As lições da vida de Lehmann
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
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Jens Lehmann faz 40 anos na próxima semana e, antes da visita do Estugarda a Sevilha, o guarda-redes revelou ao uefa.com como jogar fora da Alemanha foi essencial para a sua carreira.
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Fazer 40 anos costuma ser uma altura para balanços. E com Jens Lehmann a iniciar a sua quinta década de vida a 10 de Novembro, o alemão não constitui excepção, apesar de não olhar para a data com receio. "Talvez a minha mulher me tenha preparado uma grande surpresa", disse ao uefa.com. "Eu gosto de fazer anos. Habitualmente, tenho direito a um bom bolo e recebo presentes".
Reflexão
O guarda-redes do VfB Stuttgart venceu a Taça UEFA em 1997 com o FC Schalke 04 e, desde então, foi campeão com AC Milan, BV Borussia Dortmund e Arsenal FC. Continuou a jogar ao mais alto nível, tendo assumido a titularidade da selecção alemã antes do Mundial de 2006 e ajudado a equipa a chegar ao terceiro lugar e, posteriormente, à final do UEFA EURO 2008™. "Obviamente, a nível pessoal, estou numa fase diferente da minha carreira de futebolista daquela que estava há cinco ou dez anos", disse Lehmann. "Deixar o Milan cedo [após não ter sido a primeira opção para as redes dos "rossoneri"] é uma decisão que lamento ter tomado, mas, provavelmente, proporcionou-me uma experiência mais vasta. Por outro lado, provavelmente não me teria transferido, então, para o Arsenal e esse foi outro período da minha vida em que aprendi bastante sobre mim próprio".
Experiência no estrangeiro
"Para mim, jogar numa Liga estrangeira foi uma grande experiência. Creio que quando jogamos num campeonato estrangeiro, isso faz com que sejamos mais admirados no nosso próprio país. Não acredito que teria passado a Nº 1 da selecção caso tivesse ficado na Alemanha. Não creio que tivesse aprendido tanto caso tivesse aqui ficado. Em Milão, fizemos bastante trabalho táctico e também tive de aprender o ritmo de jogo italiano. E, obviamente, com Arsène Wenger, em Inglaterra, tive de aprender o ritmo daquele futebol. O facto de ter aprendido diferentes sistemas e formas de jogar, mesmo que, ao início, tais sistemas me parecessem muito estranhos, também foi muito importante".
Onda de críticas
Lehmann é conhecido por não se conter nas palavras e, no que diz respeito às actuais dificuldades do Estugarda – está em 14º da Bundesliga e desloca-se esta quarta-feira ao campo do Sevilla FC para o Grupo G da UEFA Champions League com menos dois pontos que o segundo classificado, o FC Unirea Urziceni - leva bastante a sério as críticas dos adeptos. "Não aceitarei isto. Não podemos ser sempre responsabilizados por cada erro que cometemos, mas, por vezes, acontecem erros clamorosos. Às vezes, não há interacção entre os jogadores ou estes tentam ganhar os jogos sozinhos. Estes factores podem afectar a unidade da equipa".
Futuro
Já a pensar no futuro, Lehmann vai aparecer num filme antes da fase final do Mundial de 2010, em que fará de detector de talentos, mas quando pendurar as chuteiras, no Verão, não será a interpretação a profissão escolhida. "Tentarei várias coisas", disse. "Pretendo iniciar a minha formação para me tornar treinador. Depois, quero acabar os meus estudos de gestão, que tive de ir adiando ao longo dos últimos anos. A longo prazo, tenho estado a pensar em várias possibilidades de continuar ligado de alguma forma ao futebol".