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Análise ao jogo da Europa League: West Ham 2-0 Sevilha

O painel de observadores técnicos da UEFA analisou mais ao detalhe o fantástico apuramento do West Ham nos oitavos-de-final frente ao Sevilha, seis vezes vencedor do troféu.

Olhamos para a forma como os laterais do West Ham tiveram um impacto na vitória ante o Sevilha na segunda mão dos oitavos-de-final.
Análise: a aposta do West Ham nos flancos

O West Ham United deu aos seus adeptos uma noite para recordar na passada quinta-feira ao bater o Sevilha por 2-0 em Londres e assim avançar para os quartos-de-final da UEFA Europa League, onde irá medir forças com o Olympique Lyonnais.

Neste artigo, levado até si pela SwissTiming, o painel de observadores técnicos da UEFA reflecte sobre os factores por detrás da impressionante vitória do conjunto inglês – destacando o uso dos flancos e a excelente capacidade de liderança do capitão Declan Rice.

Como tudo aconteceu: West Ham 2-0 Sevilha
Resumo: West Ham 2-0 Sevilha
Resumo: West Ham 2-0 Sevilha


Golos

1-0: Tomáš Souček (39)
Souček estreou-se a marcar nas provas europeias esta temporada com um golo em que mostrou toda a sua capacidade no jogo aéreo. Após uma intercepção de Pablo Fornals, Michail Antonio recebeu a bola do espanhol, rodou e tocou para Said Benrahma, que na esquerda devolveu a Antonio, à entrada da grande área do Sevilha. Este furou por entre dois defesas contrários e cruzou para o segundo poste, onde Souček subiu para cabecear forte, sem hipóteses para Yassine Bounou.

2-0: Andriy Yarmolenko (112)
Vindo do banco aos 88 minutos, o ucraniano teve um excelente impacto no jogo após a sua entrada no encontro e acabou por ser ele a apontar o golo decisivo. Antonio voltou a estar em destaque no lance, fugindo uma vez mais à pressão de dois marcadores directos antes de soltar para Manuel Lanzini, que encontrou Fornals na esquerda. Este rematou rasteiro, Bounou defendeu para a frente e na recarga Yarmolenko encostou para o fundo das redes.

Equipas

O 4-3-3 do West Ham
O 4-3-3 do West Ham

West Ham
Quando com a posse de bola, o West Ham apostou num 4-3-3 bem organizado e equilibrado. Rice e Lanzini foram cruciais a jogar entre linhas, com Rice, em particular, a destacar-se como o elo de ligação entre a defesa e o ataque.

Mais à frente, nas alas, Fornals e Benrahma flectiram muitas vezes para o meio, abrindo espaços para as subidas dos laterais Ben Johnson e Aaron Cresswell.

Sem a posse de bola, Lanzini e Souček apoiaram Antonio na pressão a meio-campo, com Fornals e Benrahma tentaram travar potenciais investidas dos laterais do Sevilha. Em vez de pressionar alto, o West Ham apostou numa forma de defender mais compacta, colocando-se numa espécie de 4-4-2.

O Sevilha apresentou-se em 4-3-3
O Sevilha apresentou-se em 4-3-3

Sevilha
O Sevilha começou em 4-3-3, tanto com como sem bola. Os laterais Jesús Navas e Ludwig Augustinsson procuraram sempre avançar no terreno, com Tecatito Corona (9) e Anthony Martial (22) a abrirem espaço para as suas investidas. Quando pressionados, os visitantes procuraram bolas mais longas para Youssef En-Nesyri (15).

Sem bola, Corona e Martial tentaram travar as subidas dos laterais do West Ham, enquanto Ivan Rakitić (10) e Jordán apoiavam En-Nesyri na defesa da zona central e Thomas Delaney (18) ficava à frente dos quatro defesas.

Destaques

O vídeo acima mostra a forma como o West Ham soube utilizar a largura de forma eficaz. O primeiro clip demonstra um dos seus passes longos diagonais para trocar de flanco, na tentativa de encontrar uma zona não coberta pela defesa compacta do Sevilha. Os laterais Johnson e Cresswell estiveram frequentemente envolvidos contribuíram com cinco cruzamentos cada em jogo corrido.

O segundo clip (64:31) mostra outro ataque em que os homens de David Moyes mudaram de flancos, em mais um exemplo de como tal permitiu que os jogadores mudassem rapidamente para posições que causaram perigo. Rice, sempre atento à área em seu redor, foi fundamental, ditando com Lanzini o ritmo do jogo. Mostraram-se sempre calmos com a bola sob pressão e souberam segurar a bola enquanto os colegas não estavam em posição.

Tal demonstra um impressionante controlo emocional por parte de uma equipa do West Ham que pela primeira vez em quatro décadas está na fase a eliminar de uma prova europeia.

Do ponto de vista do Sevilha, a equipa espanhola começou por mostrar dificuldades para avançar com bola. Ainda assim, obrigou o guarda-redes da casa, Alphonse Areola, a uma grande defesa para negar o 0-1 a En-Nesyri. Mas, apesar de terem registado 929 toques na bola - um total só superado na segunda mão da semana passada pelo rival citadino Real Betis - os visitantes conseguiram apenas dois remates à baliza, em comparação com os oito do West Ham.

Vários jogadores do Sevilha ainda mostraram a sua classe, mesmo perdendo, com Jordán a estabilizar a equipa após um começo difícil. Corona ofereceu boas arrancadas verticais e também houve elogios do observador da UEFA para a robustez de Nemanja Gudelj, que substituindo o defesa Diego Carlos, lesionado, levou a melhor em vários duelos importantes. A sua saída para a entrada do pouco experiente José Ángel Carmona – com apenas uma presença na equipa principal – aconteceu 60 segundos antes do golo que selou o destino da eliminatória.

Avaliação dos treinadores

 David Moyes festeja com os jogadores do West Ham
David Moyes festeja com os jogadores do West HamGetty Images

David Moyes, treinador do West Ham
"Os meus jogadores foram fantásticos desde o primeiro minuto e nunca os deixaram de acreditar. Conversamos muito nos últimos dois dias sobre como encararíamos o jogo, entrando a perder 1-0. Não éramos favoritos, mas soubemos colocar-nos em posição de lutar e fizemos o nosso trabalho, com muito mérito dos jogadores."

Julen Lopetegui, treinador do Sevilha
"Sucumbimos perante uma boa equipa, que está no primeiro terço da tabela da Premier League. Este é um terreno difícil e tivemos um número significativo de lesões, mas os meus jogadores tentaram. Há que elogiar a atitude e o carácter que têm mostrado nesses meses difíceis."