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Vencedores do EURO: Nas palavras deles

Sete dos 159 jogadores que saborearam a glória numa final do Campeonato da Europa, incluindo Marco van Basten e Luis Suárez, recordam momentos felizes.
por John Atkin
Vencedores do EURO: Nas palavras deles
O holandês Marco van Basten comemora um dos seus cinco golos em 1988 ©Getty Images

Vencedores do EURO: Nas palavras deles

Sete dos 159 jogadores que saborearam a glória numa final do Campeonato da Europa, incluindo Marco van Basten e Luis Suárez, recordam momentos felizes.

Milhões sonharam com isso ao longo dos últimos 52 anos, mas apenas 159 jogadores experimentaram o sabor da vitória numa final do Campeonato da Europa*. Muitos têm pouco mais em comum. Pietro Anastasi acabara de fazer 20 anos quando ajudou a Itália a conquistar o título em casa, em 1968; Arnold Mühren já tinha 37 quando contribuiu para o triunfo da Holanda, duas décadas depois; o checo Antonín Panenka já tinha feito uma maratona de 120 minutos quando protagonizou um final memorável para a edição de 1976; Oliver Bierhoff marcou dois golos de cabeça em 26 minutos em campo no EURO '96, ajudando a Alemanha a dar a volta ao marcador. O que os une é o sabor da glória no EURO. Aqui ficam as recordações de alguns vencedores. 

O PRIMEIRO: Viktor Ponedelnik (URSS, 1960)
Autor do golo decisivo no prolongamento da primeira final
Divirto-me sempre a recordar essa final, na qual a União Soviética derrotou a Jugoslávia e tornou-se na primeira campeã europeia de sempre. Ninguém pode esquecer aqueles momentos de glória, sejam adeptos ou jogadores. O golo que marquei, aos 113 minutos, foi o mais importante da minha carreira. Marquei muitos nos clubes por onde passei e na selecção, mas há jogos e golos que são realmente especiais, pontos altos da vida desportiva de um jogador. Esse foi o meu. O melhor momento da minha vida.

O RAPAZ DA CASA: Luis Suárez (Espanha, 1964)
O médio talismã da Espanha, que venceu em casa a URSS
A minha memória mais profunda é do ambiente, porque o Santiago Bernabéu estava cheio. Os adeptos identificavam-se connosco, talvez porque éramos uma equipa muito jovem, com vontade de conquistar algo. Isso trouxe uma sensação de calma à equipa e amenizou a pressão. Mesmo que fosse cometido um erro, e numa equipa jovem esse risco é elevado, os adeptos apoiavam-nos. Jogámos bem, diante de uma URSS muito forte, e penso que merecemos ganhar. Joguei noutras selecções de Espanha muito melhores do que a de 1964, mas nunca mais ganhámos nada.

O CLIENTE TRANQUILO: Antonín Panenka (Checoslováquia, 1976)
Autor do penalty decisivo na vitória por 5-3 no desempate com a República Federal da Alemanha
Costumava ficar depois dos treinos a treinar penalties com o nosso guarda-redes. Jogávamos por uma barra de chocolate e por uma cerveja. Como ele era muito bom, tornou-se caro. Por isso, antes de adormecer, tentava pensar em maneiras de lhe ganhar. Fiquei com a ideia de que, se atrasasse o remate e o fizesse em arco, um guarda-redes que se atirasse para um dos lados não tinha tempo para voltar atrás. Experimentei num treino e comecei a ganhar as apostas. Comecei a rematar assim em jogos particulares, depois no campeonato e, para culminar, no Campeonato da Europa.

A ARMA SECRETA: Horst Hrubesch (República Federal da Alemanha, 1980)
Último a chegar à equipa e autor dos dois golos na final
O meu lugar estava em perigo antes da final. Tinha feito três jogos sem marcar e, se Jupp Derwall me deixasse de fora, não tinha como discutir. Olhando para trás, ele fez a escolha certa. Marquei o golo que abriu o activo, mas na segunda parte a Bélgica mostrou classe e empatou merecidamente, aos 75 minutos. Não teríamos conseguido ganhar no prolongamento. Teria sido demasiado duro. A final jogou-se num dia muito quente e lembro-me de estar tão cansado depois do jogo que nem conseguia levantar o troféu. O meu segundo golo, num canto de Karl-Heinz Rummenigge, foi crucial.

O MÁGICO: Marco van Basten (Holanda, 1988)
A final de 1988 ia em 54 minutos quando o avançado fez AQUELE remate
A bola veio de Arnold Mühren e eu pensei, "OK, posso travá-la e fazer alguma coisa com tantos defesas pela frente ou posso optar pela maneira mais fácil, arriscar e rematar". É preciso sorte nestas coisas e, naquele momento, tive-a. Foi fantástico. Foi um momento em que pudemos dizer: "Está 2-0; vamos ganhar este jogo". Quanto ao golo, nem me apercebi do que tinha feito. Pode ver-se isso na minha reacção. Estou a perguntar: "O que está a acontecer?". 

O SUPER SUPLENTE: David Trezeguet (França, 2000)
Um dos dois suplentes utilizados pela França a marcar na vitória por 2-1 sobre a Itália
Marcar o golo do empate aos 94 minutos [por intermédio de Silvain Wiltord] deu-nos ainda mais vontade de ganhar e aproveitámos a oportunidade. Tudo começou numa grande jogada de Robert Pires, que fez um cruzamento bastante difícil, e eu rematei antes de a bola bater no chão. Coloquei toda a força que tinha no remate. Tinha sido um campeonato complicado para mim porque esperava contribuir mais. Em primeiro lugar fiquei feliz pelos meus companheiros de equipa. Depois, fiquei feliz pela minha família. Finalmente, fiquei feliz por mim. Tínhamos concretizado o nosso sonho de sermos campeões do Mundo e da Europa.

O OUTSIDER: Theodoros Zagorakis (Grécia, 2004)
Capitão da Grécia quando os "outsiders", que tinham uma hipótese de 100 para 1, triunfaram em Lisboa
Depois de marcarmos era difícil a Portugal ultrapassar 11 jogadores que defenderam de forma tão apaixonada. Demos tudo o que tínhamos pela equipa e, em vez de ficarmos cansados, cada vez corríamos mais. Queríamos muito a taça. Fomos bastante pressionados, sobretudo nos últimos minutos, mas nunca entrámos em pânico. Quando o árbitro apitou para o final do jogo, foi como se as luzes se apagassem ... uma branca na minha memória ... o sorriso idiota constante na minha cara durante não sei quantos minutos ... momentos inacreditáveis.

*159 jogadores não incluem cinco italianos que jogaram a final inicial em 1968

Última actualização: 04-03-16 16.29CET

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