Entrevista com José Mourinho: treinador do Real Madrid fala sobre os adversários na fase de liga da Champions League e o seu regresso ao Santiago Bernabéu
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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"O Real Madrid é o Real Madrid, e ponto final": José Mourinho explica à UEFA o porquê de ter regressado para liderar a sua antiga equipa na Champions League.
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Contratado como treinador do Real Madrid pela segunda vez neste Verão, José Mourinho está pronto para voltar a disputar a UEFA Champions League, tendo o sorteio da semana passada determinado que os merengues irão defrontar, entre outros, o Arsenal e o Inter.
Um dos maiores treinadores da era da Champions League, Mourinho consolidou a sua reputação ao conquistar a competição com o FC Porto na época 2003/04, tendo depois repetido o feito no Inter em 2009/10, após a primeira de duas brilhantes passagens pelo Chelsea. Treinador do Real Madrid entre 2010 e 2013, o técnico de 63 anos explica à UEFA o porquê de ter deixado um lugar de sonho no Benfica para regressar ao clube 15 vezes campeão da Europa.
Esta entrevista foi realizada a 1 de Setembro de 2026.
Sobre como se sentiu ao ser convidado para regressar ao Real Madrid
É a segunda vez que regresso a um clube. Já tinha regressado ao Chelsea. Saí do clube em 2008 e regressei em 2013. Quando cheguei ao Real Madrid em 2010, cheguei ao clube depois de ter conquistado a tripla. Ganhei a Champions Leage e tudo o resto com o Inter, bem como o primeiro Ballon d'Or da FIFA para treinadores. Cheguei depois de uma época em que conquistei tudo. Desta vez, não tinha ganho nada antes de me juntar ao clube. Cheguei aqui com a reputação que o clube já tinha de mim. Tendo em conta o que estavam a passar, o clube achou que eu era a solução, que era eu quem os poderia ajudar. Para mim, isso despertou o meu orgulho.
Na época passada, em Portugal, não escondi o que o Benfica significava para mim, algo que consegui esconder durante quase toda a minha carreira. Sentia-me à vontade no Benfica, gostava de lá estar e estava convencido de que estávamos a construir algo que traria resultados a curto prazo, mas o Real Madrid é o Real Madrid, e ponto final.
Sobre os adversários do Real Madrid na fase de liga
Todos conhecem o Inter e o Arsenal. O Arsenal vem a lutar pela Champions League há mais de 20 anos e, na última época, esteve a um jogo de o conseguir. Tem potencial para o fazer e vai querer dar tudo por isso. [O Inter] tem uma equipa fantástica e diria que melhora de ano para ano, porque é uma equipa que trabalha há muitos anos com treinadores que utilizam o mesmo sistema de cinco defesas. Quando um jogador sai, entra outro melhor. É óbvio que ambas as equipas vão lutar para conquistar a Champions League nesta época.
A Roma tem uma equipa verdadeiramente especial nesta época. Há equipas como o Leipzig, o PSV e o AEK [de Atenas], equipas com uma grande tradição europeia. Não quero deixar que a minha arrogância leve a melhor e dizer que nos vamos qualificar com certeza. Acho que nos vamos qualificar, mas acho que vamos sofrer e teremos de ir jogo a jogo, procurando somar pontos.
Sobre o arranque positivo no seu regresso a Madrid
Temos de ser optimistas, mas realistas, mantendo sempre a cabeça fria. Temos de ser optimistas no sentido de sabermos que virá uma fase menos boa e de sabermos que formar um grupo forte, unido e optimista é a melhor forma de superar os momentos difíceis quando estes surgirem, porque a época não é uma autoestrada — há subidas e descidas, bem como curvas ao longo do caminho, e temos de ser capazes de as superar. Começámos a nossa campanha com vitórias, temos jogado bom futebol e dado uma imagem diferente em comparação com a época passada.
Sobre viver sob constante pressão
O Real Madrid é um clube enorme e estamos cientes disso. É claro que temos um peso enorme de responsabilidade sobre os nossos ombros e que as expectativas também são enormes, mas sinto-me à vontade com isso.
[Os holofotes] continuam a incidir sobre mim em todos os jogos. A minha própria equipa técnica, os meus próprios analistas, sabem que, assim que um jogo termina e entramos num autocarro ou num avião, já têm de me entregar o material de trabalho para o próximo jogo. Nem sequer tenho o dia seguinte para dizer a mim mesmo: "Não vou pensar em futebol. Não vou pensar no próximo jogo. Tenho tempo para fazer isso." É sempre um ciclo que se repete de um jogo para o outro.
Sobre o que o mantém motivado
Tenho sempre de ganhar o próximo jogo. Acho que comecei este ciclo há mais de 20 anos – um ciclo do qual só vou sair quando o abandonar de vez, mas é um ciclo de "Quero ganhar o próximo jogo", "Qual é a competição mais importante?" Nunca tenho a resposta certa para essas perguntas, porque se amanhã tivermos um jogo da Taça de Espanha, então a Taça de Espanha torna-se a competição mais importante. Depois, a partir de amanhã, se o próximo jogo for do campeonato, então o campeonato torna-se a competição mais importante.
A minha ambição volta sempre, e não o faz de vez em quando, mas sim jogo a jogo. Se ontem ganhei, quero ganhar outra vez. Se ontem perdi, não quero perder outra vez; em vez disso, quero ganhar neste ciclo em que essa ambição volta sempre. Essa é a minha verdadeira natureza.