Um olhar sobre os jogos da Champions League: Barcelona e Porto com abordagens diferentes
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
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A unidade de análise da UEFA olha mais de perto para a vitória do Barcelona sobre o Porto, na Jornada 5.
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Barcelona e Porto optaram por caminhos bem distintos nas zonas de ataque no jogo desta semana do Grupo H da UEFA Champions League – os anfitriões apostaram muito nas alas, enquanto os visitantes procuraram caminhos mais centrais.
Este artigo da unidade de análise da UEFA esclarece a progressão de cada equipa até ao terço ofensivo. Começa por analisar o Barcelona, com o vídeo abaixo a ilustrar um aspecto bem notório da sua abordagem.
No vídeo, vemos os campeões espanhóis a procurarem avançar com a bola pela direita antes de virarem para o outro lado do campo com um passe cruzado de Frenkie de Jong para João Cancelo, lateral que teve uma noite muito produtiva na esquerda, marcando um golo e fazendo a assistência para o outro.
Estas variações de jogo foram uma constante numa noite em que o Barcelona concentrou os seus esforços ofensivos quase exclusivamente nos flancos.
Chegadas ao último terço: Tipo de progressão
Este primeiro gráfico de barras acima enfatiza como o Barcelona procurou espaços mais largos para fugir ao formato defensivo do Porto de força a chegar ao último terço.
O gráfico mostra as chegadas do terço final por parte de ambas as equipas e, no caso do Barcelona, 41% delas foram pelas alas. O Porto, pelo contrário, seguiu um caminho diferente, com quase metade das suas chegadas ao último terço (15 de 33 – ou 45%) a resultarem de passes vindos de trás.
Chegadas ao último terço: tipo de acções
É interessante observar também o tipo de acções que levaram a bola até ao último terço. Se os passes de penetração foram a acção principal de ambos os clubes, este segundo gráfico mostra que o Barcelona também teve sucesso com acções individuais (22%) e nas bolas longas (20%). A abordagem do Porto deu maior ênfase às bolas em profundidade (15% contra 5% do Barcelona).
Voltando a olhar para a utilização de bolas longas, o Barcelona lançou oito para o último terço de ataque e um dos principais alvos – identificado pelo observador do jogo da UEFA no estádio – foi João Cancelo, com a equipa de Xavi Hernández a pensar regularmente neçe quando variava o flanco com passes cruzados.
A linha de acção do Barcelona
Esta visualização 3D acima mostra o campo dividido em cinco partes, oferecendo uma análise das áreas onde o Barcelona teve sucesso ao avançar com a bola no terço ofensivo contra o Porto.
Podemos ver que Raphinha na direita foi preponderante no capítulo ofensivo, sendo a sua linha na extrema direita o foco de 41% das progressões do Barcelona. A ala esquerda, onde atuava João Cancelo, foi também responsável por boa parte das progressões – 22%.
O vídeo acima é do golo de empate de João Cancelo e reforça o argumento dessa aposta nas alas, mostrando o lateral português a entrar pelo seu flanco para receber a bola antes de entrar na área e marcar.
Este foi um jogo em que o internacional português conduziu a bola de forma notável – efectivamente, com um total de seis acções de 1 para 1 com bola, ele ficou em terceiro lugar nessa categoria entre todos os jogadores que estiveram em campo na Jornada 5.
A linha de acção do Porto
Uma das principais diferenças entre as respectivas estratégias das equipas na terça-feira foi que, enquanto o Barcelona produziu apenas 5% das suas progressões pela zona central do campo, o Porto foi aí muito mais activo - o gráfico acima mostra que 21% das suas investidas foram feitas pelo meio.
Com efeito, entre elas, as linhas 3 e 4 foram o foco de quase metade (48%) do trabalho ofensivo dos visitantes nas investidas com bola no ataque.
Posição dos passes no último terço
Para acrescentar outra componente, este gráfico mostra como os alas do Barcelona desempenharam um papel significativo em termos de passes para o terço final (38%), em comparação com apenas 7% do Porto. No caso dos homens de Sérgio Conceição, 61% dos passes bem-sucedidos para o último terço foram de jogadores centrais; em comparação, os médios do Barcelona registaram uma quota de 22%.
Os analistas da UEFA destacaram a importância da ligação entre os extremos e os laterais no Barcelona. Os extremos receberam a bola do lateral dez vezes no terço final, correspondendo a quase um terço (31%) de todas as investidas.
Com o ênfase colocado nas áreas mais amplas, não é de estranhar que os extremos do Barcelona tenham sido os destinatários de mais de metade dos passes da equipa para o último terço (56%). No Porto, a maior parte dos passes foram para os pés de um avançado (57%).
Por fim, as capacidades de drible dos alas do Barcelona – tanto laterais como extremos – reflectem-se na estatística das investidas individuais no terço ofensivo no jogo de terça-feira. De um total de nove, os laterais (quatro) e os extremos (quatro) somaram oito.
Em suma, uma noite muito positiva para os pupilos de Xavi que jogaram pelos flancos.