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In the Zone: Análise ao Liverpool 2-0 Villarreal

O painel de Observadores Técnicos da UEFA analisa a vitória do Liverpool sobre o Villarreal na primeira mão das meias-finais.

In the Zone: As mudanças de flanco do Liverpool

O Liverpool ficou mais perto de chegar à terceira final da UEFA Champions League sob o comando técnico de Jürgen Klopp com a vitória na primeira mão das meias-finais sobre o Villarreal na noite de quarta-feira.

Neste artigo, levado até si pela Fedex, o painel de Observadores Técnicos da UEFA destaca as suas mudanças no seu jogo, além de elogiar o trabalho do maestro do meio-campo, Thiago Alcántara.

Como foi: Liverpool 2-0 Villarreal

Golos

Resumo: Liverpool 2-0 Villarreal

1-0: Pervis Estupiñán own goal (53)
Este golo destaca duas características do jogo do Liverpool: a maneira como faz circular a bola rapidamente pelo campo e a movimentação de muitos dos seus jogadores. Jordan Henderson foi um dos homens de vermelho que alternou regularmente a sua posição para tentar baralhar a sólida estrutura defensiva do Villarreal e conseguiu-o no primeiro golo do jogo. Mohamed Salah lançou a corrida do capitão pela direita e, na tentativa de interceptar a bola, o cruzamento deste desviou em Estupiñán e acabou por entrar na baliza, apesar do esforço em vão de Gerónimo Rulli.

2-0: Sadio Mané (55)
O 20º golo de Mané esta época em todas as competições foi corolário do bom trabalho de Salah ao fazer a primeira assistência nesta campanha europeia. Recebendo um passe de Trent Alexander-Arnold de costas para a baliza, o egípcio virou-se antes de avançar para a área e passar a bola na altura certa para Mané finalizar.

Melhor em Campo: Thiago Alcántara

O painel de Observadores Técnicos da UEFA classificou assim o desempenho do médio espanhol: "Mostrou visão de jogo e precisão no passe. Com bola soube sempre fugir à pressão adversária e quando foi preciso também fez alguns cortes importantes. Durante 90 minutos, o relvado foi o seu recreio."

Tácticas das equipas

Liverpool
O Liverpool apresentou-se na sua estrutura habitual de 4-3-3. Na prática, trata-se de uma formação muito fluida em que apenas alguns jogadores se mantêm próximos da sua posição – nomeadamente os defesas-centrais Virgil van Dijk (4) e Ibrahima Konaté (5), o médio-defensivo Fabinho (3) e Salah (11) na direita do ataque.

Por outro lado, os outros jogadores de campo têm licença para se movimentarem livremente e muitas vezes são vistos "fora de posição". No caso de Henderson (14), jogou por vezes como número 10 na noite de quarta-feira – o mesmo acontecendo com Alexander-Arnold (66).

Villarreal
Os visitantes jogaram num 4-4-2 compacto, com os quatro defesas bem protegidos pelos médios-defensivos Daniel Parejo (5) e Etienne Capoue (6) numa parceria rígida no centro do terreno e este posicionamento disciplinado obrigou o Liverpool a jogar longe da área.

No jogo fora com o do Bayern, na eliminatória anterior, foi perceptível ver como Giovani Lo Celso recuou para apoiar o lateral-direito Juan Foyth e em Anfield ficou claro novamente o entendimento entre os jogadores e o observador do jogo citou como Francis Coquelin (19) recuava para ajudar quando Estupiñan (12) deixou a sua posição de lateral-esquerdo.

Destaques

O painel de Observadores Técnicos da UEFA destacou a utilização de passes cruzados por parte do Liverpool para tentar explorar a formação coesa defensiva dos visitantes, montados em dois blocos de quatro numa estrutura de 4-4-2. O vídeo acima oferece vários exemplos disso, a começar por uma tentativa de Alexander-Arnold de mudar o jogo da direita para a esquerda aos 19 minutos.

Poucos minutos depois, o Liverpool fez o movimento da bola no sentido inverso (segundo vídeo): com os dez jogadores de campo do Villarreal num bloco compacto no terço defensivo, Luis Díaz olha para Alexander-Arnold, que está livre numa posição avançada na direita e por isso capaz de receber o lançamento cruzado. No terceiro vídeo, é a vez de Andrew Robertson fazer a bola cruzar o campo para Salah.

No geral, Alexander Arnold foi sempre uma ameaça constante com os seus passes longos e, aproveitando a liberdade na direita, conseguiu assumir posições avançadas como se pode ver no segundo vídeo. Conforme mencionado acima, não foi o único jogador com liberdade posicional e Henderson esteve sempre em constante movimento.

Melhor em Campo: Thiago Alcántara, resumo e reacções

Ter um jogador com a habilidade de Thiago a controlar o ritmo de jogo ajudou o Liverpool. O seu passe não era apenas preciso, mas expansivo – seja dando bolas curtas, fazendo intercepções entre as linhas ou fazendo passes longos e rasteiros. Thiago teve o maior número de toques de qualquer jogador na primeira mão desta semana (118, tal como Alexander-Arnold) e tentou 103 passes com uma taxa de sucesso de 96,1%. Também terminou a semana em primeiro lugar no que toca a recuperações – 11, as mesmas efectuadas por Robertson e Konaté. O observador do jogo da UEFA referiu que "a sua leitura do jogo esteve um nível acima de qualquer outro jogador".

Para o Villareal, foi uma noite difícil. Quando tentou jogar desde trás na primeira parte, perdia rapidamente a posse de bola diante da pressão alta exercida pelo Liverpool.

Foi desafiador para os visitantes quando conseguiu chegar mais à frente, com Konaté, por exemplo, a ganhar todas as quatro bolas enviadas para a sua posição no campo por Rulli. Pau Torres, defesa-central do Villarreal, disse que "queria usar o futebol directo e vertical para aliviar a pressão", mas "não conseguiu ligar-se aos jogadores da frente". A ausência do avançado Gerard Moreno também não ajudou; o treinador Unai Emery admitiu que sentiu a falta da capacidade dele de para segurar a bola no ataque e espera tê-lo de volta para a segunda mão.

Houve uma ocasião em que o Villarreal explorou a linha subida do Liverpool, na marcação de uma falta que Parejo, a meio do meio-campo, colocou nas costas da defesa da equipa da para Lo Celso na etapa inicial. No entanto, o remate saiu por cima.

Avaliação dos treinadores

Jürgen Klopp, treinador do Liverpool: "O que mais gosto no Villarreal é que mesmo quando eles estão sob pressão, quando há um momento em que eles podem sair da pressão, passam a ser imediatamente uma ameaça. Passes rápidos no centro do campo e, obviamente, tivemos de colocar muitos jogadores nas alas para tentar ganhar a bola.

"Quando falámos ao intervalo disse que parecíamos frescos fisicamente. É intenso para nós jogar da maneira que jogamos, mas também é intenso para o adversário defender dessa forma."

Unai Emery, treinador do Villarreal: "Queríamos ganhar, queríamos assumir o controlo, mas eles não nos deixaram. Não podíamos correr atrás deles... Resistimos defensivamente o máximo que pudemos para ter opções no segundo jogo.

"O Gerard [Moreno] é um jogador que nos dá certo tipo de coisas em campo, é capaz de segurar a bola na frente e dá-nos um pouco mais presença na área. Tínhamos um plano, mas não deu certo. Poderia ter sido pior porque houve alguns golos anulados. Mas sabemos que em casa pode ser diferente – ainda acreditamos."