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Thierry Henry: o Arsenal, o Barcelona e o seu colega de sonho

O antigo avançado francês reflecte sobre os seus dias de glória e elogia Michael Laudrup.

Thierry Henry exibe o troféu da UEFA Champions League ganho em 2009 com o Barcelona
Thierry Henry exibe o troféu da UEFA Champions League ganho em 2009 com o Barcelona AFP via Getty Images

Avançado impressionante no seu auge, Thierry Henry despontou como extremo no Mónaco. Venceu uma vez o EURO e o Campeonato do Mundo da FIFA pela França, mas brilhou no Arsenal de 1999 a 2007, ao serviço do qual conquistou dois títulos da Premier League e foi duas vezes Bota de Ouro ESM. Aos 29 anos mudou-se para o Barcelona em busca de um novo desafio e juntou ao palmarés mais dois títulos da Liga espanhola e o principal troféu que lhe escapara, a UEFA Champions League, em 2009.

Veja na íntegra a final de 2009 em UEFA.tv

Agora com 42 anos, Thierry Henry está a viver o confinamento no Canadá, onde é treinador do Montreal Impact. Entre passar o tempo "a cozinhar, a limpar a casa e a cuidar de mim", falou ao UEFA.com sobre sua carreira.

Wenger e Guardiola

Clube dos centenários da Champions League: Thierry Henry
Clube dos centenários da Champions League: Thierry Henry

Ele era como uma figura paternal para mim. Por isso, podem imaginar, com o nosso pai discutimos, gritamos e ele castiga-nos. Às vezes é complicado, mas é o que acontece quando se gosta de alguém.

O Arsène ligou o meu cérebro, [e todos os dias] sobre fazer-me as perguntas certas. Costumava queixar-me que os meus colegas não me viam - sabe, típicos avançados: 'Eles não querem dar-me a bola'. Ele disse-me: 'Bem, pergunte a si mesmo se esse jogador pode vê-lo da mesma maneira que outro jogador.' E comecei a adaptar o meu jogo aos outros, em vez de esperar que eles se adaptassem ao meu jogo.

Ele mostrou o que eu era capaz de fazer como jogador. E depois há o Pep [Guardiola], que, tacticamente, deu vida ao meu cérebro, por isso esses [treinadores] tiveram um enorme impacto em mim.

Trocar o Arsenal pelo Barcelona em 2007

Para mim, competir está acima de tudo. É isso que me move. É isso que me faz ser melhor. Quando fui para o Barcelona, o Ronaldinho jogava à esquerda, o [Samuel] Eto'o estava no meio e o [Lionel] Messi à direita, e ninguém me disse que iria jogar. Podemos ir para qualquer lugar e o coração pode ficar noutro sítio. Foi exactamente o que aconteceu.

Resumo da final de 2009: Barcelona 2-0 Manchester United
Resumo da final de 2009: Barcelona 2-0 Manchester United

Fui para o Barcelona e aprendi muito – muito mesmo – sobre algo que achei que tinha tudo a ver. Pensei que conhecia o futebol, mas em Barcelona fui reprogramado. O Barça era especial...

Vencer a Champions League frente ao Manchester United

Era o aniversário da minha filha, 27 de Maio. Nunca tinha ganho a Champions League. Nem conseguia dobrar o joelho. Não conseguia fazer "sprints" como deve ser. O mesmo se passava com [Andrés] Iniesta: ele tinha um problema na coxa e também não podia fazer acelerações. Perguntavam-me: "Estás bem?" E eu dizia: "Claro que estou bem." Nunca iria dizer: "Não estou bem". Havia muitos lesionados, faltavam-nos alguns jogadores, mas quando se tem a bola [naquele sistema de "tiki-taka"], não é preciso correr.

A maneira como o Barça jogava era incrível, porque esse sistema irá fazer a diferença; se estamos bem fisicamente, é um 6-0, mas se já não somos jovens ainda podemos fazer a diferença porque há posse de bola.

Fiquei para lá da lua [quando vencemos]. Disse: "Finalmente!" Foi como que um fim de algo para mim. Continuei a jogar porque o Campeonato do Mundo foi em 2010 e o meu treinador na selecção disse: "Thierry, não podes simplesmente sair assim da equipa e blá blá blá". Mas se o Mundial não tivesse sido logo depois, penso que teria ido antes para a MLS.

Laudrup, o melhor com quem jogou

Michael Laudrup em acção pelo Barcelona em 1992
Michael Laudrup em acção pelo Barcelona em 1992Icon Sport via Getty Images

Michael Laudrup! Uma das coisas mais importantes no futebol é o passe. É como um presente que se partilha com a equipa. E, para mim, na história, não conheço ninguém melhor a fazer isso do que Michael Laudrup: tão simples quanto isto. Adoraria finalizar um passe dele, porque tudo o que precisava de fazer era correr!

Algumas pessoas foram tocadas por Deus e ele foi. Digo muitas vezes: Penso que é reconhecido pelos jogadores, mas o mundo do futebol não lhe deu o crédito que merecia. O Andrés Iniesta inspirou-se nele. A "La Croqueta" [finta em que se ilude o adversário com um toque de bola de um pé para o outro] é do Laudrup, não é do Iniesta. Por mais que goste do Andrés, é do Laudrup. Ele queria apenas agradar às pessoas. Quando se olha para as equipas em que ele jogou, para mim é aquilo - paramos por ali.

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