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In the Zone: Análise ao Chelsea 1-3 Real Madrid

O painel de Observadores Técnicos da UEFA analisa como um Real Madrid inspirado por Karim Benzema venceu por 3-1 no terreno do Chelsea.

In the Zone: A influência de Valverde

Karim Benzema preencheu, merecidamente, as primeiras páginas dos jornais com o seu "hat-trick" na vitória por 3-1 do Real Madrid em casa do campeão europeu Chelsea na primeira mão dos quartos-de-final.

Neste artigo, levado até si pela FedEx, o painel de Observadores Técnicos da UEFA destaca também, contudo, outros aspectos, como o excelente trabalho do meio-campo do Real Madrid em Stamford Bridge e o papel preponderante de Federico Valverde.

Como tudo aconteceu: Chelsea 1-3 Real Madrid

Golos

0-1: Karim Benzema (21)
Um golo que vale a pena ver e rever pela forma incrível como foi construído, numa sequência de 59 segundos de passes e movimentos pacientes que terminou de forma espetacular, quando a bola passou por Toni Kroos. O alemão passou para Benzema, que desmarcou na perfeição Vinícius Júnior. O brasileiro correu pela esquerda e cruzou de volta para Benzema, que com um cabeceamento brilhante atirou para o fundo das redes.

0-2: Karim Benzema (24)
Um passe cruzado de Casemiro, desta vez da esquerda para a direita, esteve na origem do segundo golo, com o médio brasileiro a encontrar Luka Modrić, que combinou com Valverde e depois cruzou na perfeição na direção de Benzema. Nas costas de Thiago Silva, o francês fez o resto, com mais um cabeceamento magnífico, sem hipóteses para Edouard Mendy.

1-2: Kai Havertz (40)
Com o Chelsea a tentar encostar o Real Madrid à sua defesa, Reece James pegou a bola na direita, avançou e passou a Jorginho, que desferiu um belo cruzamento na direcção do poste mais distante, onde Havertz cabeceou para o fundo da baliza à guarda de Thibaut Courtois. Vale a pena destacar o movimento inteligente de Havertz, que primeiro se afastou de Éder Militão e passou para junto de Dani Carvajal, antecipando-se depois na perfeição, dando alguns passos atrás de Carvajal de forma a garantir que estava no lugar certo quando a bola surgiu.

1-3: Karim Benzema (46)
Benzema sabe perceber melhor do que ninguém quando uma oportunidade pode surgir e mostrou-o com o golo com que selou o seu "hat-trick", lembrando ocasiões anteriores em que aproveitou falhas de guarda-redes adversários. Mendy juntou-se a uma lista que incluía já nomes como Loris Karius ou Gianluigi Donnarumma, com o francês a aproveitar um mau passe do guarda-redes do Chelsea para Antonio Rüdiger para atirar a bola para o fundo da baliza deserta.

Melhor em Campo: Karim Benzema

Após apontar o segundo "hat-trick" consecutivo na competição, Benzema foi muito elogiado pelos Observadores Técnicos da UEFA – tanto pela versatilidade do seu jogo, como pela sua pontaria. "Ele marcou um 'hat-trick' e fez um jogo fantástico - foi um verdadeiro líder em campo. Trabalhou muito defensivamente e foi sempre o primeiro homem a dar-se ao jogo quando o Real tinha a posse de bola".

A qualidade de finalização que mostrou merece destaque. O Real Madrid fez 41 passes no terceiro de ataque contra 188 do Chelsea, mas foi eficaz na finalização, muito graças ao seu avançado de 34 anos, que já leva 11 golos em oito jogos na prova esta temporada. Os Observadores Técnicos destacaram também o lateral-direito Carvajal que, no regresso à equipa, fez uma das suas melhores exibições da época. "Ele foi muito sólido na defesa e muito confortável quando teve a bola nos pés, tomando sempre as decisões certas".

Tácticas

Chelsea
O Chelsea começou o jogo no seu tradicional 3-4-2-1, mas Thomas Tuchel mudou ao intervalo para um 4-3-3, tirando um dos centrais, Andreas Christensen (4), e o médio N'Golo Kanté (7) para fazer entrar Mateo Kovačić (8) e Hakim Ziyech (22). Mas se o objectivo, com essas mexidas, era ganhar o controlo do meio-campo, o terceiro golo do Real Madrid, logo no minuto inicial do segundo tempo, constitui um duro revés a essas intenções, embora o Chelsea até tenha, depois, criado alguns lances de perigo, sobretudo depois de mais uma mexida, com a entrada de Romelu Lukaku (9).

Real Madrid
O Real apresentou-se em 4-3-3 quando tinha a posse de bola, mudando para 5-3-2 sem bola e a sua abordagem táctica teve enorme impacto. Com bola, o Real procurou construir a partir de trás, com Courtois (1) a mostrar bom poder de decisão e os laterais a movimentarem-se muito quer para zonas mais interiores, quer a subirem no terreno.

Os madrilenos foram precisos no passe e foi interessante ver os médios Kroos (8) e Modrić (10) a conseguirem encontrar espaço nos lances dos dois primeiros golos. Como se mantiveram sempre abertos um em relação ao outro, o Chelsea teve dificuldade em pressioná-los na primeira parte, sobretudo por ter menos um homem nessa zona.

Ao defender em 5-3-2, o Real Madrid tentou encurtar espaços. Na primeira parte, Vinícius Júnior (20) procurou pressionar Christensen e Benzema (9) pressionar Thiago Silva. No meio, Modrić seguia Jorginho e daí partia para pressionar Rüdiger, com Casemiro sempre nas costas, tentando impedir que a bola chegasse a Havertz. Valverde (15) recuava para travar as investidas de César Azpilicueta.

Destaques

O plano de jogo de Ancelotti deu frutos e o vídeo acima destaca o impacto de Valverde no jogo, nesta que fi a sua quarta partida na competição esta temporada. Com três trintões no meio-campo do Real Madrid, o uruguaio de 23 anos trouxe energia na lateral direita, travando Azpilicueta quando o Chelsea atacou, como se vê no Clip 1. (Nota: Azpilicueta conseguiu apenas 13 passes no último terço, em comparação com os 25 de James no flanco oposto.)

O trabalho de Valverde não foi apenas defensivo,. O Clip 2 mostra como depois de ganhar uma bola a Azpilicueta combinou com Benzema para este desmarcar Vinícius Júnior num remate à trave nos instantes iniciais. Além disso, esteve também envolvido no lance do terceiro golo (Clip 3). Ao longo dos 86 minutos que esteve em campo, fez dois desarmes e disputou mais duelos (13) do que qualquer outro jogador do Real Madrid na noite (com uma taxa de sucesso de 46,2%).

Quem também merece destaque é outro médio, Casemiro, que liderou em termos de recuperações (nove) e foi fundamental na cobertura das linhas de passe em direção aos atacantes do Chelsea.

O Chelsea não tinha perdido nenhum dos anteriores cinco jogos que disputou com o Real, mas desta feita faltou-lhe entusiasmo e só no segundo tempo conseguiu de certa forma pressionar e animar os adeptos. O autor do golo, Havertz, impressionou com sua qualidade técnica, velocidade e capacidade de fazer algo acontecer. O Chelsea até acabou o jogo com 20 remates (incluindo os que foram bloqueados), mas apenas cinco no alvo. Já o Real Madrid fez cinco remates na direcção do alvo em apenas oito tentados.

Avaliação dos treinadores

Thomas Tuchel, treinador do Chelsea
""Foi uma derrota pesada e uma das piores primeiras partes que vi aqui em Stamford Bridge. A este nível não se pode jogar assim, individualmente e em equipa. Esteve longe de ser suficiente...Não só pela forma como nos expusemos defensivamente, mas pelo que fizemos a nível do passe e a nível ofensivo. Faltou intensidade e vontade.

No segundo tempo tivemos 16 remates contra 1. Claro que já sempre hipóteses de recuperar, mas quando se entrega tudo ao fim de 48 minutos, as coisas ficam mais difíceis. Ainda assim tivemos oportunidades para fazer o 2-3, só que não era mesmo o nosso dia"

Carlo Ancelotti, treinador Real Madrid
"Jogámos com o mesmo sistema de sempre. A única diferença foi ter o Valverde mais focado na sua lateral esquerda. Depois, tivemos Carvajal um pouco mais dentro para controlar Pulišić e Mount. O Valverde esteve muito bem. Por vezes foi um quinto defesa, dependendo da posição de Azpilicueta, pois cabia-lhe ficar atento a ele. Quando Azpilicueta não subia, Valverde era mais um atacante.