Champions League: José Mourinho sobre o Benfica, o regresso ao Chelsea e a sua evolução como treinador
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
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"O que sou hoje é o que sou hoje, e não o que fiz no passado", diz José Mourinho à UEFA, numa altura em que o novo treinador do Benfica se prepara para defrontar o Chelsea, seu antigo clube, na Jornada 2 da da UEFA Champions League.
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José Mourinho ganhou fama no futebol europeu ao conquistar a Taça UEFA de 2002/03 pelo Porto e, na época seguinte, a UEFA Champions League pelo mesmo clube. Desde então, conquistou títulos da liga com o Chelsea, o Inter e o Real Madrid, além de uma segunda Champions League com os Nerazzurri. Mais recentemente, o treinador português venceu a UEFA Europa League com o Manchester United e completou a conquista dos principais troféus de clubes da UEFA ao levar a Roma à glória na UEFA Conference League.
Agora está de volta ao Benfica, clube onde, durante alguns meses em 2000, assumiu o seu primeiro cargo como treinador sénior. O técnico de 62 anos conta à UEFA como mudou (e como permaneceu o mesmo) nos últimos 25 anos.
Voltar à Champions League com o Benfica
Estes anos em que não joguei na Champions League não foram maus, porque joguei as finais da Europa League e da Conference League. Obviamente, a Champions League é a maior competição, a competição com os clubes mais importantes da Europa e, para mim, obviamente significa muito, porque se ganhar uma é um sonho para todos, ganhar duas é ainda melhor.
Tive a sorte, na minha carreira, de treinar muitos gigantes: Real Madrid, Inter, Manchester United, Chelsea. O Benfica é um gigante. E, nesse sentido, um clube gigante implica responsabilidades gigantes, expectativas gigantes – tudo é gigante. Mas é o tipo de desafio de que preciso.
Defrontar o Chelsea na Jornada 2
Quando deixei o Porto, o meu primeiro jogo europeu como treinador do Chelsea foi contra o Porto; enquanto treinador do Inter, joguei inúmeras vezes contra o Barcelona [onde tinha sido treinador adjunto]. Como treinador do Fenerbahçe, joguei contra o Manchester United, joguei contra o Benfica.
[Stamford Bridge é] um estádio onde ganhei três Premier Leagues; fiz história com o Chelsea. O Chelsea faz parte da minha história, eu faço parte da história do Chelsea. Mas assim é o futebol. Eles querem ganhar, eu quero ganhar. Vou perceber onde estou antes do jogo, vou perceber onde estou depois do jogo; durante o jogo, acho que tenho a capacidade de esquecer e apenas competir.
Manter a ambição
Se um dia eu sentir menos alegria ao acordar de manhã cedo para ir trabalhar; se um dia eu sentir menos alegria por ganhar um jogo; se um dia eu sentir menos tristeza por perder um jogo; se algo mudar, então isso será como um sinal vermelho aceso.
Lembro-me de um jogo da Champions League, o Manchester United contra o Real Madrid, em que eu estava no Real Madrid e Sir Alex [Ferguson] estava no Manchester United. Estive no escritório dele antes do jogo e perguntei-lhe: "Sir Alex, isto alguma vez muda – em termos da tensão e da adrenalina que sentimos antes de um jogo tão importante?" Ele respondeu: "Não, nunca muda. É sempre igual até ao fim." Mais de dez anos se passaram [desde então] e os meus sentimentos não mudaram.
Desenvolvimento como treinador
Hoje soumelhor do que antes. Acho que um treinador fica melhor depois de passar por muitas experiências. A principal diferença que reconheço em mim mesmo é o facto de que, talvez no início, eu fosse mais egocêntrico, e mudei de uma forma que, não sei... Sinto que estou mais altruísta. Sinto que estou no futebol para ajudar os outros, e não para me ajudar a mim mesmo. Estou aqui para ajudar os meus jogadores, mais do que para pensar no que vai acontecer na minha vida. Penso mais no clube, penso mais na alegria dos adeptos, mais do que em mim.
A sua reputação
Nunca me considerei um génio. Como provocador, talvez um pouco, mas nunca como o diabo. Como génio? Nunca. Claro que sempre senti que tinha habilidades naturais que desenvolvi para ser um bom gestor, tal como fazem muitos grandes jogadores.
Há jogos na minha carreira em que senti que ganhei; que foi por minha causa, porque há momentos, decisões e estratégias antes ou durante o jogo que mudam tudo. Isso faz-nos sentir que "ganhei [o jogo]". Mas nunca me considerei um génio. Sempre me senti parte da equipa, e que os jogadores são mais importantes do que eu, que eu estava lá para ajudá-los.
Os troféus conquistados
Tenho uma sala na minha casa onde guardo algumas réplicas, algumas medalhas e algumas camisolas, e é um museu – e, como sempre digo, um museu é história, é história intocável, mas não faz parte da minha vida quotidiana, não faz parte do meu presente, não faz parte do meu futuro. O que sou hoje é o que sou hoje, e não o que fiz no passado. Sou julgado pelo que faço hoje.
Não tenho muito tempo para reflectir e nem quero ter. Não tenho tempo nem faz parte da minha mentalidade. Digo sempre que podem tirar-me tudo, mas a história que criei, ninguém ma pode tirar. No entanto, quando se está a trabalhar, quando se tem ambições, o que foi feito antes não conta.