Fabinho fala da carreira, do Dortmund, de Falcao e dos portugueses do Mónaco

A preparar-se para defrontar o Dortmund, o brasileiro Fabinho, especialista em penalties, fala ao UEFA.com sobre a carreira, o Mónaco, Radamel Falcao, Leonardo Jardim, João Moutinho e Bernardo Silva.

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Transformado com sucesso por Leonardo Jardim de defesa-direito em médio-centro, os desempenhos de Fabinho na equipa (e a proeza na marcação de grandes penalidades – converteu as últimas 17 tentativas) têm dado ainda mais brilho à excelente temporada do Mónaco. Internacional pelo Brasil, Fabinho fala ao UEFA.com da carreira, dos ídolos Cafú e Ronaldo, do Dortmund – adversário nos quartos-de-final da UEFA Champions League – e da importância de Jardim, e elogia Radamel Falcao, João Moutinho e Bernardo Silva.

Sobre ídolos de infância e representar o Brasil...

Quando eu era pequeno gostava muito do Cafú, foi uma referência para os brasileiros, para a lateral direita acho que é a maior referência pelos títulos que ele conquistou, tanto nos clubes como ao nível da selecção. Gostava muito também do Ronaldo “Fenómeno”, que é um dos ídolos máximos do futebol brasileiro.

Não esperava chegar tão cedo à selecção brasileira. Foi algo muito gratificante, não só para mim, mas também para a minha família, para os meus amigos. É uma sensação incrível.

Sobre deixar cedo o Brasil, dificuldades e ajuda na Europa...

Tive pessoas que foram importantes na minha chegada no Mónaco, como o director [desportivo] Luís Campos [entretanto deixou o Mónaco no Verão de 2016], alguém com quem eu já tinha trabalhado [em 2012/13 no Real Madrid].

Os jogadores que chegaram ao mesmo tempo do que eu e com quem era comunicar, por falarmos a mesma língua, como Ricardo Carvalho, João Moutinho, ou mesmo o James Rodríguez, foram muito importantes nesta minha primeira fase no Mónaco.

Sobre jogar a lateral-direito ou a médio e aspectos a melhorar...

Neste momento, como estou mais habituado a jogar como médio, tenho uma pequena preferência por essa posição, mas posso fazer as duas sem problemas. Tem dado certo para mim e para a equipa jogar nessa posição de médio-centro. É a primeira temporada completa que jogo nessa posição e evoluí bastante. Tenho muitas coisas ainda para aprender, mas cheguei à selecção como lateral e creio que posso jogar num bom nível nas duas posições.

Sempre tem coisas para melhorar: jogar de cabeça, o pé esquerdo, o último passe. Nessa posição, como recebo a bola mais frontal, posso fazer um último passe melhor do que como lateral.

Sobre o segredo do sucesso nos penalties...

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Não tem segredo. Procuro treinar sempre no dia do jogo algumas cobranças [de grandes penalidades], mas não gosto de treinar muitas porque os nossos goleiros já sabem habitualmente a minha maneira de tirar. O segredo é concentração e confiança. Tento sempre bater forte para que, mesmo que o goleiro vá no canto, a bola possa entrar.

Sobre defrontar o Dortmund...

O Dortmund será um adversário muito difícil, talvez até parecido com o [Manchester] City, pela maneira ofensiva de jogar, pelos jogadores jovens e talentosos que tem. É uma excelente equipa, parecida com a nossa, pois tem jovens com grande mobilidade, referências muito boas e jogadores um pouco mais experientes a nível europeu. Mas a nossa maneira de jogar não vai mudar muito, é o que nos trouxe até esta fase da competição.

Sobre as principais forças do Mónaco e o que mudou esta época...

Mónaco nos quartos-de-final de forma épica
Mónaco nos quartos-de-final de forma épica

Acho que a força da nossa equipa é a intensidade, a velocidade que consegue na transição defesa-ataque – é um dos nossos destaques. A nossa presença na área também tem sido muito boa, por isso temos um ataque que está conseguindo fazer bastantes golos.

O que mudou na equipa das outras temporadas é que voltaram alguns jogadores, casos do Falcao e do Germain, que têm sido importantes. O treinador também mudou o esquema, eu mudei de posição de lateral para o meio-campo... Houve também chegadas de jogadores como Glik, Sidibé e Mendy. Acho que foi de tudo um pouco isso que contribui para esse sucesso do Mónaco.

Sobre Radamel Falcao...

Já sabíamos que o Falcao iria ser importante para nós. Vimos isso na pré-temporada; e desde o primeiro jogo contra o Fenerbahce, na terceira pré-eliminatória da Champions, ele foi importante marcado golos [numa derrota de 2-1 na Turquia].

Dentro de campo ele se tornou um líder e vem fazendo a diferença para a nossa equipa. Fora de campo também tem sido importante, é o nosso capitão, sempre que é preciso ter uma conversa mais séria é ele quem toma a palavra.

Sobre Leonardo Jardim.. Jardim foi muito importante para mim. É um treinador convincente quando passa as suas ideias para a equipa. Quando chegou, perguntou se eu já tinha jogado no meio-campo porque via traços de meiocampista em mim. Nas duas primeiras temporadas ele me colocou algumas vezes no meio-campo, mas joguei mais como lateral; nesta temporada estou definitivo no meio-campo, e tem dado certo para mim e para a equipa.

Sobre João Moutinho e Bernardo Silva...

O João Moutinho chegou junto comigo aqui no Mónaco. No meu início foi importante para mim, pela língua, por ser um jogador experiente. É um dos líderes da equipa. Por ser da mesma posição que a minha actualmente procuro aprender com ele.

O Bernardo Silva é um caso parecido comigo, chegou aqui meio desconhecido do Benfica. Desde a primeira temporada vem evoluindo muito e nesta está tido um destaque extraordinário. Tem sido o melhor jogador da nossa temporada e sido decisivo, pelo menos mais decisivo do que nas outras temporadas. O Bernardo tem um futuro fantástico e tudo para ser um jogador de top mundial.

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