2001/02 Bayer 04 Leverkusen 1-2 Real Madrid CF: Crónica
domingo, 1 de agosto de 2010
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"Podíamos passar o tempo a planear, só que em algumas coisas não há nada a fazer, como no golo de Zidane." Klaus Toppmöller
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O regresso do Real Madrid CF a Hampden Park terminou da melhor forma, com um inesquecível remate de primeira de Zinédine Zidane a valer aos madrilenos a conquista do seu nono título de campeão europeu de clubes, ditando ao mesmo tempo um infeliz final para a campanha de sonho realizada pelo Bayer 04 Leverkusen ao longo da prova.
O escritor uruguaio Eduardo Galeano disse, certa vez, que quando a beleza do futebol se revela, "os adeptos ficam a lamentar a sorte dos seus futuros netos por não irem ter a oportunidade de a presenciar". Durante quatro décadas, os habitantes de Glasgow, entre eles Sir Alex Ferguson, recordaram e disseram maravilhas da vitória por 7-3 do Real sobre o Eintracht Frankfurt em Hampden, na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1960. Zidane iria fazer com que a nova geração tivesse, também ela, uma história para contar.
O resultado estava em 1-1 e o encontro encaminhava-se para o intervalo quando Roberto Carlos conseguiu, em esforço, efectuar um cruzamento para a entrada da grande área adversária. Zidane, viu, esperou, posicionou o seu corpo e, com um movimento técnico perfeito, sem deixar a bola cair, desferiu um estrondoso remate de primeiro com o pé esquerdo, supostamente o seu pé mais fraco. Hans-Jörg Butt, na baliza do Leverkusen, não teve hipóteses.
Apenas uma vontade imensa poderia levar um extremamente bem organizado Leverkusen a ultrapassar o impacto causado de um momento mágico como aquele. E a magia em Hampden acabou mesmo por se ficar por aí nessa noite, em Hampden Park. A formação germânica, orientada por Klaus Toppmöller, contudo, nunca baixou os braços e lutou até ao final. Depois de terminar no segundo posto da Bundesliga e perder a final da Taça da Alemanha, o Leverkusen estava determinado em não deixar escapar mais um troféu e, assim, negar o cruel rótulo de "Neverkusen" que alguns lhe tinham atribuído.
E a turma alemã lutou mesmo até ao fim, até ao sétimo minuto do período de compensação, quando Iker Casillas – que havia entrado para o lugar do lesionado César – efectuou três extraordinárias defesas que seguraram o triunfo do Real. O Leverkusen havia já demonstrado a sua capacidade de reacção ao recuperar bem de uma entrada em jogo algo nervosa, que permitira a Raúl González inaugurar o marcador para os madrilenos logo aos oito minutos, com Lúcio a restabelecer, pouco depois, a igualdade, com um cabeceamento certeiro. Mas para um remate como o de Zidane não havia resposta possível.
"É extremamente desesperante terminar sem nada para festejar", lamentou Toppmöller. "Pode passar-se o tempo a planear os jogos nos treinos, mas quando acontece algo de mágico, não há nada a fazer. E, neste caso, essa magia foi o golo de Zidane".