Guardar o melhor para o fim

O futuro do futebol feminino alemão está garantido, sobretudo graças a Felicitas Sarholz, heroína na vitória do Potsdam na UEFA Women's Champions League.

Anna Felicitas Sarholz (à esquerda) e Anja Mittag festejam a vitória do Potsdam em Getafe
Anna Felicitas Sarholz (à esquerda) e Anja Mittag festejam a vitória do Potsdam em Getafe ©Sportsfile

Nome: Anna Felicitas Sarholz
Clube: 1. FFC Turbine Potsdam
Estreia: 20/09/09, frente ao 1. FC Saarbrücken (Frauen Bundesliga)
Posição: Guarda-redes
Nacionalidade: Alemã
Data de nascimento: 05/07/1992

Com a média de idades do Potsdam, equipa que ganhou recentemente a UEFA Champions League feminina, de apenas 21 anos e meio, o futuro parece promissor para a modalidade na Alemanha. Nesta competição, isso é quase uma certeza, em função do domínio exercido pelo país ao longo dos anos, e com o brilho revelado pela sensacional guarda-redes Sarholz, de apenas 17 anos, o futebol feminino alemão está mesmo em boas mãos.

Graças ao seu 1,80 metros de altura, Sarholz é presença dominante na área, possuindo confiança e determinação de sobra. Apenas fez a estreia pelo Potsdam em Setembro passado, mas no final da época já era uma das chaves para o sucesso da equipa. Nos quartos jogos que disputou na UEFA Champions League feminina só sofreu um golo, mas esse dado revela apenas metade da história.

Em 2008, Sarholz conseguiu recuperar bem de um problema clínico que lhe afectava o miocárdio e a força de carácter que então demonstrou foi transportada para o relvado. Na meia-final com o FCR 2001 Duisburg, defendeu três penalties no desempate e garantiu a qualificação da sua equipa. Na final, voltou a ser a grande figura.

Depois de 120 minutos sem golos em Getafe, o Potsdam parecia a caminho da derrota ao falhar dois penalties no desempate, mas Sarholz tinha outras ideias, defendendo dois e marcando ela própria um, levando a equipa alemã a uma improvável vitória sobre o Olympique Lyonnais. Este foi o terceiro troféu europeu de Sarholz, que já tinha conquistado dois Campeonatos da Europa de Sub-17 pela Alemanha, ao longo dos quais sofreu apenas um golo em dez jogos.

Jogo marcante:
1. FFC Turbine Potsdam 1-0 FCR 2001 Duisburg
(resultado das duas mãos: 1-1, Potsdam venceu 3-1 nos penalties)
18/04/10 Segunda mão da meia-final da
UEFA Champions League Feminina
No seu terceiro jogo na mais prestigiada das competições europeias femininas, Sarholz mostrou nervos de aço. Não sofreu golos em 120 minutos de jogo e, no desempate por grandes penalidades, defendeu três remates, garantindo a passagem à final. "Não pensei nos penalties antes do tempo. Não há um plano para os defender", afirmou. "É uma reacção espontânea e uma questão de feeling para compreender a linguagem corporal da jogadora que vai rematar."

O que ela diz:
"Vou ter de dormir uma ou duas noites para perceber o que aconteceu. Isto é demais para entender nesta altura. Acreditamos sempre em nós. Houve momentos de dúvida, nos quais pensámos que não íamos conseguir."

"Nunca penso muito durante um desempate por penalties. Preciso de me concentrar em defender. Tudo tem a ver com os nervos. A pressão é muito grande. Ofereci-me para marcar um e, de início, a equipa ignorou-me. Depois, disseram: 'Hey, vais marcar o próximo' e eu disse 'OK'."
Sarholz recorda a memorável final da UEFA Champions League feminina com o uefa.com

"No início do ano passado [2008], tive uma quádrupla infecção do miocárdio e escapei por pouco à morte. Felizmente, graças aos tratamento e aos excelentes médicos, tudo foi controlado relativamente depressa."

"Comecei como avançada, mas era demasiado preguiçosa para correr e tornei-me guarda-redes. Simplesmente, não gostava de correr e ainda hoje não tenho muita resistência. Gostei de jogar na baliza e toda a gente diz que é lá que tenho de continuar."
Sarholz, em entrevista à womensoccer.de, em Setembro de 2009

O que dizem dela:
"Anna é uma excelente guarda-redes e hoje foi a melhor. Tenho duas boas guarda-redes, mas desta vez precisava de uma mais alta porque as defesas adversárias eram enormes [e uma ameaça nos cantos]. Agora, ela pensa que é a melhor, mas eu sou o treinador e vou garantir que isso não lhe sobe à cabeça."
Bernd Schröder, treinador do Potsdam, depois da final

"A sua exibição na final foi incrível e isso dá-lhe muito prestígio. Tem o futuro pela frente, porque é jovem e não há pressão, mas deve manter os pés no chão."
Anja Mittag, companheira de equipa no Potsdam

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