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Fernando Santos fala da confiança de Portugal

O seleccionador de Portugal, Fernando Santos, analisa o percurso da equipa até à fase final, a preparação, a importância de Cristiano Ronaldo e a forma de abordar os adversários.

Fernando Santos num treino de Portugal
Fernando Santos num treino de Portugal ©AFP/Getty Images

Numa entrevista ao EURO2016.com pouco antes da estreia de Portugal no UEFA EURO 2016, diante da Islândia, o seleccionador Fernando Santos analisa o percurso da equipa até à fase final, a preparação, a importância de Cristiano Ronaldo e a forma de abordar os adversários, incluindo o próximo: "Presunção é uma palavra que não existe na minha equipa, mas temos confiança naquilo que podemos fazer."


Como avalia a fase de qualificação e qual foi, no seu entender, o momento-chave para o sucesso de Portugal?

Foi normal. O início não foi muito bom mas penso que o jogo decisivo foi com a Dinamarca, em Outubro. Se não tivéssemos ganho as nossas contas ter-se-iam complicado um pouco. Essa vitória - penso que bem conseguida - aumentou a confiança. Os níveis de concentração, que já foram fortíssimos nesse jogo, aumentaram e, a partir daí, acabou por ser uma campanha normal, dentro daquilo que eu esperava que a equipa podia realizar.

Quais foram as principais alterações que operou e como gosta que a sua equipa jogue?

As alterações são comparações que não se devem equacionar porque cada treinador tem a sua forma de jogar e todas são respeitáveis. Obviamente que não somos todos iguais e temos princípios diferentes. Essencialmente, o que quero da minha equipa é que seja dinâmica, capaz de defender bem e, ao mesmo tempo, possa potenciar toda a criatividade e capacidade em termos ofensivos. Esta equipa tem isso e foi o que procurei incutir nos jogadores. Depois é preciso uma dose de trabalho forte e também de concentração.

Como tem corrido a preparação para o EURO após a fase de qualificação?

Felizmente tivemos a capacidade de acabar cedo a qualificação - não tivemos o "play-off" e para nós acabou por ser positivo. Pudemos avaliar algumas situações em jogos amigáveis, avaliar jogadores, fazer algumas experiências com novos atletas. A preparação tem corrido muito bem para nós.

Cristiano Ronaldo foi o melhor marcador da fase de qualificação. Qual a importância dele no seio do grupo?

O Cristiano tem uma importância decisiva em qualquer equipa e na selecção também. Por aquilo que joga, porque é o melhor do Mundo, pelo que transmite em campo aos seus colegas e o que traz consigo - é um vencedor nato, alguém que tem sempre como objectivo único a vitória e a perfeição. Quando tens alguém assim todos os que estão ao redor acabam por sentir isso e também o acompanham nessa sua forma de estar. É fundamental para a equipa nacional.

As ausências de alguns jogadores abriram as portas a jovens como Renato Sanches. Como olha para os jogadores que agora chegam à selecção principal?

Com naturalidade e normalidade. Se os chamei é porque entendo que têm capacidade para estar ao serviço da selecção. Neste ano e meio devo ter chamado cerca de 19. Isso demonstra, em primeiro lugar, a minha confiança em relação a eles, depois a sua enorme capacidade. Isso permite a Portugal acreditar no futuro. Um futuro brilhante, na minha opinião.

Portugal chegou às meias-finais e mesmo à final desta prova no passado. Do que é que necessita para ter finalmente sucesso na competição?

Ganhar a final. O que falta é isso. Portugal tem feito excelentes campanhas, principalmente no Europeu. Já esteve em várias meias-finais, já esteve na final e agora falta vencer. É isso que vamos procurar fazer aqui em França.

Já participou na prova ao comando da Grécia. Pensa que essa experiência pode ser importante para ajudar Portugal a ir longe no UEFA EURO 2016?

Principalmente para mim. Quando chegas de novo a uma selecção nacional é diferente daquilo que fazes nos clubes. É uma realidade nova e ajudou-me, principalmente a mim enquanto treinador de equipa nacional. Aos jogadores não porque muitos deles já passaram por isto muitas vezes, outros é a primeira que estão a passar. O que vou tentar transmitir é esse conhecimento que adquiri quando estive ao serviço da selecção grega.

O primeiro jogo é contra a Islândia e muitos contam com uma vitória. Como está a gerir as expectativas em torno da selecção?

Não entramos em facilitismos. Uma das características que o nosso grupo de trabalho tem é um enorme respeito por todos os adversários. Consideramos que todos são fortíssimos, e a Islândia também o é. Temos respeito por todos mas não temos medo de jogar contra ninguém. Acreditamos que poderemos vencer qualquer selecção. Presunção é uma palavra que não existe na minha equipa, mas temos confiança nas nossas capacidades. O respeito não pode é trazer medo, e não traz seguramente.