Falcao e o "golo especial" pelo Porto

Autor do tento que valeu ao FC Porto a conquista da Europa League há nove anos, Radamel Falcao relembra essa final frente ao Braga.

Radamel Falcao festeja após marcar o golo do FC Porto na final da UEFA Europa League contra o Braga em 2011
Radamel Falcao festeja após marcar o golo do FC Porto na final da UEFA Europa League contra o Braga em 2011 AFP via Getty Images

A 18 de Maio de 2011, o FC Porto festejava a conquista do seu segundo troféu da UEFA Europa League, batendo o Sporting de Braga na final realizada em Dublin, por 1-0, graças a um golo apontado por Radamel Falcao. Aproveitando estes dias de confinamento, o UEFA.com entrou em contacto com o avançado colombiano para recordar esse momento especial da sua carreira.

Antecâmara da final...

Havia muita expectativas relativamente à final, mas isso já era verdade para as meias-finais, porque o Benfica e o Braga também estavam presentes, sendo que quase todos contavam que fosse o Benfica a chegar à final. O Braga acabou por vencer essa meia-final, isto numa altura em que nós já estávamos qualificados.

Por isso, foi realmente importante para Portugal, até porque foi a primeira final com dois clubes portugueses. Como disse, havia muitas expectativas à volta do jogo e para nós, os jogadores que disputavam a sua primeira final europeia, foi tudo muito emocionante.

Resumo da final de 2011: Falcao inspira Porto
Resumo da final de 2011: Falcao inspira Porto

A importância de André Villas-Boas nessa memorável temporada...

Durante essa temporada ele usou seu conhecimento da Liga portuguesa, nomeadamente de todas as equipas e rivalidades, como uma forma de nos motivar em determinados momentos. É óbvio que, nos dias que antecederam a final, ele consciencializou-nos relativamente às características do Braga e alertou-nos para o facto de uma final ser diferente de tudo o resto.

Nesse aspecto, o André Villas-Boas aprimorou-nos como equipa e transmitiu-nos o seu espírito de vitória. Deu-nos esse impulso para nos tornarmos vencedores individualmente e como equipa. Acho que abordámos a partida contra o Braga da maneira mais correcta.

Veja seis golos fantásticos de Falcao
Veja seis golos fantásticos de Falcao

Preparação para uma final...

É inevitável que fiquemos um pouco mais ansiosos antes de uma final. Mas eu acredito que isso é algo de bom e mesmo necessário. É possível gerir esse tipo de emoção até um ponto em que estamos totalmente focados no que aí vem. Penso que tive a capacidade, naqueles momentos, de gerir a ansiedade para me levar a um ponto em que eu estava mais focado, mais preparado e com a atitude ideal para fazer o que eu precisava de fazer.

Como muitas vezes acontece nas finais, há jogadores que ficam tão entusiasmados e ansiosos que, quando chega o momento em que é preciso mostrar serviço, não são capazes. Mas, felizmente, isso não acontece comigo. É verdade que não durmo muito na noite anterior e talvez não consiga dormir a sesta no dia da final porque estou sempre a pensar nisso, mas a minha mentalidade e as minhas emoções estão sempre sob controlo.

O fantástico golo de cabeça de Radamel Falcao após excelente cruzamento de Fredy Guarín
O fantástico golo de cabeça de Radamel Falcao após excelente cruzamento de Fredy GuarínGetty Images

Entendimento perfeito com Fredy Guarín...

Acho que isso se deve ao bom relacionamento que tínhamos fora do campo. Essa química reflectia-se, depois, no campo. O Fredy ajudou-me muito desde que eu cheguei ao Porto. Tínhamos um excelente entendimento: sempre que ele recebia a bola estava sempre a olhar para mim.

Ele sabia quais os movimentos que eu costumava fazer, pelo que eu tentava sempre colocar-me em boa posição para receber a bola. Foi perfeito para mim ter jogadores assim. E isso não aconteceu apenas com o Fredy, já que eu também me entendia muito bem com o Hulk, o Cristian 'Cebolla' Rodríguez e o James Rodríguez.

O FC Porto fez a festa em Dublin
O FC Porto fez a festa em DublinGetty Images

Descrição do golo na final...

Eu costumava correr dependendo do que ele estava a fazer. Se ele estava a avançar no terreno, então eu também avançava. Estava a olhar para ele e a ver o movimento que ele ia fazer. Sabia que ia chegar o momento em que ele me iria procurar, sendo que foi exactamente isso que ele fez. Podemos ver claramente no vídeo do golo que ele olhou para cima para me encontrar e eu já estava lá, pronto para receber o passe.

Estava a esconder-me atrás da defesa e ele sabia que eu ia procurar o espaço. Havia muito vento e eu esperava que a bola caísse mais à frente, pelo que posicionei o meu corpo um pouco mais à frente. Contudo, o vento mudou subitamente de direcção e a bola começou a desacelerar e a fugir de mim, pelo que comecei a recuar e acabei por mover a minha cabeça para trás para que pudesse cabecear a bola. E resultou!