Louros de prata

São os gregos quem estarão na final frente a Portugal, o que, para o seleccionador Otto Rehhagel, vem provar que "nem sempre ganha a melhor equipa". No entanto, os louros dos vencedores foram para os seus jogadores, ao passo que os checos se resignaram com "uma boa prestação" na prova.

A Grécia atravessa um dos momentos mais brilhantes da sua história desportiva. À organização dos Jogos Olímpicos de Atenas, a selecção dirigida por Otto Rehhagel juntou o apuramento para a final do UEFA EURO 2004™, onde (re)encontrará a anfitriã Portugal, depois de ter deixado pelo caminho a única formação que ainda se encontrava invicta em prova. Por isso, todo o país está em festa e até o Melhor em Campo da Carlsberg e autor do decisivo “golo de prata” (e, por isso, o receptor dos louros dos vencedores), o central Traianos Dellas, se lembrou de associar os dois eventos para elevar o espírito grego.

‘Estamos prontos’
“Sei que acabei de proporcionar uma grande alegria a todos os meus companheiros, treinadores e, é claro, a todo o povo grego. Estamos radiantes, vamos à final e organizaremos os Jogos Olímpicos. Estamos, tal como os organizadores das Olimpíadas, prontos”, asseverou Dellas, que representa a AS Roma.

‘Ninguém quis perder’
Sobre o jogo, o Melhor em Campo da Carlsberg considerou que “nenhuma das equipas quis perder. A Grécia jogou de forma muito inteligente, tentando fazer o adversário sofrer e forçar erros. A partida chegou a estar muito rápida, pelo que tivemos de quebrar o ritmo para, então, lançarmos contra-ataques. Acreditámos sempre na vitória desde o princípio e... ganhámos. Dedico mais uma vitória a todos quantos estiveram aqui a apoiar-nos, assim como a todos quantos torcem por nós na Grécia. Agora, que disfrutem todos. No domingo, que o máximo número de pessoas possa vir até Lisboa”, desejou Dellas.

’Nem sempre ganha o melhor’
Magnânimo na hora da vitória, o seleccionador da Grécia, o alemão Otto Rehhagel, comentou que, a propósito de a generalidade dos observadores ter considerado mais entusiasmante uma final entre Portugal e a Rep. Checa, “os checos tem uma equipa muito boa, com excelente circulação de bola, mas nem sempre ganha a melhor equipa”.

A continuação do sonho
Para o treinador germânico, “seria bom que o sonho continuasse”. “Estamos juntos há três anos, tentamos melhorar passo a passo e os resultados estão agora à vista: mesmo no prolongamento, todos os jogadores estavam bastante motivados e acreditaram sempre. Soubemos colocar os checos em dificuldades, acabando por desconcentrá-los no prolongamento”, referiu.

’Conheço Merk desde os seus 15 anos’
Lembrado do facto de o árbitro da final ser o compatriota e conterrâneo [da região de Kaiserslautern] Markus Merk, o seleccionador da Grécia fez o seguinte comentário: “Conheço o Markus Merk desde os seus 15 anos. É um excelente árbitro e, por isso, não creio que venha a ter nenhuma vantagem, uma vez que ele faz muito bem o seu trabalho. No entanto, estou muito feliz pela sua nomeação para dirigir a final”.

‘Os últimos minutos são sempre perigosos’
Para o seleccionador da Rep. Checa, Karel Brückner, “o jogo fez lembrar [o encontro dos quartos-de-final] Holanda-Suécia”. “Na segunda parte, jogámos relativamente melhor, mas o adversário também foi mais efectivo. Paradoxalmente, em três anos e 30 jogos enquanto seleccionador, acabámos de sofrer o primeiro golo resultante de um canto e logo nos últimos segundos. Este desfecho veio reforçar a ideia já deixada neste torneio que os últimos minutos são sempre muito perigosos. Em todo o caso, deixo os meus parabéns aos gregos. Já os havia visto jogar com Portugal, Espanha e França e mostraram ser muito ser muito eficientes. Desejo que, na final com Portugal, voltem a ser tão eficazes como quanto foram connosco”, começou por dizer Brückner.

‘Não estou insatisfeito’
Convidado a fazer um balanço da presença checa no UEFA EURO 2004™, Karel Brückner indicou: “Não estou insatisfeito. Tivemos uma boa prestação. Falei com os jogadores no fim e o capitão Nedved confessou que esta era a melhor selecção checa que ele alguma vez representou”.