Franz Beckenbauer: um colosso futebolístico
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
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No 70º aniversário de Franz Beckenbauer, homenageamos um homem que, como jogador, treinador e dirigente tem estado no centro do futebol europeu há quase 50 anos.
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Franz Beckenbauer foi e continua a ser "O Kaiser", um homem que está no topo do futebol germânico há cerca de um meio-século. Um dos maiores ícones do desporto-rei.
A alcunha surgiu no início da sua carreira de jogador. Em 1968, em Viena, com a equipa do FC Bayern München para um encontro particular, Beckenbauer, então com 22 anos, foi fotografado junto a um busto do antigo imperador (kaiser) austríaco Franz Josef I.
Até esse ano, Beckenbauer já havia disputado uma final de um Mundial, erguido a Taça dos Clubes Vencedores de Taças e ganho o primeiro de quatro prémios de Jogador do Ano na Alemanha, mas isso seria, somente a infância da sua história futebolística. Quando pendurou as chuteiras, em 1983, acrescentara ao seu currículo cinco títulos da Bundesliga, quatro Taças da Alemanha, três Taças dos Clubes Campeões Europeus, o Mundial de 1974 e o Campeonato da Europa da UEFA de 1972.
Muita dessa glória surgiu com o Bayern, um clube que ajudou a transformar do segundo maior de Munique para a potência europeia e mundial que continua a ser nos nossos dias. E esteve para ser bem diferente. Aos 13 anos, Beckenbauer estava apostado em representar o 1860 München. Um jogo pelas camadas jovens do SC 1906 München frente ao empregador que desejava mudou tudo.
O jovem levou uma estalada na cara de um jogador do 1860 e decidiu, no acto, mudar de planos e tentar ingressar no Bayern. "Foi somente o destino que quis que nos confrontássemos após o encontro e me tornasse num jogador de vermelho em vez de azul", reflectiu, mais tarde, Beckenbauer.
Logo na sua estreia pelo Bayern, então no segundo escalão do futebol alemão, assinalou a marca com um golo logo nos primeiros minutos. Rapidamente os seus talentos levaram-no a ser utilizado em posições mais recuadas, no centro da defesa. A partir daí, passou a orquestrar os ataques bem a partir do seu meio-campo ( o passe longo com a parte exterior do pé passou a ser a movimentação que o caracterizaria a partir daí) e fez da posição de líbero uma arte, que continuaria a refinar ao longo dos anos.
Era a criação do grande Bayern. Aliado aos talentos de Gerd Müller e de Sepp Maier, Beckenbauer ajudou os "Roten" (Vermelhos) a conquistarem a Alemanha e, com um trio de Taças dos Clubes Campeões Europeus, entre 1974 e 1976, o próprio "Velho Continente". Só depois o "Kaiser" se mudou para os EUA, onde ajudou o New York Cosmos a tornar-se na maior potência norte-americana da modalidade, ao ganhar três títulos em quatro anos.
Após uma breve passagem (e novo título alemão) pelo Hamburger SV e de um regresso a Nova Iorque, Beckenbauer penduraria as chuteiras em 1983. E como se pode dar seguimento a uma carreira de sonho como jogador? Como somente o "Kaiser" seria capaz. Em três anos, lideraria a Alemanha até à final do Mundial de 1986, no México. A Argentina levaria a melhor nessa ocasião, mas, quatro anos depois, aconteceu a desforra na final do certame planetário realizado em Itália.
Beckenbauer continua a ser um entre os apenas dois homens (o outro é o brasileiro Mário Zagallo) a ter conquistado o Mundial como jogador e seleccionador, depois de ter capitaneado a Alemanha no triunfo, em 1974, perante o seu público. Rapidamente deixou o comando técnico da "Nationalmannschaft" e, após campeonatos conquistados no Olympique de Marseille e Bayern, assim como a Taça UEFA de 1996 pelos germânicos, mudou-se para a gestão, levando consigo o seu estilo inimitável.
"No que toca ao futebol, este tipo pode fazer tudo", todos pensámos. E estávamos certos.