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In the Zone: Análise do Paris 1-0 Real Madrid

O painel de Observadores Técnicos da UEFA analisa o triunfo do Paris sobre o Real Madrid.

Kylian Mbappé celebra com Neymar após marcar o golo da vitória do Paris ante o Real Madrid
Kylian Mbappé celebra com Neymar após marcar o golo da vitória do Paris ante o Real Madrid

Kylian Mbappé esteve em destaque pelo seu brilhante momento de inspiração que deu ao Paris uma vantagem tangencial na primeira mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League, ante o Real Madrid.

Contudo, neste artigo apresentAdo pela FedEx, o painel de Observadores Técnicos da UEFA destaca a alta intensidade da equipa de Mauricio Pochettino como a grande responsável pelo sucesso ante um Real Madrid que não teve qualquer remate à baliza.

Como tudo aconteceu: Paris 1-0 Real Madrid


Golos

Resumo: Paris 1-0 Real Madrid
Resumo: Paris 1-0 Real Madrid

1-0: Kylian Mbappé (90+4)
O quinto golo do jogador de 23 anos nesta campanha europeia foi um acto de virtuosismo que ilustrou na perfeição a sua capacidade de criar algo do nada. Aproveitando um passe de calcanhar de Neymar e atacando a área pela esquerda, Mbappé aproximou-se da área e de repente acelerou para passar entre Lucas Vázquez e Éder Militão – antes de desferir um remate rasteiro que, com com a ajuda de um leve desvio de Federico Valverde, fez a bola passar entre as pernas do guarda-redes do Real Madrid, Thibaut Courtois.

Tal como o observador de jogo da UEFA descreveu: "Uma acção directa que foi típica do estilo e perfil de Mbappé, e digna de ganhar qualquer encontro da UEFA Champions League."

Melhor jogador: Kylian Mbappé

Os anfitriões tiveram um total de 21 remates, oito deles no alvo, e um XG de 1,88, mas teriam terminado sem qualquer golo se não fosse o momento de magia de Mbappé. Para o autor do tento decisivo, foi uma recompensa pelo seu esforço ao longo da partida: forçou Cortouis a uma bela defesa em cada metade do jogo e também ganhou o penálti que Lionel Messi não conseguiu converter contra o guarda-redes belga.

O técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, tentou frustrar Mbappé com a introdução de Rodrygo e de Lucas Vázquez no lado direito, mas isso não foi suficiente para conter um jogador que esteve envolvido em pelo menos um golo (seja marcando ou assinando uma assistência) em todos os encontros da Champions League que disputou nesta temporada.

Tácticas das equipas

A formação do Paris na posse da bola
A formação do Paris na posse da bola

Paris
O 4-3-3 do Paris contou com Mbappé (7) na sua posição mais forte do lado esquerdo do ataque, com Messi (30) livre para encontrar espaço no centro. Ángel Di María (11), a jogar do lado direito, assumiu posições mais interiores quando os laterais da equipa da casa avançavam.

Mais atrás, o papel de Danilo (15) foi significativo. Da sua posição inicial à direita num meio-campo a três, o internacional português recuou muitas vezes para apoiar os defesas-centrais quando Paris teve a bola e os laterais avançavam no terreno. Isso deu a Achraf Hakimi (2) a liberdade de subir e abrir, defendendo-se contra a ameaça de Vinícius Júnior (20) no contra-ataque. Sem bola, por sua vez, Danilo usou as suas qualidades defensivas para atrapalhar a construção de jogo por parte Toni Kroos (8), além de ajudar Hakimi a suster as investidas de Vinícius Júnior.

No geral, Danilo foi sempre rápido a pressionar e esteve sempre atento a qualquer jogador que entrasse em sua área de manobra, incluindo Karim Benzema (9), avançado perigoso mesmo com pouco espaço para jogar. Como o próprio Danilo observou depois do encontro: "Temos grandes jogadores que são bastante ofensivos, como Messi e Hakimi, por isso eu estou aqui para contrabalançar os dois."

O Paris esteve sólido e compacto na posse de bola quando mudou para uma formação de 4-5-1. E foi revelador que a sua disciplina e concentração defensivas se tenham estendido aos talentos criativos da equipa. Como exemplo, vale a pena salientar como os franceses foram capazes de pressionar alto, com sucesso, nas tentativas de remate à baliza por parte do Real Madrid, quando Messi se juntou a Marco Verratti (6) e Leandro Paredes (8) para formar um triângulo de três homens no centro para negar espaço ao trio de meio-campo dos visitantes.

A formação típica do Real Madrid a atacar
A formação típica do Real Madrid a atacar

Real Madrid
Tal como os anfitriões, o Real Madrid apresentou-se em 4-3-3. No entanto, as suas dificuldades para manter a posse de bola, numa noite em tiveram 43% de posse, fizeram com que passasse longos períodos a defender perto da sua área num 4-5-1 em que apenas Benzema (9) surgia como homem mais adiantado.

No seu melhor período, os últimos dez minutos da primeira parte, Dani Carvajal (2) ficou como o homem mais atrás dos dois laterais, enquanto Ferland Mendy (23) avançada e tentava penetrar pelo interior, deixando a linha lateral aberta para Vinícius Júnior (20). Todavia, o mais próximo do golo que esteve o Real Madrid foi num pontapé de Kroos (8) por cima do trave nove minutos após o reinício.

Destaques

Desde o primeiro minuto, os gauleses mostraram melhor ritmo e intensidade. O observador da UEFA notou como eles tentaram forçar o Real Madrid a recuar em todas as oportunidades, marcado rapidamente as ou lançamentos de linha lateral, por exemplo, para manter o ritmo. De maneira impressionante, o Paris conseguiu manter essa cadência durante quase todo o encontro, com excepção de uma quebra no período que antecedeu o intervalo, quando os Merengues impuseram finalmente o seu jogo.

Fora isso, o Real não conseguiu manter a posse de bola o tempo suficiente para que os seus jogadores de ataque influenciassem o jogo, com Kroos e Luka Modrić incapazes de exercer preponderância como normalmente o fazem e Benzema a lutar no regresso após uma lesão num tendão da coxa.

Indiscutivelmente, a característica mais impressionante do desempenho do Paris foi sua reacção defensiva quando perdeu a posse de bola. Defendendo em bloco alto, os franceses fizeram mais recuperações (61) de bola do que em qualquer outra partida da Champions League esta época.

A configuração do Real sem bola
A configuração do Real sem bola

Como consequência, o Real Madrid teve dificuldades em encontrar uma forma de jogar através da pressão agressiva exercida pelos anfitriões. Courtois tocou muitas vezes curto para Éder Militão porque nunca conseguiu encontrar uma linha de passe segura. Na primeira parte, houve uma ou duas ocasiões em que Benzema esteve perto. No entanto, parecia frustrado com a falta de intensidade dos demais e, a certa altura, foi visto a incentivar os seus companheiros de equipa para se aproximarem e pressionarem mais perto do meio-campo.

Na segunda metade, Courtois tentou encontrar Vinícius Júnior no espaço vazio com passes mais longos, mas uma vez mais teve pouco efeito. Assim, o Real Madrid esteve bem organizado na defesa, mas lutou por ganhar a posse de bola do início ao fim. Ancelotti fez cinco substituições, mas não conseguiu inverter o ritmo; revelador disso foi que o golo da vitória do Paris surgiu na sequência de uma perda de bola do Real Madrid no meio do campo num momento crucial.

Avaliação dos treinadores

Mauricio Pochettino, treinador do Paris
"Anulámos a circulação de bola deles pressionando os seus jogadores do meio-campo. Trabalhámos no duro para travá-los e recuperar a bola o mais alto possível, controlando bem o jogo por 90 minutos. Não permitimos muitas oportunidades."

Carlo Ancelotti, treinador do Real Madrid
"Não conseguimos sair com a bola e errámos muitos passes devido à pressão alta. Eles fizeram isso bem e colocaram-nos em dificuldades. Precisamos de pressionar mais na segunda mão. Estamos em desvantagem no resultado e precisamos de ser melhores com a bola."