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Exclusivo: Matheus e os guarda-redes brasileiros, Carvalhal, o Braga e o embate com o Rangers

O guarda-redes do Braga falou sobre a filosofia de Carlos Carvalhal, a sua carreira nos “arsenalistas” e o embate com o Rangers.

Matheus em acção pelo Braga na presente edição da UEFA Europa League
Matheus em acção pelo Braga na presente edição da UEFA Europa League AFP via Getty Images

Antes de entrar em campo para o embate da primeira mão dos quartos-de-final da UEFA Europa League, com o Rangers, Matheus, guarda-redes do Braga que leva já mais de 40 jogos na competição, falou em exclusivo com o UEFA.com sobre o sucesso crescente dos guarda-redes brasileiros na Europa, a filosofia de Carlos Carvalhal como treinador, a sua carreira nos “arsenalistas” e o que espera do embate com os actuais campeões escoceses.

Qualidade dos guarda-redes brasileiros a subir de nível nos últimos tempos

Braga: Grandes defesas de Matheus
Braga: Grandes defesas de Matheus

Penso que a escola de guarda-redes brasileiros se desenvolveu muito nos anos mais recentes, sobretudo porque começou a seguir os métodos de treino europeus. Foi por essa razão que progrediu bastante. Felizmente, os guarda-redes brasileiros que vêm para a Europa têm tido sucesso, têm feito um bom trabalho, e isso tem aberto as portas a outros.

Agora temos nomes grandes como o Alisson [Becker] ou o Ederson [de Moraes]. As crianças brasileiras vêem-nos jogar ao serviço de grandes clubes, que representam a selecção, e querem seguir as suas pisadas.

Ser guarda-redes em criança, enquanto os outros sonham em marcar golos

Eu tinha um irmão mais velho que era futebolista profissional e, por eu ser o mais novo, tinha de ir para a baliza. Ele ofereceu-me um par de luvas e disse-me para ir defender os remates dele. Aprendi a gostar desse papel e, graças a Deus, tornei-me guarda-redes, com muito orgulho. É uma posição difícil. Muitos consideram-na mesmo ingrata. Mas, para mim, é gratificante.

Taffarel, Dida e Buffon como inspiração

O meu verdadeiro ídolo era o meu irmão, que eu ia sempre ver jogar. Mas, na altura, brilhavam guarda-redes como Dida, [Cláudio] Taffarel, [Gianluigi] Buffon, para mencionar apenas alguns. O Dida, sobretudo, transmitia sempre uma imagem de calma como guarda-redes e eu tentei aprender o mais que podia com ele, para conseguir ser assim. Houve outros guarda-redes que também foram e ainda são modelos para mim, mas se for para mencionar apenas alguns, destaco esses que toda a gente reconhece.

A ligação ao Braga

Resumo: Braga 2-0 Mónaco
Resumo: Braga 2-0 Mónaco

Eu ainda era muito jovem quando aqui cheguei. Esta cidade e este país, ambientei-me na perfeição e foi aqui que conheci a minha mulher e tive os meus três filhos. Foi tudo perfeito. Sou muito feliz nesta cidade e neste clube. Espero continuar a fazer história com esta camisola e ajudar o clube a continuar a crescer, como tem vindo a crescer nos últimos anos.

Cresci muito desde que aqui cheguei. Tinha 21 anos e os primeiros anos foram, naturalmente, de adaptação. Cresci e desenvolvi-me muito. Ainda me continuo a desenvolver e vou continuar a trabalhar bastante, porque nunca somos perfeitos. Há sempre algo a melhorar, algo que temos de conseguir fazer para progredirmos.

A filosofia de Carlos Carvalhal

O treinador do Braga, Carlos Carvalhal
O treinador do Braga, Carlos Carvalhal

Com Carvalhal, o guarda-redes é, muitas vezes, o responsável por começar os ataques e o avançado é o primeiro a começar a defender. Todos trabalham em tudo, como equipa, e todos os jogadores têm o mesmo objectivo. Tudo é constituído a partir de trás, desde o guarda-redes, passando pelos defesas e pelo meio-campo, até chegar ao ataque. E o contrário também: quando terminamos um jogo sem sofrer golos ou temos um bom desempenho defensivo, é também mérito dos avançados. Temos um plantel muito jovem e estamos sempre a tentar melhorar esses aspectos.

O embate com o Rangers

Sabemos que vai uma eliminatória muito complicada! Precisamos de nos apresentar bem preparados e é nisso que temos vindo a trabalhar, com vista à primeira mão. Penso que nos vamos conseguir apresentar ao nosso melhor nível, pois só se estivermos assim nas duas mãos poderemos seguir em frente. Contudo, estou confiante de que seremos capazes e estou ansioso por seguir em frente na prova. Já jogámos no Ibrox Stadium há não muito tempo e sabemos como eles são fortes quando jogam em casa, mas sei que estaremos concentrados no jogo.

A exibição de sonho frente ao Sheriff

Resumo: Braga 2-0 (3-2 g.p) Sheriff
Resumo: Braga 2-0 (3-2 g.p) Sheriff

Não me senti um herói. O sucesso deveu-se a toda a equipa, quer aos jogadores que alinharam, quer aos que estavam no banco, simplesmente a dar-nos apoio. E, claro, também aos adeptos. Havia muita gente que não acreditava que nós seríamos capazes, mas ao fim dos 90 minutos penso que já todos acreditavam. A confiança foi crescendo e, depois, no desempate por penáltis limitei-me a fazer o meu papel. Foi fantástico para o clube e para a cidade. Sem dúvida, uma noite que ficará na memória de todos!