Ronaldo "destinado a grandes feitos"
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
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O responsável pela ida de Cristiano Ronaldo para o Sporting, Aurélio Pereira, ajudou a trilhar o caminho do extremo rumo à glória e admitiu que, ao olhar para ele, ainda vê "o rapaz que chegou a Alvalade".
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É natural que Aurélio Pereira esboce um sorriso ao ler notícias de que o Real Madrid CF poderia estar disposto a pagar 80 milhões de euros pela contratação de Cristiano Ronaldo ao Manchester United FC. O responsável pelo departamento de prospecção do Sporting esteve, também ele, envolvido numa transferência do jovem extremo, há alguns anos.
"Bom negócio"
"O Nacional estava em dívida para com o Sporting, devido à contratação ao Odivelas de um jogador que tinha representado o Sporting nos escalões de formação", contou Aurélio Pereira ao uefa.com. "A verba rondava os 25 mil euros e o Nacional propôs liquidar a dívida com um jovem jogador de 11 anos chamado Cristiano Ronaldo. O nosso observador na Madeira aprovou o negócio e eu concordei, depois de ver o atleta actuar durante um período experimental em Lisboa. Percebi, desde o início, que poderíamos estar perante um excelente jogador no futuro. Aquilo que consegue fazer hoje não me surpreende. Sei que não sou um mágico na descoberta de talentos como Cristiano Ronaldo, mas a experiência dizia-me que ele estava destinado a ser grande".
Na senda de outras estrelas
Aurélio Pereira exerce funções na extraordinária academia de formação do Sporting há 37 anos e ajudou algumas das estrelas do futebol português a subirem os primeiros degraus na longa escalada do futebol. Luís Figo e Futre foram os melhores futebolistas das respectivas gerações; aos 23 anos, acabado de se tornar no terceiro jogador português contemplado com a Bola de Ouro da France Football - depois de Eusébio (1965) e Figo (2000) -, Ronaldo parece destinado a ser ainda melhor. "O Figo desenvolveu o talento graças à sua personalidade forte e empenho. Acabou por se tornar num jogador fantástico, mas Ronaldo era um pouco diferente. Ele sempre foi o tipo de futebolista que quer ter a bola. Nem mesmo quando o treinador estava a falar ele parava de tocar na bola por um minuto que fosse".
Mais forte a cada desafio
E com o tempo nada disso mudou. Sempre confiante, nada parecia poder impedir Ronaldo de chegar ao topo. Mesmo quando as coisas não lhe corriam bem, voltava sempre ainda mais forte. Esqueceu a grande penalidade falhada na meia-final da UEFA Champions League da última época e marcou o golo do Manchester United na final, contra o Chelsea FC. Depois do desentendimento com Wayne Rooney, no Portugal-Inglaterra dos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 2006, voltou a "terras de sua majestade" para enfrentar, de peito aberto, os seus críticos. Recordando as primeiras impressões que retirou do seu contacto com o extremo no passado, Aurélio Pereira não se mostra surpreendido com a forma como o extremo se torna mais forte após cada desafio que ultrapassa.
"Maturidade precoce"
"Para além da técnica individual, Ronaldo revelou determinadas qualidades mentais que não estava habituado a ver em jovens de 11 anos", explicou Aurélio Pereira. "Defrontou jogadores mais velhos e, mesmo quando estava sob pressão, era o primeiro a aconselhar calma aos colegas. Sempre mostrou uma maturidade precoce". E mostrou sempre, ser "um talento puro", algo que Aurélio Pereira o encorajou a mostrar desde cedo. "No Sporting temos um princípio, que passa por dar aos jogadores o espaço que eles precisam para explanarem a sua criatividade. Não interferimos nem os impedimos de fazerem o que gostam no relvado. Os jogadores, contudo, devem ter a disciplina para perceberem a diferença entre simples individualismo e iniciativas individuais em prol da equipa". A cada arrancada, finta e remate de Ronaldo, Aurélio Pereira ainda vê nele o miúdo que tanta atenção lhe despertou há mais de dez anos. "Quando o vejo jogar, é como se ainda estivesse a olhar para o jovem que maravilhava tudo e todos em Alvalade".