua superioridade numérica. Antes do cartão vermelho, Fornals recuava na esquerda quando, criando um 5-4-1, mas sem Cresswell isso não deixou de ser possível.

Destaques

O vídeo acima centra-se nos padrões de ataque do Eintracht Frakfurt e no uso de toda a largura do terreno graças aos seus dois perigosos alas. O primeiro clip, por exemplo, mostra uma sequência de passes curtos antes de uma bola diagonal para Kostić, que deixa para trás Vladimír Coufal, chega à linha de fundo e cruza para o poste mais distante. Essas trocas de flanco, com passes diagonais para um e para outro lado, foram característica recorrente da abordagem da formação germânica ao encontro.

O segundo clip mostra Kostić a cruzar mais uma vez, desta feita após um passe de Kamada entre o defesa-central e o lateral criar a oportunidade para o centro do sérvio. Já no terceiro clip surgem os dois alas, novamente com Kostić a conseguir cruzar, mas com a bola a chegar a Knauff, que parte para cima da defesa do West Ham na direcção da grande área adversária.

A caminhada do Frankfurt até à final da Europa League
A caminhada do Frankfurt até à final da Europa League

No geral, esta é uma equipa do Eintracht com jogadores fortes, rápidos e excelente no jogo posicional, usando bolas curtas e longas dependendo da situação e do adversário. Além disso, coloca muitas vezes a dúvida na defesa adversária ao alternar também essas vertentes do seu jogo com arrancadas rápidas dos seus médios ofensivos.

Kostić leva três golos e cinco assistências na competição e foi descrito como "um jogador de classe mundial" pelos observadores técnicos da UEFA pelas suas jogadas perigosas e dribles, cruzamentos e cortes, mostrando ao mesmo tempo uma enorme ética de trabalho defensivo em prol da equipa. A perspectiva de o ver a ter pela frente, na final, Tavernier, lateral-direito e força motriz do Rangers, é no mínimo de deixar água na boca, dada a ameaça ofensiva que último também constitui.

Tavernier marcou sete golos e fez duas assistências na prova até ao momento, sendo ainda a principal fonte de cruzamentos do Rangers. Kostić e Tavernier estão em primeiro e segundo lugar na competição no que toca a cruzamentos tentados, com 147 e 90 respectivamente (e 33 e 22 completados). Quem sair por cima nesse confronto directo poderá ajudar e muito a respectiva equipa erguer o troféu em Sevilha, a 18 de maio.

As palavras dos treinadores

Olivier Glasner, treinador do Frankfurt: "Fiquei na expectativa até ao apito final. Cometemos muitos erros não forçados na posse de bola e o West Ham ainda conseguiu colocar-nos sob pressão com bolas longas e nos lances de bola parada. Eles deram tudo e jogaram de uma forma muito física."

"Com o cartão vermelho entrámos mais no jogo e marcámos um belo golo. Sabíamos que eles jogam muito com as segundas bolas e são muito físicos. Foi importante termos conseguido enfrentar algo assim. A forma como os meus jogadores defenderam, com tanta paixão, foi fantástica. No segundo tempo defendemos as bolas longas e as bolas paradas com tudo o que tínhamos."

"O West Ham veio com tudo para a frente. Depois de um período inicial difícil, marcámos um grande golo. Parabéns à equipa pelo que conseguiu novamente esta noite. Com os nossos adeptos a apoiar-nos, foi uma noite inacreditável".

David Moyes, treinador do West Ham: "Muitas equipas teriam desmoronado e talvez acabassem por ser derrotadas por uma diferença maior. Mas nós mantivemo-nos no jogo até ao fim. Esta noite tivemos de jogar cerca de 75 minutos com dez o os meus jogadores foram brilhantes. A forma como eles trabalharam e sua resiliência para continuar a lutar...conseguiram levar o jogo até à área do Frankfurt e criaram mesmo oportunidade para marcar."

"Honestamente, penso que começámos a perder esta eliminatória no jogo no London Stadium, quando sofremos um golo logo aos 50 segundos e, a partir daí, estivemos sempre a correr atrás do prejuízo".