Bayern é dono da sua sorte
quarta-feira, 3 de março de 2010
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Há dez anos que faz questão de usar sempre a mesma t-shirt por baixo do equipamento de jogo, mas o supersticioso Anatoliy Tymoshchuk garante que a ascensão do Bayern não é uma questão de sorte.
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Os adeptos do FC Bayern München têm experimentado uma montanha-russa de emoções ao longo da temporada, mas Anatoliy Tymoshchuk acredita que os percalços da equipa no arranque da temporada já fazem parte do passado e mostra-se, agora, apostado em prosseguir na curva ascendente.
Os problemas do Bayern na primeira parte da época foram evidentes. Mas o espírito no gigante bávaro é, neste momento, extremamente positivo, com a equipa a postos para a decisiva partida da segunda mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League, frente à ACF Fiorentina. "Estamos em excelente condição física neste momento e acreditamos nas nossas capacidades", garantiu Tymoshchuk ao UEFA.com. "Precisamos de ser acutilantes no ataque. Penso que temos o que é preciso para os deixar pelo caminho".
Acabados de subir à liderança da Bundesliga, os pupilos de Louis van Gaal partem para o encontro da segunda mão, em Itália, com uma vantagem de 2-1 sobre a formação da Serie A, e Tymoshchuk, de 30 anos, sabe do que se exige a um emblema da dimensão do Bayern. "Somos um clube com uma grande história de vitórias - que, contudo, não têm surgido tanto nos últimos anos", admitiu. "Todos esperam que conquistemos um troféu europeu. Acredito que é possível, com a nossa actual equipa, porque temos excelentes jogadores. Com futebolistas desta qualidade, pode-se vencer qualquer competição".
O médio-defensivo ucraniano afirma que os seus colegas "compreendem a dureza da UEFA Champions League", mas que estão a encontrar o caminho certo na altura ideal. "No início da temporada tínhamos um novo treinador e jogadores", lembrou. "Por isso acusávamos algum nervosismo e falta de confiança na nossa forma de jogar. Ao fim de três ou quatro meses os jogadores começaram a conhecer a maneira de jogar dos colegas, começámos a actuar como uma verdadeira equipa e percebemos o que o treinador pretendia de nós - e o nosso jogo voltou a aparecer".
Essa confiança foi evidente no encontro da sexta jornada da fase de grupos, diante da Juventus, na qual o Bayern necessitava de uma vitória em Turim para seguir para os oitavos-de-final. "Estávamos cientes da importância desse encontro, porque tudo se decidia ali", explicou Tymoshchuk, que em 2008 capitaneou o FC Zenit St. Petersburg rumo à vitória na Taça UEFA. "Estava em jogo a nossa continuidade na Champions League. Jogámos muito bem, concentrados no objectivo da vitória. Sentia-se no ar esse espírito".
O resultado foi uma estrondosa vitória por 4-1 no terreno de um dos maiores clubes europeus. Tymoshchuk teve um papel determinante no triunfo, ao ajudar a equipa a segurar a vantagem e, depois, a ampliá-la, já no período de compensação. "Foi o meu primeiro golo pelo Bayern. Fiquei muito feliz. Quando entrei em campo senti o peso da responsabilidade sobre os meus ombros, pois estávamos a vencer apenas por 2-1. O treinador esperava que eu, pelo menos, ajudasse a manter assim o marcador. Acabei por ter a felicidade de apontar o quarto golo".
Um verdadeiro fanático por futebol, Tymoshchuk juntou já uma colecção de 200 camisolas ao longo da carreira, entre elas "muitas memoráveis", mas nenhuma mais do que a do jogador que mais o inspirou durante a sua juventude, curiosamente uma velha lenda do Bayern. "Lothar Matthäus é um dos melhores de todos os tempos. Foi no Campeonato do Mundo de 1990 que comecei a seguir mais de perto a sua carreira. Admirava especialmente a sua forma de jogar e de agir em campo".
Tymoshchuk chegou mesmo a envergar uma braçadeira de Matthäus no início da sua carreira, como talismã da sorte, e as superstições não se ficam por aí, com o próprio a admitir a existência, ao longo dos últimos dez anos, de uma t-shirt que usa "sempre por baixo do equipamento de jogo". O Nº44 do Bayern tentou, ainda, comprar um apartamento no 44º andar de um arranha-céus mas, com a equipa a preparar com todo o cuidado a deslocação a Florença, Tymoshchuk garante que a radical mudança de forma da equipa não se resume a uma questão de sorte. "Se dermos o nosso melhor e fizermos um bom jogo, tudo correrá bem".