Oficial da Champions League Resultados em directo e Fantasy
Obtenha
O UEFA.com funciona melhor noutros browsers
Para a melhor experiência possível recomendamos a utilização do Chrome, Firefox ou Microsoft Edge.

Champions League Performance Insights: Paris encontra o caminho para a vitória

O observador técnico da UEFA, Ange Postecoglou, explica como o Paris Saint-Germain se adaptou às circunstâncias desafiantes para triunfar no jogo decisivo dos quartos-de-final contra o Liverpool.

Os jogadores do Paris festejam a vitória em Anfield
Os jogadores do Paris festejam a vitória em Anfield UEFA via Getty Images

Para os jogadores do Paris Saint-Germain, houve momentos durante a visita a Anfield, na terça-feira, para a UEFA Champions League, em que podem ter tido a sensação de estarem a atravessar uma tempestade.

Efectivamente, tal como na vitória sobre os Reds nos oitavos-de-final da época passada, os jogadores de Luis Enrique tiveram de demonstrar a sua capacidade defensiva para resistir aos períodos de forte pressão do Liverpool.

Se a partida foi decidida, em última análise, pela precisão nos golos de Ousmane Dembélé, para a unidade de análise de jogos da UEFA, houve outros aspectos que mereciam ser explorados: não só a já referida excelência defensiva do Paris Saint-Germain, mas também a intensidade e a inteligência por detrás da pressão do Liverpool e como os visitantes se ajustaram com uma abordagem mais directa à posse de bola.

A pressão do Liverpool

"A intensidade com que jogámos hoje foi incrível", disse o treinador do Liverpool, Arne Slot. Aproveitando a energia do estádio, o Liverpool tinha o plano de jogo para pressionar alto e o vídeo abaixo oferece dois exemplos de como o fez.

Análise da Champions League: Liverpool bem sucedido na pressão

O observador técnico da UEFA, Ange Postecoglou, observou que o Liverpool, embora a jogar em zona, pressionava homem a homem no ataque. O Paris Saint-Germain costuma controlar o jogo e causar problemas aos adversários com as suas rotações, mas o Liverpool encontrou uma solução eficaz.

Postecoglou explicou: "A abordagem do Liverpool foi a seguinte: 'Vamos manter a nossa formação, mas, dentro dessa formação, partiremos para a marcação individual assim que a pressão for iniciada.'" Como mostram os vídeos, o Liverpool adoptou um bloco compacto e pressionou a partir daí – com o gatilho para a pressão a surgir quando a bola era jogada para trás e os pontos de referência eram adequados.

"O ponto crucial é que, por vezes, quando as pessoas se referem à marcação individual, dizem: 'Cada um deles tem um jogador específico para marcar', mas a vertente zonal significava que não havia um jogador específico que o Liverpool marcasse. Havia um jogador específico na zona de cada um para marcar." O segundo vídeo acima ilustra a variedade no posicionamento e na movimentação dos mesmos.

De um modo geral, o Liverpool demonstrou um físico e uma agressividade impressionantes, e o médio Dominik Szoboszlai liderou a equipa com 11 recuperações de bola, mais do que qualquer outro jogador em campo esta semana na prova.

Paris aposta num estilo mais directo

Ao analisar estes lances, Postecoglou resumiu: "Ryan Gravenberch e Szoboszlai fizeram um grande trabalho a fechar o espaço no meio-campo. Impediram o PSG de jogar naquela zona central onde tanto gosta de actuar."

Paris tentou responder batendo em alguns momentos a bola por cima dessa linha de pressão, como podemos ver no segundo vídeo.

Análise da Champions League: Paris avança contornando a pressão

“A forma como tentaram ultrapassar a pressão foi com um futebol um pouco mais directo”, acrescentou Postecoglou. “A abordagem do Liverpool realmente dificultou as coisas para o Paris Saint-Germain e, se tivessem persistido em tentar jogar como normalmente fazem, poderiam não ter conseguido.”

Esta abordagem tornou-se mais evidente no segundo tempo. O mapa abaixo, que mostra os passes do guarda-redes Matvei Safonov, ilustra este ponto, demonstrando um aumento significativo da distância média dos seus passes na segunda parte. Antes do intervalo, seis dos seus 11 passes (54,5%) foram recebidos dentro do terço defensivo do Paris Saint-Germain; após o intervalo, nenhum deles foi recebido dentro do terço defensivo.

Aprofundando os benefícios desse facto, Postecoglou referiu: "Eles conseguiram contornar a pressão, o que impediu o Liverpool de recuperar a bola no campo de ataque. Isso teve um efeito duplo para o Paris, que neutralizou a ameaça ofensiva do Liverpool, uma vez que estes deixaram de conseguir recuperar a bola no campo de ataque, e passou a surgir mais vezes no terço final do campo do Liverpool, como desejava".

Na ronda anterior, Postecoglou tinha observado como o treinador do Manchester City, Pep Guardiola, fez ajustes significativos durante o jogo contra o Real Madrid, e desta feita viu Luis Enrique e os seus jogadores a adaptarem-se às circunstâncias, mantendo um claro sentido de identidade.

“Sim, existe metodologia, filosofia, mas também é fundamental gerir bem o jogo”, disse Postecoglou. “Senti que Luis Enrique pensou: ‘OK, vamos ter de ser mais directos por vezes. Vamos ter de defender com muita força por vezes e também tirar um pouco da energia do estádio, sem deixar de ter a qualidade que temos para ferir o adversário.’”

Paris recua para superar obstáculo

A referência feita acima à defesa leva-nos ao terceiro aspecto que chamou a atenção desta análise ao jogo. Houve ecos da época passada, quando o Paris Saint-Germain foi elogiado pela sua magistral aula de como defender em Anfield, realizando uma excelente exibição defensiva para frustrar o Liverpool.

Análise da Champions League: resiliência defensiva do Paris

“Para ganhar partidas como esta é preciso defender com muita intensidade”, disse Luis Enrique. “Hoje mostramos a todos que estamos prontos para jogar quando temos a bola, mas também quando não a temos bola.” O capitão Marquinhos teve um papel crucial, sobretudo com o espetacular corte que impediu um golo de Virgil van Dijk na primeira parte – como mostra o primeiro vídeo acima.

"Se tivéssemos marcado o primeiro golo, para o qual tivemos várias oportunidades, e com Anfield já a vibrar como estava com o resultado 0-0, o que teria acontecido se tivéssemos feito o 1-0?", questionou Slot depois da partida. Mas, devido à espetacular exibição defensiva de Marquinhos, esta questão manteve-se puramente hipotética. E não foi só o brasileiro, claro. Como se vê abaixo, todos os defesas do Paris Saint-Germain foram obrigados a muito trabalho – e deram conta do recado.

Reflexão sobre treinadores – Aceitar o pragmatismo

Segundo Ange Postecoglou, as experiências anteriores de Luis Enrique em Anfield prepararam-no para responder ao desafio – e a forma como ajustou a abordagem da sua equipa levanta um ponto interessante sobre a preparação para lidar com a adversidade.

"Um ponto fundamental é compreender que, em vez de se ter uma ideia pré-determinada de como as coisas podem acontecer, é preciso compreender o jogo no momento e a tarefa à sua frente", disse Postecoglou. "Para os treinadores, a experiência ensina precisamente isso".

"A realidade é que, seja por pragmatismo ou simplesmente por perceber qual é o verdadeiro desafio no dia, o mais importante é ter sucesso – principalmente num jogo a eliminar da Champions League, porque a diferença entre as equipas é muito pequena."

"Não se pode abandonar os fundamentos e, se analisarmos a abordagem de Luis Enrique, ainda havia os elementos de sempre – as rotações, a tentativa de envolver os jogadores-chave no jogo, a capacidade de abrir defesas da maneira como habitualmente fazem com o seu futebol – mas também houve o reconhecimento de que existia um desafio diferente a ser superado..

"Há uma diferença nos jogos de fases a eliminar de provas europeias e a abordagem que se adopta, reconhecendo que em certos momentos não se trata de abandonar a filosofia, mas sim de reconhecer o desafio que se apresenta e fazer o que for necessário."