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McGovern relembra 1980

Na última retrospectiva sobre as finais anteriores no Santiago Bernabéu, o UEFA.com falou com John McGovern, capitão do Nottingham Forest quando a equipa inglesa se sagrou bicampeã da Europa, após vencer o Hamburgo.

O Nottingham Forest festeja o seu segundo título de campeão europeu
O Nottingham Forest festeja o seu segundo título de campeão europeu ©Getty Images

A concluir a série dedicada às finais anteriores realizadas no Santiago Bernabéu, o UEFA.com falou com John McGovern, capitão do Nottingham Forest FC na vitória por 1-0 sobre o Hamburger SV, na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1980.

O Forest, treinado por Brian Clough, iniciou a partida como detentor do título, depois de no ano anterior ter derrotado o Malmö FF, em Munique, onde McGovern também envergou a braçadeira de capitão. John Robertson marcou o único golo do desafio em Madrid no decorrer da primeira parte, concluindo uma jogada colectiva que envolveu o seu capitão e que permitiu à Inglaterra continuar a dominar a principal competição europeia de clubes.

John McGovern
A principal ameaça do Hamburgo era o Kevin Keegan, que tinha sido eleito duas vezes Futebolista Europeu do Ano, mas nós tínhamos o Larry Lloyd e o Kenny Burns no eixo da defesa. Seria preciso algo excepcional para o Keegan passar por eles e chegar até ao Peter Shilton que, naquela altura, era o melhor guarda-redes inglês. Sabíamos que se fizéssemos uso dos nossos pontos fortes, algo que o treinador não se cansava de nos repetir semana após semana – é o que vocês fazem, e não o adversário – íamos vencer o jogo.

Era um estádio magnífico e a outra coisa da qual me lembro é que na altura estavam a construir mais um piso. Penso que já existiam dois ou três e estavam a construir o quarto, em resposta aos pedidos dos adeptos do Real Madrid para bilhetes de época a nível interno. Ao entrar no relvado sentimo-nos muito orgulhosos por voltar a representar o futebol inglês e também um pouco como diplomatas, e penso que isso engrandeceu ainda mais a ocasião.

Entrámos no nosso ritmo de jogo muito rapidamente, porque éramos uma equipa que trocava bem a bola, e o John Robertson, que jogava a extremo-esquerdo, era um génio com ela nos pés. Lembro-me de a jogada ter começado no lado direito da defesa, passado pelo Martin O'Neill, por mim e pelo Frank Gray, para terminar no John Robertson, junto ao flanco esquerdo. Movimentámos a bola de um flanco ao outro e depois o John Robertson teve um momento de autêntico brilhantismo, ao ultrapassar um defesa com uma finta rápida, combinar com o Gary Birtles antes de rematar junto ao poste.

O Keegan começou a ficar frustrado à medida que o jogo decorria, porque na segunda parte, connosco a vencer por 1-0, fomos muito pressionados. Eles tinham a posse da bola, mas o último passe ou remate à baliza eram anulados por nós, enquanto colectivo, ou bloqueados pela defesa e pelo Peter Shilton.

Clough era um treinador disciplinador, mas nem ele foi capaz de impedir o banho de champanhe que se seguiu no balneário numa ocasião como esta. Depois disso, disse-me: 'Veste-te e põe a gravata rapidamente porque vais ser entrevistado'. Tiraram bastantes fotografias aos rapazes, cobertos apenas com toalhas, e a mim, com uma gravata colorida, e muitas pessoas perguntaram: 'Como é que ele consegue usar uma gravata depois de tudo aquilo?'

"E eu disse, 'Estou a dar uma entrevista na qualidade de capitão de equipa', mas o champanhe continuava a fluir livremente, e foi então que o treinador voltou a impor respeito, dizendo, 'Vamos regressar a Inglaterra, vocês representam o futebol inglês e conquistaram a Taça dos Clubes Campeões Europeus'. E concluiu, 'Podem ir embebedar-se noutro local'.

"O lateral-direito adversário, Manni Kaltz, acertou na barra, e quase a partiu com a potência do remate. Esse podia ter sido o momento decisivo da partida, mas foi antes o golo do John Robertson. Mas referi isto porque quando Kaltz acertou na barra, os jogadores adversários como que ficaram desanimados, enquanto nós ficámos mais moralizados, e isso talvez tenha aumentado as nossas hipóteses de vencer".

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