Escolhas da UEFA Europa League

Uma viagem de 4600 quilómetros, um remate a 50 metros e talvez o maior contingente de adeptos visitantes da história das provas da UEFA estão entre os destaques da época.

A festa do Sevilha frente ao Benfica
A festa do Sevilha frente ao Benfica ©Sportsfile

Equipa: Sevilla FC
Nenhum clube fez tantos jogos com o Sevilla nesta edição da UEFA Europa League. A esforçada equipa de Unai Emery fez o caminho até à vitória final a partir da terceira pré-eliminatória, num total de 19 partidas disputadas. Liderada no meio-campo pelo capitão Ivan Rakitić, a formação andaluza teve vários jogadores a marcar golos, destacando-se os quatro de Carlos Bacca e os cinco de Kevin Gameiro, e revelou um espírito colectivo que lhe permitiu, por exemplo, recuperar de uma derrota em casa por 2-0 diante do vizinho Real Betis Balompié, nos oitavos de final, e eliminar a seguir dois ex-vencedores da prova, o FC Porto e o Valencia CF, no caminho para Turim.

"Começámos a jogar em Agosto e fizemos um longo percurso desde então", afirmou o defesa Federico Fazio, antes da final. "Viramos as eliminatórias com o Bétis e o Valência, a exemplo do que aconteceu em jogos do campeonato. Lutamos sempre até ao fim". É mesmo verdade.

Jogador: Ricardo Quaresma (FC Porto)
"Para estar inspirado, preciso de me sentir feliz", disse Ricardo Quaresma, numa entrevista recente. A julgar pelas exibições contilantes do extremo na edição de 2013/14 da UEFA Europa League, o regresso em Janeiro do "Harry Potter" ao FC Porto serviu para afastar a tristeza dos anos anteriores, ao longo dos quais a ausência do extremo privou as competições europeias da magia que ele tem nos pés.

Eficaz e espectacular em doses proporcionais, Quaresma iluminou a fase a eliminar, provocando o pânico aos adversários pelos flancos, graças a uma capacidade técnica estonteante. A audácia revelada, aliada a esse dotes técnicos notáveis, permitiu-lhe marcar três golos, cada um candidato a melhor da época, e fazer ainda duas assistências, que lhe valeram aplausos e a possibilidade de estar na lista de 30 jogadores pré-convocados por Portugal para o Mundial FIFA. "Penso que não sou inferior aos melhores", referiu o extremo, de 30 anos, na mesma entrevista. Pelo que se viu, pouca gente poderá contradizê-lo...

Golo: Jonatan Soriano (FC Salzburg)
"Este foi semm dúvida o melhor golo que me lembro de marcar", afirmou, ainda eufórico, Jonatan Soriano ao UEFA.com, depois do incrível remate a 50 metros da baliza que ajudou o FC Salzburg a derrotar o AFC Ajax na primeira mão dos 16 avos-de-final. Depois de ganhar a bola no meio-campo defensivo, Soriano teve um momento de rara inspiração e, junto à minha que divide o relvado, desferiu um remate que fez a bola sobrevoar o guarda-redes do Ajax, Jasper Cillessen. A potência e a colocação do remate foram perfeitas e tinham de o ser, até porque o infeliz Cillessen não estava nada mal posicionado.

Poucos jogadores subiram tanto de cotação como Soriano nesta edição fda prova. O avançado espanhol, de 28 anos, que chegou ao clube austríaco vindo do Barcelona B, em 2012, assinou m hat-trick no play-off e depois marcou mais oito golos em sete jogos, o que lhe valeu o título de máximo goleador da competição.

Citação
"Dou os parabéns aos meus jogadores e não há nada que me possa levar a criticá-los. Saímos de cabeça levantada e não temos por que a meter na areia. Temos outra final no domingo".
Jorge Jesus, treinador do Benfica, salientando a dignidade com que a equipa perdeu a final de Turim e virando de imediato a agulha para a final da Taça de Portugal, marcada para domingo

Número: 4600
A deslocação do FC Shakhter Karagandy ao terreno do AZ Alkmaar, na quarta jornada, com 4600 quilómetros entre as duas cidades, foi a mais longa de uma equipa participante na fase de grupos da UEFA Champions League ou da UEFA Europa League. O resultado final foi 1-0 para os holandeses. Quinze duas antes, o AZ fez a viagem no sentido inverso, mas parou a 200 quilómetros de Karaganda, pois o Shakhter realizou os jogos como anfitrião em Astana.

Herói improvável: Emmet Malone
Com o Fenerbahçe SK impedido de competir na prova desta época, o Painel de Emergência da UEFA decidiu que seria um sorteio a determinar qual dos clubes eliminados no play-off seria repescado para a fase de grupos. Emmet Malone, jornalista da República da Irlanda, um país sem equipas nessa fase, foi convidado a sortear e o clube felizardo acabou por ser o APOEL FC. Na altura, Malone nem sonhava a reação se ia seguir.

Um adepto da equipa cipriota escreveu no Tweeter que ia dar o nome do irlandês a um pub e outro que ia dar o nome ao filho. Depois de receber de prenda uma viagem para assistir a um jogo, Malone sugeriu que "um acto de total acaso poderia recompensado com outro". O APOEL respondeu de forma afirmativa e pagou a James Mohan, um jovem de Dublin, de 11 anos, que adora futebol mas não pode jogar devido a um problema no coração, ao irmão Thomas e à mãe Brenda a viagem a Nicósia para o jogo com o Eintracht Frankfurt.

Desilusão nas meias-finais: Juventus e Valencia CF
Quando a Juventus passou para a UEFA Europa League, fê-lo com a motivação suprema de saber que final se iria realizar no seu estádio. Depois de eliminar o Trabzonspor AŞ, a ACF Fiorentina and o Olympique Lyonnais, a equipa Bianconera defrontou o Benfica nas meias-finais e foi eliminado ao empatar em casa a zero depois de perder na Luz por 2-1. O sonho de levantar o troféu em Turim estava desfeito. "Temos de manter a cabeça erguida pois sabemos que demos tudo o que tínhamos para chegar à final", sublinhou o defesa Leonard Bonucci.

O famoso ditado de Yogi Berra, segundo o qual "as coisas só acabam no fim" foi levado à prática em Valência. A perder por 3-0 na segunda mão, depois de ter ganho por 2-0 na primeira, o Sevilla estava a caminho da eliminação, mas um golo de Stéphane Mbia, aos 94 minutos, deu o apuramento aos Rojiblancos, deixando desolado o guarda-redes da casa, Diego Alves. "Foi o dia mais triste que vivi desde que aqui cheguei", revelou.

O mais velho: Brad Friedel (Tottenham Hotspur FC)
A UEFA Europa League é conhecida por revelar jovens talentos, mas, na quarta jornada, Brad Friedel provou que há sempre espaço para os veteranos brilharem. Com 42 anos e 173 dias, o guarda-redes dos Spurs esteve na baliza na vitória por 2-1 sobre o FC Sheriff e mais tarde viria a tornar-se o jogador mais velho a participar na competição, no empate a dois golos com o Benfica. Friedel tinha, então, 42 anos e 306 dias, superando por 140 dias o recorde de Sander Boschker, do FC Twente.

"Nem sabia disso", afirmou Friedel, ao UEFA.com, depois do jogo com o Sheriff, antes de revelar o segredo da longevidade. "Esta marca diz que estou a jogar há muito tempo e que me mantive sempre em boas condições. Não tinha ideia que ia bater um recorde, mas fico orgulhoso com o facto de ainda estar a jogar aos 42 anos. Mantenho-me em forma ao fazer muito yoga".

Exército em viagem: Eintracht Frankfurt
"Foi incrível, inacreditável", disse um dos 12 mil intrépidos adeptos do Frankfurt que apoiaram a equipa germânica no jogo que valeu a passagem aos 16 avos-de-final, no estádio do FC Girondins de Bordeaux. Três aviões charter, 70 autocarros e centenas de mini-autocarros foram fretados para transportar o maior contingente de adeptos visitantes da história da UEFA Europa League, suficiente para ultrapassar os 10 mil fãs do VfL Borussia Mönchengladbach que foram a Itália no jogo da época passada com a SS Lazio.

"As pessoas estão sedentas destas coisas", explicou o fanático Bernd, cuja sucessão de viagens de comboio começou às cinco da manhã do dia do jogo. "Estamos ansiosos por jogos europeus e, agora que temos a oportunidade de participar, vamos aproveitá-la. Tive de meter dois dias de férias, mas valeu a pena".

Espírito pioneiro: PFC Ludogorets Razgrad
O alinhamento inicial da fase de grups incluiu clubes representantes de 27 países, metade dos membros da UEFA, e poucos adoptaram o espírito da competição como o Ludogorets. Um dos nove campeões nacionais desta fase, o clube búlgaro chegou aos oitavos-de-final apenas na sua segunda participação europeia e atraiu multidões aos jogos em Sófia, a 400 quilómetros da cidade de que é originário. Acabou eliminado pelo Valência, depois de derrotar equipas poderosas como o PSV Eindhoven e a SS Lazio.

"Ninguém pensou que pudéssemos passar a fase de grupos e ficámos em primeiro lugar", disse o médio Mihail Aleksandrov, ao UEFA.com. "Ficámos no grupo da Lazio e pensámos que não tínhamos hipóteses, mas conseguimos passar". Nem mais, nem menos...

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