Resultado enganador

Luis Aragonés gostaria que a Espanha tivesse "marcado mais dois golos" à Rússia, enquanto Guus Hiddink disse que faltou maturidade à sua equipa.

Fernando Torres e Luis Aragonés Suárez quando o avançado foi substituído
Fernando Torres e Luis Aragonés Suárez quando o avançado foi substituído ©Getty Images

O treinador espanhol, Luis Aragonés, só estava moderadamente satisfeito com a sua equipa, mesmo depois da goleada por 4-1 frente à Rússia, pela qual deve agradecer à exibição inspirada e ao "hat-trick" de David Villa. O exigente técnico, de 69 anos, disse que sempre acreditou nas capacidades da sua equipa, mas também que gostaria que tivessem marcado mais um ou dois golos. O treinador da Rússia, Guus Hiddink, não estava nem totalmente desanimado com a exibição da sua equipa, nem muito impressionado com a forma como o adversário de hoje se impôs com um resultado categórico, naquele que foi o jogo inaugural do Grupo D.

Luis Aragonés, seleccionador da Espanha
David Villa é um marcador nato e está em boa forma – é tão simples como isso. Gostamos de contra-atacar e quando controlamos a posse de bola com essa intenção costumamos marcar golos e criar dificuldades a qualquer equipa. É claro que um resultado como este ajuda a ganhar ainda mais confiança e no processo de mudança do nosso estatuto. Mas, mais do que um resultado volumoso como este, é de destacar o trabalho diário intenso levado a cabo pelos jogadores, bem como saber que entendem a mensagem que lhes passo durante os treinos e que vai determinar a forma como nos vamos apresentar neste torneio. Hoje, gostava que a minha equipa tivesse marcado, pelo menos, mais dois golos, porque tivemos oportunidades para isso. Quando se está em vantagem, deve-se aproveitar esse ascendente, que foi o que fizemos até aos 3-0.

O resultado final não reflecte o que realmente se passou durante o desafio. É claro que, a vencer por 1-0, podíamos ter sofrido o golo do empate, pois o jogo estava a ser equilibrado, mas, ao invés, foi perfeito termos marcado o segundo golo. Não estou a dizer que, depois disso, a equipa tenha relaxado um pouco, mas o que é facto é que, em certas alturas podíamos ter sido mais compactos, pois Hiddink tem ao seu serviço uma equipa muito forte e fisicamente impressionante. Mais do que um dos seus jogadores, em particular [Sergei] Semak e [Konstantin] Zyryanov, causaram-nos alguns problemas. Em relação à substituição do Fernando Torres, que fique claro que não se tratou de nenhuma lesão, simplesmente ele é um jogador importante para a equipa e teve uma temporada longa e desgastante. Quis dar-lhe um pouco de descanso, aproveitando para colocar outro jogador na zona do meio-campo para prevenir a pressão crescente da Rússia e evitar problemas.

Guus Hiddink, seleccionador da Rússia
Preocupa-me que as pessoas olhem para o resultado e, sem terem visto o jogo, pensem que se tratou de uma equipa espanhola muito forte e de uma selecção russa que não criou oportunidades para marcar. Mas uma análise racional permite-me dizer que este grupo ainda é um pouco inexperiente e que, neste jogo, fomos os nossos piores inimigos, em especial nos momentos decisivos. Antes do primeiro golo da Espanha, estávamos a jogar bem e mesmo quando estava 1-0 o Zyryanov acertou no poste. E acredito que, mesmo quando estava 2-0, se tivéssemos marcado um golo, os acontecimentos podiam ter mudado, tal como no jogo da fase de qualificação frente à Inglaterra, onde começámos a perder e conseguimos dar a volta ao resultado. Mas aprendemos a lição e fomos castigados por não termos sido suficientemente espertos. Sofrer o segundo golo quando falta um minuto para o intervalo e voltar a consentir o terceiro golo da mesma forma são erros de uma equipa ingénua e inexperiente.

Só temos três dias para corrigir o que esteve mal, por isso é uma tarefa difícil a que nos espera. Também é verdade que se trata de um resultado muito pesado. Temos dois jogos difíceis pela frente, mas se soubermos ser mais espertos então existem ilações positivas a retirar deste primeiro jogo, em vez de continuarmos a pensar na pesada derrota que sofremos. A Espanha? Bem, desejo-lhe a melhor sorte para o que resta da prova. É de facto uma selecção que domina bem a arte do contra-ataque. Mas estou curioso para saber como se vão portar frente a uma equipa mais experiente neste tipo de competições, pois esse será o seu verdadeiro teste.

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