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O "desafio" mais difícil da vida de Lampard

Frank Lampard vivia os dias seguintes à perda da sua mãe quando colocou o Chelsea na final da UEFA Champions da temporada passada. O tempo passou, o bom futebol manteve-se, mas a dor permanece.

Frank Lampard celebra o golo que, de "penalty", que deu ao Chelsea a presença na final da UEFA Champions League
Frank Lampard celebra o golo que, de "penalty", que deu ao Chelsea a presença na final da UEFA Champions League ©Getty Images

Frank Lampard é um dos poucos jogadores que merece realmente o sucesso que tem. Apesar de ter nascido com o dom do desporto rei, tem sido com base numa extraordinária ética no trabalho que o médio é elogiado constantemente por colegas e treinadores (considerado mesmo por José Mourinho o melhor jogador com quem já trabalhou).

Dolorosas derrotas
Lampard é equilibrado, disciplinado e um profissional de corpo e alma. No entanto, "esconde" mais uma qualidade: coragem. Trata-se de uma característica que se tem revelado, crescentemente, ao longo dos últimos sete meses. Depois de vencer seis troféus em três anos, a sorte mudou ao longo da última temporada (aquela em que atingiu os 30 anos). Derrotado pelo Tottenham Hotspur FC na final da Taça da Liga, o Chelsea FC foi igualmente infeliz na decisão da UEFA Champions League (no desempate por grandes penalidades) e da Premier League, em ambos os casos pelo Manchester United FC de um "super" Cristiano Ronaldo. Mas não bastasse o azar ao serviço dos "blues", também em termos de selecção nacional a vida não correu bem ao jogador, vendo, a 15 minutos do fim da fase de qualificação, o sonho de marcar presença no UEFA EURO 2008™ esfumar-se aos pés da Croácia.

Dor familiar
Mas a maior dor a Lampard acabou por ser o facto de a sua mãe, Pat, ter ficado doente em Abril e falecido pouco tempo depois, deixando o filho e toda a família à deriva num mar de tristeza. Muitos poderiam ter baqueado, dadas as circunstâncias, mas não Lampard, sempre pronto para a competição, correndo, lutando e marcando golos em catadupa. Foi essa a forma de lidar com o sofrimento. "Tornou-se complicado concentrar-me apenas no futebol na fase final da época passada, mas, para ser honesto, não tanto como agora", afirmou ao uefa.com. A surpreendente declaração tem explicação: "Eu estava em choque naquela fase e nem encarava, com realismo, o que tinha sucedido. Torna-se mais difícil quando vamos de férias, no Verão, e a dura realidade se instala".

Prioridade elevada
"A família é de uma importância extrema, pelo que apenas gradualmente estou a conseguir lidar com a situação, concentrar-me e seguir em frente com a minha carreira. Têm sido os tempos mais difíceis da minha vida. O futebol tem sido, e continua a ser, um complemento da minha vida pessoal. Tudo o que alcancei se deve, em grande parte, ao trabalho e à determinação. Deposito neste aspecto uma prioridade elevada. Trabalharei sempre para manter tal atitude e se um dia ela não se mantiver elevada terei de reconquistá-la com trabalho. Esta é uma longa caminhada, na qual experiências como esta só nos fortalecem, pelo que, por mais devastado que esteja, tenho de lidar com a situação".

Celebração emocionada
Lampard viveu, ainda assim, um extraordinário momento quando, dias depois de perder a sua mãe, marcou, ante o Liverpool, o golo que colocou o Chelsea na final da UEFA Champions League pela primeira vez. Celebrou de forma instintiva, emocionando muitos. Explica agora que tal se terá devido à forma como a "família do futebol" o surpreendeu pelo enorme apoio e força que transmitiu numa hora de dor. "Recebi o apoio dos adeptos do Liverpool, West Ham [United FC], Manchester United… enfim, isso comoveu-me. Por vezes, o futebol pode tornar as pessoas cínicas e acredito que a própria Imprensa 'pinta um quadro' um pouco injusto do que são os jogadores".

Falsa imagem
"Quando se está fora deste mundo, só se entende aquilo que se lê e ouve. Mas neste desporto acabamos por ser apenas um grupo de pessoas que trabalham juntas e que têm laços fortes. Não nos afeiçoamos apenas a pessoas do futebol, no entanto, nunca senti nada parecido com o que o Chelsea me reservou naquele mês tão difícil para mim, em termos pessoais. Nunca vou esquecer o que a equipa fez por mim. Mostraram-me que eram homens comuns que estavam dispostos a ajudar-me e a tratar de mim".

Sentir a "fiesta" espanhola
Desapontado por não ter participado no Europeu realizado na Áustria e na Suíça, Lampard teve de ver, via televisão, o desenrolar do torneio no qual participaram os colegas de equipa Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, bem como o seu actual treinador Luiz Felipe Scolari e os também agora companheiros Bosingwa e Deco. No entanto, apesar da boa prestação lusa, os elogios vão para a Espanha. "Estive, durante quase todo o torneio, de férias em Ibiza e, mesmo quando não espreitava as partidas pela televisão, tinha toda a festa espanhola (a formação "roja" conseguiu, mesmo, sagrar-se campeã da Europa) em meu torno, o que se tornou agradável", contou, sorrindo. "A Espanha jogou muito bem e mereceu vencer. Fiquei feliz pelo facto de o meio-campo, por intermédio de Xavi [Hernández] e [Marcos] Senna, ter sido destacado. É normal que seja o "dez" ou um avançado a sê-lo".

Elogiado e premiado
"O meio-campo espanhol dominou o torneio. Talvez a Inglaterra possa aprender com este exemplo. Parte da razão que nos levou a falhar esta fase final deveu-se ao facto de, apesar de termos jogadores tremendos a nível individual, não termos conseguido jogar como equipa e da forma inteligente como a Espanha o fez". Contudo, os treinadores dos principais clubes europeus não deixaram de considerar Lampard como o melhor médio europeu na passada temporada, mérito atribuído durante os Prémios da UEFA, relativos a provas de clubes. "Tendo em conta a qualidade dos oponentes, receber esta distinção é algo de especial", admitiu. "Dá-me ainda mais força para o futuro".