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Análise de Champions League: Como os semifinalistas potenciam os seus pontos fortes

Erik ten Hag e Gaizka Mendieta, observadores técnicos da UEFA, ajudam a explicar as quatro fases principais do jogo aberto segundo cada um dos semifinalistas.

Aleksandar Pavlović mantém o Bayern no controlo frente ao Real Madrid nos quartos-de-final
Aleksandar Pavlović mantém o Bayern no controlo frente ao Real Madrid nos quartos-de-final FC Bayern via Getty Images

A UEFA Champions League 2025/26 chegou às meias-finais e os jogos da primeira mão, esta semana, vão colocar frente-a-frente equipas que brilharam, por diferentes motivos, na fase anterior.

Todas as equipas a este nível de elite possuem muitas qualidades, embora na segunda mão dos quartos-de-final cada uma se tenha destacado numa área específica do jogo aberto.

Dentro dos momentos de futebol aberto de uma partida, o jogo encontra-se sempre numa das quatro fases descritas acima: organização ofensiva, transição defensiva, organização defensiva e transição ofensiva.

A seguir, a unidade de análise de jogo da UEFA explica como os semifinalistas oferecem aos treinadores um exemplo de como actuar eficazmente em cada fase.

Definir o modelo de jogo

• Organização ofensiva 

Posse de bola estabelecida contra defesa organizada do adversário.

• Transição defensiva 

Posse de bola do adversário imediatamente após a recuperação da bola e antes de retomar a organização defensiva.

• Organização defensiva 

Defesa organizada contra posse de bola estabelecida do adversário.

• Transição ofensiva 

Posse de bola imediatamente após a recuperação da bola e antes do adversário recuperar a organização defensiva.

Organização ofensiva 

Na fases a eliminar já se tinha visto a capacidade do Bayern para combinar criatividade com controlo, e isso é ilustrado mais uma vez no vídeo abaixo, retirado da segunda mão dos quartos-de-final, frente ao Real Madrid.

Análise táctica da Champions League: o ataque organizado do Bayern

"Tivemos muita posse de bola e sentimos sempre que podíamos marcar", disse o treinador Vincent Kompany, cuja equipa demonstrou certamente a sua capacidade de converter a posse de bola em oportunidades de golo. Frente ao Real Madrid, teve 21 sequências de dez passes ou mais, com cinco delas a terminarem em remates, incluindo dois que foram golo (após períodos de posse de bola de 56 e 42 segundos, respectivamente).

Sobre o ataque estruturado do Bayern, Erik ten Hag fez esta avaliação: "Tem a sua táctica e dentro dela conseguem manter a bola sob pressão e ter paciência quando têm a posse. Avançam no terreno com a ajuda de incursões nas costas da defesa e mudanças de flanco, para além de também utilizarem bem a largura, seja para ganhar superioridade numérica na ala ou no meio. Por fim, asseguram que apareçam vários jogadores na área".

O gráfico acima destaca a ameaça do Bayern nesta área do jogo aberto, pois dez dos seus 21 remates na segunda mão ocorreram na fase de organização ofensiva. Isto contrasta notavelmente com o seu adversário na meia-final, o Paris, que como mostra o gráfico foi particularmente perigoso nas transições ofensivas, algo que abordaremos mais à frente.

Transição defensiva 

"Quando os vejo recuar quando perdemos a bola, as rotinas que possuem... é simplesmente incrível". Estas foram as palavras de Mikel Arteta, treinador do Arsenal, após a segunda mão dos quartos-de-final frente ao Sporting CP, onde não sofreram golos, e são perfeitamente corroboradas pelo vídeo abaixo, que oferece um caso de estudo ao detalhe da segunda fase, ou seja, a transição defensiva.

Análise táctica da Champions League: as transições defensivas do Arsenal

O segundo vídeo oferece um excelente exemplo do trabalho do Arsenal nas transições defensivas, mostrando a velocidade dos jogadores de Arteta nos seus sprints de retorno. A esse respeito, de referir que para cinco dos jogadores essa foi a sua velocidade máxima em todo o jogo. "O que impressiona são as reacções rápidas do Arsenal no momento em que perde a bola, com as corridas de recuperação de quase toda a equipa", disse Ten Hag. "A forma como recuperam é excelente".

Os dados abaixo realçam a força do Arsenal nesta área, já que fizeram com que o Sporting CP tivesse apenas um remate à baliza nesta fase, que ocorreu após uma recuperação de bola na defesa dos Gunners. Isto significa que não permitiram nenhum remate à baliza após perdas de bola no meio-campo do Sporting CP.

Organização defensiva

Se a forte reacção do Arsenal aos contra-ataques é comprovada pelos dados acima, o mesmo se pode dizer da excelente organização defensiva do Atleti, seu rival na meia-final.

Contra o Barcelona, teve um índice xG (golos previstos) total de 2,22, mas a maior parte nesta métrica ocorreu em situações de transição. Durante a derrota por 2-1 na segunda mão, o Atleti enfrentou 26 sequências de posse de bola do Barcelona com dez ou mais passes e, destas, permitiu apenas dois remates. O vídeo abaixo mostra o Atleti nesta fase do jogo e podemos ver o quão à vontade se sentem a defender durante uma longa sequência de 19 passes, exibindo uma organização formidável, bem como paciência num bloco defensivo.

Análise táctica da Champions League: a organização defensiva do Atleti

Como conseguem? Segundo o técnico Diego Simeone é preciso "muito trabalho, empenho e garra", enquanto o veterano Antoine Griezmann afirmou que se trata de "trabalhar em conjunto".

Gaizka Mendieta, destacou outros pormenores importantes: "Não arriscam muito e posicionam os jogadores atrás da linha da bola. Fecham o meio-campo e obrigam os adversários a jogar pelas alas, e quando tentam entrar pelo meio, o Atleti tem lá jogadores.

"Não pressionam para recuperar a bola, mas para forçar um erro e fazer o adversário recuar. Quando defendem recuados, têm uma linha de cinco ou, por vezes, seis jogadores".

Transição ofensiva

Os contra-ataques precisos do Paris voltaram a ser tema de conversa após a vitória da equipa de Luis Enrique sobre o Liverpool na segunda mão dos quartos-de-final, e o vídeo abaixo reforça o porquê.

Análise táctica da Champions League: as transições ofensivas do Paris

Um pormenor crucial é a disponibilidade da equipa para arriscar, deixando jogadores avançados em alguns quando está em momento defensivo. Segundo o treinador Luis Enrique, em declarações após o jogo, é um risco que vale a pena correr, pois "significa que a qualquer momento podemos ter um contra-ataque e sentenciar o jogo".

Em Anfield, os resultados foram evidentes. O gráfico anterior sobre Bayern e Paris mostrava que a equipa francesa marcou os dois golos nesse jogo graças a transições ofensivas. E não foi só frente ao Liverpool, já que nove dos seus 17 golos na fase a eliminar surgiram de transições ofensivas, contra apenas cinco de ataques organizados.

Analisando os vídeos acima, Mendieta disse o seguinte sobre a eficácia da equipa em lances de contra-ataque: "No primeiro vídeo, Ousmane Dembélé recua e isso deixa espaço nas costas da defesa para os jogadores mais rápidos, extremos ou laterais, explorarem quando se juntarem ao ataque".

"Como vemos no segundo vídeo, estão sempre a tentar efectuar o primeiro passe para a linha ofensiva. São muito inteligentes a criar espaço à sua frente para depois o atacar em situações de um-contra-um, aspecto para o qual têm jogadores muito capacitados. Assumem alguns riscos, são muito confiantes e rápidos, e assim que a equipa recupera a bola o trio de ataque ganha vida.

Reflexão de treino – manter a mensagem simples

Porque é importante para um treinador saber o que pretende de cada fase do modelo de jogo? De acordo com Erik ten Hag, a resposta é que isto ajuda a ter clareza sobre "onde estão as oportunidades para causar dano ao adversário e quais as ameaças que precisam de ser neutralizadas".

Também proporciona uma visão clara para os jogadores. "Este conceito fornece uma estrutura com princípios e regras para que os jogadores saibam qual é o seu papel, apoiando a cooperação entre eles dentro de cada unidade e entre elas", explicou Ten Hag, que enumera abaixo os vários objectivos de cada fase na perspectiva do treinador.

Organização ofensiva 

"Controlo da bola, ter padrões dinâmicos e ameaça ofensiva; dar descanso à defesa".

• Transição defensiva 

"Reacções rápidas de todos os jogadores; pressionar e/ou recuar em conjunto".

Organização defensiva 

"Bloco alto/médio/baixo; boas distâncias entre colegas/em relação à bola/em relação aos adversários; momentos específicos para accionar a pressão/recuperação".

• Transição ofensiva

"Atacar a baliza ou manter a posse da bola".

Uma estrutura é crucial para que as equipas organizem a sua abordagem, mas, para além disso, devemos considerar a necessidade de flexibilidade.

Aprofundando este ponto, Gaizka Mendieta explicou: "É muito importante perceber o que queres em cada fase, em qualquer parte do campo e em qualquer posição. É importante que os teus jogadores saibam o que queres e como pretendes alcançá-lo e o modelo deve ser claro, com apenas dois ou três detalhes. Os jogadores não precisam de muita informação.

"Os treinadores adoram ter jogadores inteligentes e que pensam em campo. Podemos dizer-lhes como achamos que o jogo se vai desenrolar, mas depois nem sempre as coisas correm totalmente como estávamos à espera e é nessas altura que são precisos jogadores que saibam reagir consoante o que o jogo pede. As instruções são um plano de jogo mas depois dentro dele há diferentes alternativas para diferentes situações.

"Com o plano de jogo temos em consideração coisas que podem vir a acontecer, mas após o jogo começar, as coisas mudam e é preciso capacidade de adaptação. Por isso é importante ter jogadores realmente bons não só tecnicamente, fisicamente e mentalmente, mas também em termos de compreensão e leitura do jogo e daquilo que é necessário a cada momento".