A grande aventura do Zurique
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
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Os suíços do Zurique preparam a estreia no Grupo C ante o Real Madrid e o treinador Bernard Challandes quer que a sua equipa encare a campanha como o início de uma "magnífica aventura".
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Se a qualificação para a fase de grupos da UEFA Champions League pela primeira constituiu motivo de celebração para o FC Zürich, o sorteio revelou-se um verdadeiro choque com a realidade. O campeão da Suíça foi colocado no Grupo C juntamente com o AC Milan, Real Madrid CF e Olympique de Marseille, que, entre si, totalizam 18 títulos de campeão da Europa. Ainda assim, e com a visita dos "merengues" (de Pepe e Cristiano Ronaldo) ao Letzigrund Stadion a aproximar-se rapidamente, o treinador Bernard Challandes não conseguiu disfarçar o seu entusiasmo quando falou ao uefa.com sobre o jogo desta terça-feira.
Bernard Challandes, treinador do Zurique
Estou constantemente a pensar nisso e dou por mim a concentrar-me nessa partida em vez do próximo jogo do campeonato. Tento não fazê-lo, mas o jogo inaugural vai requerer mais do que três dias de preparação, pois afinal estamos a falar do Real Madrid. Temos de tirar partido das nossas virtudes, não podemos sacrificar o nosso futebol, mas ao mesmo tempo sabemos que teremos de nos adaptar. No campeonato suíço podemos ditar o estilo de jogo, mas para isso é preciso ter a bola e o Real não a vai oferecer.
O mais importante é que o Zurique não traia o seu estilo de jogo, a sua imagem. Temos de ser corajosos, mesmo que isso seja arriscado. Podemos sofrer cinco golos, desde que tentemos e não queremos apenas fazer número. Dentro de campo é que se vai decidir aquilo que é ou não possível. Se concedermos demasiados espaços, e não formos coesos em termos defensivos, o Real tem jogadores de classe mundial como Benzema, Ronaldo e Raúl para nos prejudicarem. Temos de defender, defender, e defender mais ainda. Temos de nos adaptar às condições, sem renunciar completamente aos nossos princípios.
Poderá ser uma aventura fantástica para nós, mas também acarreta riscos. Como treinador, encontro-me dividido. Por um lado sinto esta enorme euforia em torno da equipa, do clube, na cidade de Zurique, no país. Depois há o perigo. Vimos o que aconteceu ao Basileia na época passada, tudo era maravilhoso quando se qualificaram, mas depois as coisas ficaram mais difíceis. Um técnico tem de estar pronto para estas situações. Vai ser mágico e extraordinário enfrentar o Real Madrid no primeiro jogo, especialmente este Real. Mas temos de estar preparados para suportar os períodos difíceis. É uma verdadeira aventura para um treinador. Há que enfrentá-la com o maior entusiasmo possível, mas também com algum distanciamento porque o destino do Zurique poderá ser o afastamento da Champions League.
Na verdade, este sorteio foi uma faca de dois gumes. Como estávamos no último pote, fui vendo os grupos a tomarem forma e pensei: "Este grupo não seria mau, ou talvez somássemos dois pontos ali". Essa era a voz do treinador, que quer ganhar, o competidor que diz "Sim, temos uma pequena hipótese". Mas por outro lado há o adepto do futebol que afirma: "Uau, é fantástico jogar contra o Real, o Milan e o Marselha".
Vai ser muito, muito difícil mas também extraordinário defrontar essas equipas. Não somos o Manchester United, que passa por isso todos os anos, para nós é completamente diferente. É uma oportunidade fantástica e vamos tentar aproveitá-la ao máximo. Normalmente não teríamos hipótese nenhum num grupo destes, mas o futebol pode ser irracional, ilógico, nada matemático. Temos de jogar com confiança e tirar o máximo partido da experiência para o futuro, encarar isto como uma magnífica aventura que ficará para sempre na história do clube.