Nehoda recorda surpresa checa em 1976

Zdeněk Nehoda recorda o triunfo da Checoslováquia no Europeu de 1976, quando uma equipa sem "nada a perder" tornou-se na quinta a gravar o seu nome na Taça Henri Delaunay.

Zdeněk Nehoda, da Checoslováquia
Zdeněk Nehoda, da Checoslováquia ©Getty Images

O Campeonato da Europa de 1976 vai para sempre ser recordado pelo penalty ousado de Antonín Panenka, que selou a conquista do título para a Checoslováquia frente à campeã República Federal da Alemanha. Esse penalty, talvez o mais famoso na história das competições da UEFA, poderia nunca ter acontecido se não fosse Zdeněk Nehoda. O avançado do FK Dukla Praha marcou o golo da vitória nas meias-finais, contra a Holanda, e não falhou o seu penalty na final. Agora, reflecte sobre a caminhada checa até à glória.

Quais eram as suas expectativas à partida para esta competição?

Zdeněk Nehoda: Partimos para Belgrado com a ideia de que não tínhamos nada a perder, sabendo que teríamos pela frente Holanda, Alemanha e Jugoslávia. Essas equipas eram muito mais fortes do que nós e consideradas favoritas. Deixámos o país sabendo que só tínhamos coisas a ganhar, mas tínhamos esperança. Reunimos uma excelente equipa, orientada por bons treinadores e que escolheram boas tácticas. Para além disso, os nossos jogadores estavam em excelente forma e isso reflectiu-se nos resultados, a começar pela vitória nas meias-finais, por 3-1.

Passemos à final. O que se recorda dessa noite em Belgrado?

Nehoda: A final foi peculiar. Estávamos a ganhar por 2-0 e depois quase perdemos o título, quando no último minuto Bernd Hölzenbein empatou, com um golo de sorte. O prolongamento foi um jogo de espera, e quando chegou a vez dos penalties estávamos de novo no ponto de partida. Não tínhamos nada a perder. Estávamos exaustos e desmoralizados quando Uli Hoeness rematou por cima. O Panenka completou a tarefa com aquele penalty soberbo.

Consegue comparar a equipa de 1976 com a da República Checa que atingiu a final do EURO '96?

Nehoda: Não é realmente possível comparar equipas de eras diferentes. Mas algo similar aconteceu em 1996, em Inglaterra, já que a equipa não era considerada favorita. Surpreendentemente, depois de resultados medíocres na fase de grupos, começaram a jogar muito bem e, mais uma vez, houve jogadores que se destacaram, o que ajudou ao apuramento para a final. Perdemos o torneio para a Alemanha devido à falta de sorte.

Conteúdos relacionados