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Análise de desempenho da Champions League: pressão e mobilidade do Paris inspira vitória épica na final

A unidade de análise da UEFA e o Grupo de Observadores Técnicos destacam como a pressão incansável e a rotação inteligente inspiraram a vitória do Paris Saint-Germain na final da Champions League.

Ousmane Dembélé foi o rei da pressão do Paris na final da Champions League
Ousmane Dembélé foi o rei da pressão do Paris na final da Champions League Getty Images

"Pressionámos o tempo todo, criámos oportunidades desde o início e dominámos a posse de bola." As palavras de Luis Enrique vieram de um treinador que acabara de ver a sua equipa dominar uma final da Champions League, alcançando uma vantagem recorde de cinco golos no processo.

As palavras dão uma ideia de como o Paris conquistou a sua impressionante vitória no sábado, esmagando o Inter com a sua energia e intensidade. Para realçar ainda mais a sua actuação, a unidade de análise da UEFA – em conjunto com os membros do Grupo de Observadores Técnicos da UEFA presentes na final – centrou-se em dois aspectos em particular: a pressão já referida, bem como a fluidez de jogo.

"Vimos um grupo de jogadores a trabalhar em equipa, a perceber o jogo e a trocar de posições", explicou Rafa Benítez. "Foram dinâmicos, revezando-se com muita qualidade – recebem a bola, enfrentam os defesas e aproveitam muito bem os espaços."

A importância da pressão

Para começar relativamente à pressão, Luis Enrique referiu após a partida: "A forma como Ousmane Dembélé defendeu nesta final é a forma como se lidera uma equipa."

O avançado do Paris fez um trabalho excepcional a liderar a pressão, como reflectido no gráfico acima, que o mostra classificado em primeiro lugar entre os jogadores do Paris em acções de pressão no terço final com 14 - mais quatro do que o segundo, Khvicha Kvaratskhelia.

Análise de desempenho da final da Champions League: a pressão do Paris

Segundo Avram Grant, este esforço colectivo para pressionar com tamanha intensidade enviou uma mensagem importante: "se não trabalhares como equipa, não ganharás títulos". Dembélé deu o mote na fase ofensiva, com os seus companheiros de equipa a seguirem rapidamente, como mostra o primeiro clip do vídeo acima, em que o avançado finalmente bloqueia Yann Sommer, forçando o guarda-redes a um passe longo que vai para Nuno Mendes. "Tivemos dificuldades em construir", disse o guarda-redes do Inter, "mas temos de dizer que eles [fizeram] uma boa pressão".

No segundo clipe, vê-se Dembélé a bloquear Alessandro Bastoni e, de seguida, Francesco Acerbi, um de cada vez, e vemos toda a equipa do Paris a avançar alto para o meio-campo do Inter. "Quando Dembélé vai até ao guarda-redes, a equipa como um todo está sempre a abrir espaço atrás dele também, e isso ajudou-os a manter o jogo compacto", disse Michael O'Neill.

No gráfico acima, vemos a elevada intensidade de cada jogador do Paris, e novamente Dembélé a liderar, tendo corrido quase mais de meio quilómetro (532m). O papel do lateral-direito Achraf Hakimi, bem subido no terreno – tanto por dentro como por fora – reflecte-se no facto de ocupar o segundo lugar da lista, com 474m percorridos.

Voltando a Dembélé, Luis Enrique defendeu que o atleta "correu por três jogadores", enquanto, entre os Observadores Técnicos da UEFA, Roy Hodgson destacou a velocidade envolvida: "Os avançados fazem isso, mas fazê-lo a essa velocidade e depois voltar é muito impressionante." Isto é reforçado pelo gráfico abaixo, que mostra que terminou o jogo com o maior número de sprints (39) entre todos os jogadores do Paris. Mais uma vez, Hakimi está em alta na classificação – em igualdade com Kvaratskhelia (32).

Mentalidade incansável do Paris

A mentalidade da equipa parisiense também se destacou na noite de sábado. Um grupo de jogadores espelhava a intensidade do seu treinador, como demonstra o segundo vídeo abaixo, que apresenta uma passagem da jogada em que perdem a bola várias vezes, mas reagem bem em cada momento – com uma recuperação de João Neves, um duelo ganho por Willian Pacho e mais uma pressão rápida de Dembélé.

Análise de desempenho na final da Champions League: fazer o básico

O treinador do Inter, Simone Inzaghi, observou que o Paris ganhava grande parte das segundas bolas e, resumindo a mentalidade da equipa, Rui Faria descreveu o campeão como "humilde sem bola e arrogante com a mesma". Elaborou: "Nas transições, são fortes quando perdem a bola, recuperando-a bem. Estão todos prontos para defender."

Rotação, rotação, rotação,

O outro tema marcante da prestação do Paris foi a sua fluidez de jogo – aquela rotação constante de posições que causou problemas aos seus adversários ao longo da temporada.

In The Zone: movimentações do Paris
Análise de desempenho na Champions League: a constante rotação do Paris

O primeiro clip acima começa com um exemplo da movimentação dos avançados e médios do Paris durante a pressão, antes de vermos o Paris construir a jogada com Vitinha a recuar para se juntar aos defesas e criar um 3 para 2 face aos avançados do Inter. Vemos também aqui uma ilustração da observação de Sir Gareth Southgate sobre a sua capacidade de "explorar o espaço ao lado do trio do meio-campo".

O segundo clipe é notável por vários pormenores, começando pela forma como Vitinha, por vezes como médio-defensivo, avança como médio-ofensivo – outro exemplo da mobilidade da sua equipa. "Embora o Vitinha seja normalmente o mais recuado, não joga apenas como seis", disse Southgate. "Todos os médios podem conseguem receber a bola sob pressão e rodar".

Vitinha foi bastante dinâmico na final da Champions League frente ao Inter
Vitinha foi bastante dinâmico na final da Champions League frente ao InterUEFA via Getty Images

É também significativo como Dembélé baixa no terreno, conectando-se com Vitinha na tabela que dá ao português a oportunidade de criar perigo no território do Inter. Dembélé teve um papel semelhante na vitória dos oitavos-de-final frente ao Liverpool e Rui Faria viu uma relutância, principalmente no primeiro período, por parte dos defesas do Inter em seguir Dembélé – um factor para o Paris conseguir uma superioridade numérica no meio-campo.

"Os médios do Inter precisaram de lidar com os três médios do Paris-Saint-Germain e depois Dembélé a vir em profundidade e um dos laterais a subir também", disse Grant, enquanto Frank de Boer os observou a sobrecarregar áreas específicas – "via-se-os de um lado com todos os médios e Nuno Mendes ou Hakimi" – e isso é certamente evidente no clipe um acima.