Ancelotti sente-se em casa
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
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Carlo Ancelotti adaptou-se rapidamente como treinador do Chelsea. Ao uefa.com, o treinador italiano falou de tudo, desde táctica até mentalidades, passando por música e comida.
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Não é apenas o excelente início de época do Chelsea FC que sugere uma adaptação rápida de Carlo Ancelotti à sua nova vida em Inglaterra. O técnico, conhecido na sua Itália natal pelo amor pela boa comida, já aprendeu uma ou duas coisas sobre a cozinha britânica.
Pequeno-almoço
É bem conhecido o anúncio publicitário que fala de ovos e bacon como "o típico pequeno-almoço inglês", mas o treinador, de 50 anos, mostrou-se surpreendentemente receptivo quando questionado pelo UEFA Champions League Magazine sobre alguns nomes mais curiosos do menu nacional. "Pastel de carne? Esse é capaz de ser verdadeiro", respondeu, de forma bem humorada.
Paixão e conhecimento
Ancelotti pode gostar de comer, mas não tanto como de futebol. Este é um homem que relaxa a ver "um bom jogo" na televisão e que fala de "paixão" como a chave para o sucesso. "As duas coisas principais de que um treinador precisa são paixão, porque se não a tivermos não seremos capazes de dar o máximo, e de conhecimento", afirmou ao uefa.com.
Campeão europeu
Ancelotti não o disse, mas parece razoável pensar que o Chelsea o contratou pelo seu conhecimento numa área, acima de todas as outras: a UEFA Champions League. O clube londrino nunca ganhou essa competição, enquanto Ancelotti conseguiu fazê-lo por quatro vezes no AC Milan, duas como jogador e mais duas como treinador. O ex-técnico do Parma FC e da Juventus, que deixou San Siro ao fim de oito épocas para aceitar um contrato de três anos em Stamford Bridge, diz que "é necessário um pouco de sorte" para vencer o troféu mais apetecido do futebol europeu. Já houve, no entanto, momentos em que o Chelsea pareceu destinado a nunca conseguir ganhá-lo.
Estreia com o FC Porto
Os "blues" chegaram às meias-finais em cinco dos últimos seis anos e perderam a final de 2008, em Moscovo, no desempate por penalties. "Ainda não ganharam, mas estiveram muito perto. Há dois anos, falou converter um penalty. Agora, temos de voltar a tentar", disse Ancelotti, que começa a campanha no Grupo D na terça-feira, com um jogo em casa diante do FC Porto.
"Mentalidade óptima"
O Chelsea começou a época de forma impressionante, com quatro vitórias seguidas na Premier League, e Ancelotti está encantado com a "mentalidade óptima" da sua equipa. "Fazer mudanças não é muito difícil, porque os jogadores têm muito entusiasmo". Falou de criar uma nova identidade no Chelsea e, em termos práticos, isso parece ter a ver com a estruturação do meio-campo em losango, para que a equipa tenha mais posse de bola. "Queremos ter o controlo do meio-campo", revelou Ancelotti, que, tal como acontecia no Milan, espera profundidade ofensiva dos laterais.
"Podemos ter sucesso"
No Milan, Ancelotti tinha Andrea Pirlo para puxar os cordelinhos no miolo. O rumor, que circulou no Verão, de que o médio italiano estaria também a caminho do Chelsea, não se confirmou, mas o treinador não está preocupado. "Temos de pensar nos jogadores que estão à nossa disposição e penso que podemos ter sucesso com eles. Temos jogadores para fazer a mesma posição [de Pirlo]", afirmou, referindo-se a Michael Essien e a John Mikel Obi.
Pressão
O treinador, que comprou casa perto do centro de treinos do Chelsea, em Cobham, nunca tinha trabalhado fora de Itália, mas já encontrou coisas de que gosta. "A diferença é que aqui não há muita pressão à volta dos jogos. As pessoas vão ao estádio para ver um espectáculo", sublinhou Ancelotti, convencido de que o futebol italiano tem muito a aprender com a Premier League. "Espero que tudo mude depressa em Itália e que as pessoas vão aos estádios para ver jogos emocionantes e para apoiarem a sua equipa, como em Inglaterra, e não para usarem a violência ou para entoarem cânticos racistas aos jogadores".
DJ Malouda
No relvado, o técnico tem visto "mais intensidade" no futebol inglês, embora "as capacidades tácticas sejam menores em comparação com as equipas italianas". Outra diferença reside nos balneários. "Não estava habituado a ver jogadores ouvir música antes de um jogo". Fã desde criança dos Beatles e de Elton John, Ancelotti não ficou muito impressionado com as qualidades de Florent Malouda, o DJ residente na equipa londrina. "Tenho de dizer que não gosto muito daquela música. Geralmente, é rap. Eu prefiro música mais calma". O treinador também gosta de cantar e, como é tradição no Chelsea, teve de o fazer perante todo o plantel, cantando uma música romana. A esperança para os adeptos do Chelsea é que a época que começou com uma canção termine com um coro de aprovação.