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Análise da Europa League: Braga 1-0 Rangers

O painel de Observadores Técnicos da UEFA analisa o triunfo por 1-0 do Braga na primeira mão contra o Rangers.

In the Zone: triunfo do Braga explicado

O Braga é a única equipa que parte em vantagem para a segunda mão dos quartos-de-final da UEFA Europa League, que tem lugar esta semana.

O conjunto minhoto prevaleceu em casa por 1-0 diante do Rangers na passada quinta-feira, dando dessa forma um passo importante rumo às meias-finais e mantendo a invencibilidade caseira na presente edição da competição. O sucesso arsenalista ficou, em grande parte, a dever-se à sua capacidade para jogar entre as linhas, de acordo com o Painel de Observadores Técnicos da UEFA.

Como tudo aconteceu: Braga 1-0 Rangers


Golos

Resumo: Braga 1-0 Rangers

1-0: Abel Ruiz (40)
O terceiro golo de Ruiz nesta campanha surgiu numa jogada típica da abordagem do Braga na primeira mão. Fabiano, que actuou como central mais descaído para o lado direito, levou a bola para o meio-campo do Rangers e solicitou Yan Couto, que por sua vez fez a bola chegar a Iuri Medeiros, avançando entre as linhas. O excelente toque de primeira do esquerdino desequilibrou Leon Balogun e a bola foi ao encontro de Ruiz, que recepcionou e depois rematou rasteiro para o poste mais próximo.

Formaçóes das equipas

O Braga actuou num 3-4-2-1
O Braga actuou num 3-4-2-1

Braga
Os comandados de Carlos Carvalhal alinharam em 3-4-2-1 em posse de bola, com o trio de centrais – Fabiano (70), David Carmo (16) e Vitor Tormena (3) – apoiados por dois médios defensivos dos quais Al Musrati (8) ficou como referência mais fixa, enquanto André Horta (10) teve mais liberdade no relvado, deslocando-se às vezes para a esquerda para criar superioridade numérica e causar impacto com a sua capacidade de passe – sejam passes longos, variações de flanco ou combinações.

Mais à frente, a largura veio dos laterais Yan Couto (2) e Rodrigo Gomes (57) enquanto os três da frente procuravam bolas entre as linhas e no espaço atrás da linha defensiva dos visitantes.

Sem posse de bola, houve momentos em que o Braga pressionou num 4-4-2, com o lateral esquerdo Rodrigo Gomes a avançar para o meio-campo. Desde o final da primeira parte e ao longo da etapa complementar, a sua formação defensiva foi em grande parte um 5-4-1, com Rodrigo Gomes mais focado em defender perante o lateral direito do Rangers, James Tavernier. Nesse 5-4-1, os anfitriões tentaram ficar compactos e limitar o espaço ao Rangers.

O Rangers alinhou em 4-2-3-1
O Rangers alinhou em 4-2-3-1

Rangers
A formação de ataque do Rangers foi um 4-2-3-1 em que o capitão Tavernier (2) desempenhou um papel de ataque muito mais significativo do que o lateral do lado oposto, Calvin Bassey (3). O conjunto de Glasgow tinha dois médios defensivos, John Lundstram (4) e Ryan Jack (8), sendo que tanto Lundstram como Scott Arfield (37), o extremo que actuava na direita, reforçavam o centro quando Tavernier subia na flanco direito. No flanco esquerdo, Ryan Kent (14) jogou sempre muito aberto como extremo.

Quando não tinha a bola em seu poder, a formação do Rangers transformou-se em 4-3-3 na primeira parte, mas o técnico Giovanni van Bronckhorst mudou a sua configuração defensiva após o intervalo, com Lundstram a recuar para fazer uma linha de cinco num 5-3-2 – uma tentantiva para impedir que os três dianteiros do Braga recebessem as bolas entre as linhas e pudessem rodar rumo à baliza. Na frente, Kent apoiou o avançado Fashion Sakala (30) vindo da esquerda.

Destaques

A abordagem do Braga passou pela construção de jogo a partir da defesa, a começar pelo guarda-redes Matheus, que tomou excelentes decisões com a sua qualidade de passe. A partir daí, a equipa arsenalista aproveitou a excelente movimentação entre as linhas e o vídeo acima mostra vários exemplos disso mesmo.

O primeiro excerto é um exemplo inicial de como Yan Couto e Iuri Medeiros combinaram na direita com bons resultados. Numa situação como essa, assim como na jogada para o golo, o lateral esquerdo do Rangers, Bassey, é atraído por Couto e Iuri Medeiros consegue explorar o espaço atrás dele. Houve combinações semelhantes do outro lado do esquerdino Rodrigo Gomes e Ricardo Horta, sendo que foi graças a estas constantes combinações que o Braga conseguiu encontrar o caminho do golo.

Iuri Medeiros também aparece no segundo excerto, que destaca novamente a capacidade do Braga de colocar os jogadores entre as linhas e nos espaços entre os seus adversários. Iuri Medeiros chamou a atenção do observador da UEFA pela sua habilidadem, criatividade e combinação de jogo com os seus companheiros de equipa. Fez 17 passes no terço ofensivo – mais do que qualquer outro jogador – e aqui consegue receber a bola, virar e procurar criar perigo. O mesmo jogador está novamente envolvido no terceiro excerto, quando recebe um passe de Yan Couto e assina uma excelente assistência.

Abel Ruiz festeja com os colegas de equipa após marcar o único golo do jogo
Abel Ruiz festeja com os colegas de equipa após marcar o único golo do jogoGetty Images

 

Ao atacar desta forma, a formação do Braga era mais um 3-2-5, com os laterais a acrescentarem amplitude de ataque. Yan Couto impressionou na direita particularmente pela sua abordagem ofensiva, mostrando excelente resistência e um grande entendimento com Iuri Medeiros.

Do ponto de vista defensivo, Yan Couto também colaborou bem com Fabiano, o lateral direito que chamou a atenção pela velocidade e agressividade nos duelos. Na construção, assumiu a responsabilidade de distribuir a bola – como na preparação para o golo – e juntamente com Yan Couto ajudou o Braga a lidar com a ameaça do jogador mais perigoso do Rangers, Kent.

Foi Kent quem o observador da UEFA destacou como a ameaça criativa dos visitantes, muito por culpa do seu rápido jogo de pés, movimento atrás da defesa e capacidade no um contra um. Sakala também criou alguns problemas com a sua movimentação na primeira parte, mas no segundo tempo a ameaça do Rangers limitou-se em grande parte às bolas paradas, principalmente um cabeceamento de Connor Goldson que errou o alvo. Os escoceses não conseguiram marcar pela primeira vez em cinco jogos fora a contar para a Europa League.

Análise dos treinadores

Carlos Carvalhal, treinador do Braga: "Estou feliz com o resultado e muito orgulhoso da minha equipa, mas merecíamos um pouco mais do jogo. Jogámos muito bem na primeira parte, mas depois do intervalo o Rangers respeitou-nos muito mais e foi mais difícil jogar."

Giovanni Van Bronckhorst, treinador do Rangers: "Deveríamos ter tentado quebrar mais vezes as linhas contrárias em vez de apostar nas bolas longas rapidamente. Às vezes era apenas uma questão de ter paciência e manter a bola, sendo que fomos muito melhores nisso no segundo tempo.

Quando abrimos o nosso jogo, tentamos tornar o relvado realmente grande. No entanto, eles têm jogadores que podem fazer a diferença quando o encontro se baseia em transições. É por isso que a nossa construção foi um pouco diferente e queríamos ter certeza de que nossa defesa estava melhor organizada. É uma diferença de um golo e na próxima semana jogamos em casa, com o apoio dos nossos adeptos."