Ancelotti de saída: o que se segue no Bayern?

Carlo Ancelotti já não é treinador do Bayern, com Willy Sagnol a ser escolhido como técnico-interino após a derrota em Paris. O UEFA.com aponta os motivos que originaram a saída e enumera possíveis sucessores.

Carlo Ancelotti frustrado no banco na derrota em Paris
Carlo Ancelotti frustrado no banco na derrota em Paris ©AFP/Getty Images

O treinador Carlo Ancelotti foi despedido pelo Bayern cinco meses depois de ter conduzido o clube de Munique ao quinto título consecutivo na Bundesliga.

Menos de 24 horas após a derrota dos alemães por 3-0 frente ao Paris Saint-Germain, o treinador que venceu por três vezes a UEFA Champions League foi dispensado do cargo. O adjunto Willy Sagnol foi escolhido para assumir interinamente o comando da equipa.

"Desde o início da época que o desempenho da nossa equipa não esteve ao nível das expectativas que tínhamos", explicou o director-executivo Karl-Heinz Rummenigge. "O jogo em Paris mostrou claramente que tínhamos de tirar conclusões”.

“Eu e o [Director desportivo] Hasan Salihamidžić tivemos hoje uma conversa franca e aberta com o Carlo para lhe comunicar a nossa decisão. Gostaria de agradecer ao Carlo pela cooperação que tivemos e lamentamos que o desfecho tenha sido este, mas tínhamos de tomar uma decisão profissional pelo Bayern".

Resumo: Paris 3-0 Bayern
Resumo: Paris 3-0 Bayern

Porquê agora?

Ancelotti teria sempre uma tarefa difícil pois, apesar de todo o talento com que contava, teve de fazer face ao abandono de Xabi Alonso e Philipp Lahm, assim como gerir os egos dos veteranos Franck Ribéry e Arjen Robben.

Esta época foram apontadas muitas críticas às opções tácticas e à rotação de jogadores promovidas por Ancelotti, como aconteceu ontem à noite, em Paris, quando decidiu deixar Ribéry, Robben e Mats Hummels a suplentes no jogo mais importante da nova época. Foi um risco que, em última análise, custou o emprego ao italiano, embora os primeiros sinais de descontentamento já se tenham manifestado na época passada.

Apesar de vencer a Bundesliga, as campanhas frustrantes do Bayern na Europa e na Taça da Alemanha levaram a que a época de estreia em Munique não pudesse ter sido considerada um sucesso absoluto. Em contraste com o seu antecessor, Josep Guardiola, o estilo de Ancelotti foi muitas vezes criticado por falta de velocidade e intensidade.

Carlo Ancelotti sucedeu a Josep Guardiola no Verão de 2016
Carlo Ancelotti sucedeu a Josep Guardiola no Verão de 2016©AFP/Getty Images

A irregularidade no arranque desta temporada, conjugada com alguns sinais de intranquilidade no plantel, levaram a rumores que o final do contrato de Ancelotti (que terminava em 2019) podia ser antecipado num ano. Outro elemento importante foi o sucesso de Julian Nagelsmann no comando do Hoffenheim e o facto de o treinador de 30 anos ter assumido que seria "um sonho treinar o Bayern”.

Próximos passos
Como é pouco provável que Nagelsmann deixe o Hoffenheim a meio da época, Sagnol é uma escolha óbvia para ocupar interinamente o cargo até o Bayern conseguir contratar um treinador.

O francês de 40 anos realizou 277 jogos em nove épocas em Munique e conhece muito bem o clube, embora a falta de experiência ao mais alto nível possa causar preocupação nos adeptos do Bayern. A única experiência como treinador principal foi quando orientou o Bordéus entre 2014 e 2016. O próprio Nagelsmann também é muito jovem e pouco experiente.

Thomas Tuchel levou o Dortmund ao triunfo na Taça da Alemanha na época passada
Thomas Tuchel levou o Dortmund ao triunfo na Taça da Alemanha na época passada©Getty Images

Outro forte candidato é Thomas Tuchel, que é bem mais experiente e está desempregado desde que foi despedido pelo Borussia Dortmund em Maio. O técnico de 44 anos já provou o seu valor na Bundesliga, apurando o Mainz para a UEFA Europa League após o quinto lugar conquistado em 2010/11

Seguiram-se duas boas épocas em Dortmund, onde estabeleceu um novo recorde de pontos somados por um segundo classificado (78 em 2015/16) e conquistou a Taça da Alemanha de 2016/17.

A reputação de Tuchel como um treinador astuto e flexível tacticamente, que defende um futebol de ataque, parece adequada ao Bayern. O facto de ter lançado jovens como Julian Weigl, Christian Pulišić e Ousmane Dembélé no Dortmund não deverá ter passado despercebido aos responsáveis do Bayern, que têm expressado o desejo de apostar em jovens formados localmente nos próximos anos. Além disso, é alemão.

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