Clássicos dos oitavos-de-final da Champions League

Dos festejos de José Mourinho aos "Leões de Wembley", o UEFA.com escolhe uma eliminatória dos oitavos-de-final de cada umas das últimas 15 épocas.

Paulo Dybala liderou a Juventus na eliminação do Tottenham nos oitavos-de-final
Paulo Dybala liderou a Juventus na eliminação do Tottenham nos oitavos-de-final ©Getty Images

A edição 2018/19 da UEFA Champions League é a 16ª edição desde que os oitavos-de-final substituíram a segunda fase de grupos. O UEFA.com escolhe um clássico de cada uma das anteriores 15 edições (todos os resultados referidos representam o total das duas mãos).

Costinha comemora o golo decisivo marcado pelo Porto em 2004
Costinha comemora o golo decisivo marcado pelo Porto em 2004©Getty Images

2003/04: Manchester United 2-3 Porto
Este duelo marcou o início da verdadeira caminhada do Porto rumo ao título europeu. Dois golos de Benni McCarthy valeram aos "dragões" um triunfo por 2-1 na primeira mão no primeiro encontro europeu realizado no Estádio do Dragão e a segunda mão, em Old Trafford, catapultou José Mourinho para o estrelato mundial. Praticamente eliminado devido ao desempate por golos marcados fora, o Porto prosseguiu na prova graças a um cabeceamento de Costinha à entrada do último minuto, situação que espoletou os icónicos festejos de Mourinho a correr ao longo da linha lateral em direcção aos seus jogadores.

2004/05: Chelsea 5-4 Barcelona
Pela aparentemente displicente execução, o segundo golo de Ronaldinho Gaúcho em Stamford Bridge é um dos golos mais memoráveis da UEFA Champions League. Continua, contudo, a ser uma nota de rodapé numa eliminatória emocionante. Imperturbado pela derrota por 2-1 e expulsão de Didier Drogba em Camp Nou, o Chelsea viu-se em vantagem na eliminatória, por 4-2, com apenas 19 minutos decorridos do encontro da segunda mão. Um bis de Ronaldinho ameaçou fazer descarrilar os "blues", mas o capitão John Terry viria a dar-lhes a vitória com um cabeceamento em grande estilo.

 Juventus 4-4 Bremen (Juventus vence no desempate por golos marcados fora)
David Trézéguet parecia ter dado uma vantagem decisiva à Juventus com o segundo golo fora, mas Tim Borowski e Johan Micoud deram a volta ao marcador e deixaram o Werder Bremen em vantagem. Micoud facturou ainda no Delle Alpi e o Bremen parecia bem encaminhado para os quartos-de-final. No entanto, houve ainda tempo para Trézéguet e Emerson darem a provar aos alemães um pouco do próprio remédio.

Roy Makaay festeja após marcar o golo mais rápido de sempre na competição
Roy Makaay festeja após marcar o golo mais rápido de sempre na competição©Getty Images

2006/07: Bayern 4-4 Real Madrid (Bayern vence no desempate por golos marcados fora)
Dois golos em quatro minutos – separados por 15 dias e 1500 quilómetros – viraram esta eliminatória ao contrário. O Real Madrid vencia em casa por 3-1, graças a Raúl González e Ruud van Nistelrooy, até que um tento de Mark van Bommel, aos 88 minutos, deu esperança ao Bayern para o jogo da segunda mão, em Munique. Na capital da Baviera, Roy Makaay empatou a eliminatória com o golo mais rápido da competição e Lúcio carimbou a vitória, pese embora uma finalização certeira de Ruud van Nistelrooy ter proporcionado um final mais emocionante.

2007/08: Sevilla 5-5 Fenerbahçe (Fenerbahçe vence por 3-2 nas grandes penalidades)
O Sevilha esteve em vantagem na eliminatória por duas ocasiões mas, mesmo assim, acabou eliminado. Os comandados de Zico adiantaram-se na eliminatória através de golos de Mateja Kežman e Diego Lugano no jogo da primeira mão, em Istambul, mas os sevilhanos empataram até Semih Şentürk ter dado aos turcos a vantagem com que partiram para a segunda mão. O Sevilha teve reacção enérgica perante o seu público e ficou a 11 minutos de triunfar, só que a decisão transitou para o prolongamento, onde nenhuma das equipas conseguiu marcar, o que permitiu a Volkan Demirel tornar-se no herói da noite ao defender três tentativas de conversão.

2008/09: Bayern 12-1 Sporting
Na maior vitória a duas mãos na história da UEFA Champions League, o equilíbrio apenas durou até ao momento em que Franck Ribéry adiantou o Bayern no marcador em Lisboa, pouco antes do intervalo. Seguiu-se um triunfo por 5-0 e a eliminatória ficou desde logo decidida. No entanto, o Bayern não se ficou por aí. De regresso a Munique, seis marcadores diferentes ajudaram-no a igualar a vitória por maior margem em rondas a eliminar.

2009/10: Manchester United 7-2 Milan
O United pode não ter conseguido igualar bem o feito de marcar sete golos à Roma num só jogo, três épocas antes, mas esta não deixou de ser nova exibição arrebatadora da equipa de Alex Ferguson. Dois golos de Wayne Rooney ajudaram bastante ao um triunfo por 3-2 em San Siro, seguido de uma exibição sem mácula em Old Trafford. Rooney voltou a bisar num jogo em que a velocidade, poderio e indómita vontade asseguraram uma vitória memorável.

A festa do Inter depois de ganhar em casa do Bayern em 2010
A festa do Inter depois de ganhar em casa do Bayern em 2010©Getty Images

2010/11: Bayern  3-3 Inter (Inter vence no desempate por golos marcados fora)A repetição da final de 2010 prometia sempre muito e este duelo não seria excepção. Apesar da boa exibição do guarda-redes do Bayern, Thomas Kraft, ter proporcionado a Mario Gomez apontar o tento da vitória em Milão sob o apito final, o Inter não abdicou da defesa do troféu sem dar boa réplica. Samuel Eto'o rapidamente empatou a ronda em Munique, mas o Bayern colocou-se em vantagem por 3-1 na eliminatória aos 31 minutos. Foi então que Wesley Sneijder e Goran Pandev, este a dois minutos do final, desfizeram os sonhos dos bávaros.

2011/12: APOEL 1-1 Lyon (APOEL vence por 4-3 nas grandes penalidades)
Primeira equipa de Chipre a chegar às rondas a eliminar, a tarefa do APOEL parecia ainda mais complicada quando perdeu por 1-0 em Lyon. Contudo, o conjunto de Ivan Jovanović voltou a apelar ao estatuto de equipa-sensação e levou a decisão da eliminatória para o prolongamento, graças a um tento madrugador de Gustavo Manduca, em Nicósia. E nem mesmo a expulsão do ex-jogador do CS Marítimo e do SL Benfica, aos 115 minutos, travou o APOEL, cujo herói no desempate por grandes penalidades foi o guarda-redes Dionisios Chiotis.

2012/13: Bayern 3-3 Arsenal (o Bayern vence no desempate por golos marcados fora)
A equipa de Jupp Heynckes foi avassaladora na primeira mão, em Londres, chegando ao 2-0 após 21 minutos, graças a golos de Toni Kroos e Thomas Müller. Apesar de Lukas Podolski ter reduzido frente à sua antiga equipa, Mario Mandžukić restabeleceu a vantagem de dois golos do Bayern, deixando os "gunners" com uma tarefa complicada para a deslocação à Baviera. Olivier Giroud deu-lhes esperança logo a abrir, e Laurent Koscielny garantiu uma ponta final com alguns nervos, mas o Bayern aguentou a pressão. Viriam a regressar à capital inglesa, em Maio.

2013/14: Manchester United 3-2 Olympiacos
Com David Moyes como novo treinador, o United ultrapassou invicto a fase de grupos, mas golos de Alejandro Domínguez e Joel Campbell ofereceram ao Olympiacos um triunfo caseiro por 2-0 sobre os homens de Manchester na primeira mão dos oitavos-de-final. Contudo, o campeão grego tinha saído derrotado das 11 visitas anteriores a Inglaterra e viu Robin van Persie relançar o United na eliminatória de penalty, à passagem do minuto 25 da segunda mão. O holandês igualou a eliminatória a dois golos ao bisar em cima do intervalo e, nos derradeiros 45 minutos, converteu de forma espectacular um livre, confirmando mais uma memorável recuperação do United.

2014/15: Paris 3-3 Chelsea (após prolongamento, Paris apurado graças aos golos fora)
Depois de ter eliminado o Paris nos quartos-de-final em 2013/14, o Chelsea parecia bem colocado para voltar a ultrapassar a turma gaulesa depois de um empate 1-1 no Parc des Princes na primeira mão e de um cartão vermelho exibido aos 31 minutos a Zlatan Ibrahimović em Stamford Bridge, na segunda mão. Pensou-se que o golo de Gary Cahill aos 81 minutos dessa segunda mão seria o encerrar definitivo da questão para a turma orientada por José Mourinho, mas David Luiz, então jogador do Paris, igualou a eliminatória com um grande cabeceamento cinco minutos depois, levando a decisão para prolongamento. Eden Hazard, de penalty, aos 96 minutos, recolocou o Chelsea na frente mas, a seis minutos do fim, nova cabeçada prodigiosa, desta feita por parte do capitão Thiago Silva, recompensou o enorme esforço dos parisienses.

2015/16: PSV Eindhoven 0-0 Atlétcio (após prolongamento, Atlético vence 8-7 nos penalties)
Tratou-se da primeira eliminatória da história da UEFA Champions League a terminar sem golos ao fim de duas mãos e 30 minutos de prolongamento. O Atlético efectuou 12 remates na primeira mão, em Eindhoven, onde o PSV se viu reduzido a dez elementos por expulsão de Gastón Pereiro no arranque da segunda parte sem que a turma madrilena fosse capaz de marcar; o Atlético voltou a dominar na segunda mão, em Madrid, onde totalizou 24 remates, mas uma vez mais não conseguiu marcar. A decisão seguiu, pois, para os penalties e, depois de Luciano Narsingh, do PSV, rematar à trave ao 15º remate, Juanfran não perdoou e colocou os homens de Diego Simeone na ronda seguinte.

2016/17: Barcelona 6-5 Paris
Esta teria sido uma eliminatória extraordinária apenas pela goleada de 4-0 aplicada pelo Paris ao Barcelona na primeira mão. Mas aos 40 minutos do jogo em Camp Nou começaram a surgir sinais da possibilidade de uma reviravolta inédita na UEFA Champions League, com o 2-0 na sequência de um cabeceamento certeiro de Luis Suárez e de um autogolo. O Barcelona ficou a apenas um golo quando Lionel Messi converteu uma grande penalidade no início do segundo tempo, mas Edinson Cavani parecia ter decidido a eliminatória quando marcou um golo fora para os franceses pouco depois da hora de jogo. A dois minutos do final do tempo regulamentar o Barcelona ainda precisava de três golos e foi então que surgiu Neymar a marcar um livre soberbo e a converter uma grande penalidade sofrida por Suarez. No quinto minuto dos descontos, o brasileiro fez o passe para Sergi Roberto marcar o golo decisivo.

Veja o golo de Dybala na vitória em Wembley
Veja o golo de Dybala na vitória em Wembley

2017/18: Juventus 4-3 Tottenham
"Os Leões de Wembley" foi a manchete do jornal desportivo italiano Corriere dello Sport após a Juve ter eliminado o Tottenham, equipa que recuperou de 2-0 e acabou a empatar 2-2 na primeira mão, num jogo em que Gonzalo Higuaín falhou o "hat-trick" quando rematou à trave na conversão de uma grande penalidade. Na segunda mão, em Londres, Son Heung-min colocou o anfitrião na frente durante a primeira parte, mas Paulo Dybala e Higuaín marcaram de rajada logo após o intervalo e encaminharam a equipa italiana para os quartos-de-final.

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