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Glórias do FC Porto recordam feito "notável" e "único" em 2004

Jorge Costa e Vítor Baía recordam ao UEFA.com a campanha vitoriosa do Porto na UEFA Champions League em 2004 sob o comando de José Mourinho.

Os capitães de equipa Jorge Costa (esquerda) e Vítor Baia com o troféu na chegada ao Porto após a vitória na Champions League em 2004
Os capitães de equipa Jorge Costa (esquerda) e Vítor Baia com o troféu na chegada ao Porto após a vitória na Champions League em 2004 AFP via Getty Images

Quando passam 16 anos sobre a vitória do FC Porto na UEFA Champions League, a 26 de Maio de 2004, os dois capitães de equipa, Jorge Costa e Vítor Baía, recordam ao UEFA.com a caminhada rumo ao triunfo sobre o Mónaco na final de Gelsenkirchen, por claros 3-0, pouco mais de 12 meses após terem conquistado a Taça UEFA.

Êxitos europeus seguidos

Vítor Baía: Foi muito emocionante e um sentimento de orgulho. Foi fantástico. Tivemos o privilégio e a sorte de fazer parte de um dos mais belos e marcantes momentos da história do FC Porto e também de o poder escrever a letras de ouro.

Veja como o Porto ganhou ao Mónaco na final de 2004
Veja como o Porto ganhou ao Mónaco na final de 2004

Importância do feito de Gelsenkirchen

Vítor Baía: Não é fácil para uma equipa fora das "cinco grandes ligas" ganhar a Champions League no actual formato. Foi algo notável, único e a nossa taça vale muito, muito, muito mais do que aquelas ganhas pelos clubes que estão habituados a vencê-la. Nenhuma outra equipa fora das cinco grandes ligas a ganhou desde então.

Jogo com o United em Old Trafford

Jorge Costa: Apesar de o Porto ter ganho a Taça UEFA, as pessoas não nos viam como favoritos [nos oitavos-de-final]. O Manchester United tinha de dar a volta ao 2-1 da primeira mão, pelo que era normal tudo fazerem para eliminarem o Porto, pois eram fortes. Mas com o nosso presidente [Pinto da Costa], José Mourinho e jogadores mais experientes como eu, o Vítor Baía, o Costinha, o Deco, podíamos defrontar qualquer um. Podíamos até ter perdido o jogo, mas para nos vencerem teriam de ser muito melhores do que nós.

Confiança de Mourinho determinante

Vítor Baía: Quando nos saiu o Manchester United, a primeira reacção do Mourinho foi começar a aplaudir. Ele estava tão feliz... Dizia: "Finalmente um adversário ao nosso nível. Comecem a preparar-se porque chegou a altura de mostrar aquilo de que somos feitos". Estávamos surpreendidos com tudo aquilo e começámos também a aplaudir. Rapidamente passámos a dizer que iríamos ganhar a eliminatória. Era assim que o Mourinho nos motivava. Ele é um motivador muito bom na forma como usa a sua liderança.

José Mourinho dá instruções aos jogadores do Porto
José Mourinho dá instruções aos jogadores do PortoGetty Images

Convicção em ganhar a Champions

Vítor Baía: Isso aconteceu em Lyon [na segunda mão dos quartos-de-final]. Foi no túnel em Lyon, no caminho para o balneário, dadas as circunstâncias [do percurso da equipa] e quem tinha sido eliminado. Começámos a pensar e a dizer que iríamos ganhar, apesar de não sabermos quem seria o adversário nas meias-finais.

Momentos decisivos na final

Jorge Costa: No minuto 12, o [Ludovic] Giuly, um atacante muito rápido, isolou-se e o Vítor Baía saiu da sua área e cortou o lance, evitando aquilo que seria certo um golo certo, sendo que, na sequência do choque, o francês lesionou-se. Jogávamos com uma linha defensiva subida, mas que implicava correr riscos, porque defendíamos o mais alto que conseguíamos. Mas só o fazíamos porque tínhamos o Vítor [Baía] lá atrás. É que, para além das suas qualidades, ele tinha algo que não vi em mais ninguém, que era a sua capacidade para ler o jogo, sem medo de sair da área e jogar à vontade, pois era muito rápido.

Vítor Baía e Jorge Costa recordam triunfo na Taça UEFA em 2003

Confiança do grupo na vitória

Vítor Baía: Tínhamos uma enorme confiança; nas nossas cabeças aquele era o nosso momento. Ganhar a Taça UEFA já tinha sido fantástico e um momento único. Apenas alguns anos depois pudemos ter alguma perspectiva e apreciar o enorme feito que foi tudo isto. Mostrou que, apesar do menor orçamento, tudo é possível com uma estrutura sólida, um grande treinador e grandes jogadores.

Em campo, a nossa confiança era tal que não víamos que eles nos estavam a criar tantos problemas. Se não fosse a força do nosso colectivo e a nossa entreajuda, tudo teria sido muito mais difícil.

O "onze" titular do Porto na vitória sobre o Mónaco
O "onze" titular do Porto na vitória sobre o MónacoBob Thomas Sports Photography via Getty Images

Festa do aeroporto ao estádio com Baía no microfone

Vítor Baía: O mais engraçado é que, como chegámos cedo [ao Porto], as pessoas estavam ainda a sair da casa e muitas delas saudaram-nos de pijama e de roupa interior. Foi hilariante ver pessoas quase despidas, sem ligar nenhuma ao que traziam vestido apenas para nos vitoriarem!

Legado de uma geração

Jorge Costa: Já estive no Museu [do Porto] com os meus filhos e quase chorei, pois fizemos parte de tudo aquilo: eu, o Vítor e muitos outros. Uma parte do museu existe porque nós ajudámos a fazer com que aquilo acontecesse e enche-me de orgulho poder mostrá-lo aos meus filhos. Espero ser capaz de o mostrar um dia aos meus netos.

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