Lippi aposta no United
quinta-feira, 8 de maio de 2008
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O italiano elege Sir Alex Ferguson como principal candidato à conquista da UEFA Champions League, ao mesmo tempo que elogia Cristiano Ronaldo.
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Depois de ter conduzido a Itália à glória no Campeonato do Mundo de 2006, Marcello Lippi continua o seu período sabático, mas não deixa de seguir atentamente a UEFA Champions League, particularmente o apuramento do seu velho amigo, Sir Alex Ferguson, para a final da prova. A equipa de Cristiano Ronaldo e Nani afastou o FC Barcelona e vai medir forças com o Chelsea FC na grande decisão da competição. Pois bem, Lippi acredita que o Manchester pode manter-se na pista do êxito e vencer o troféu em Moscovo, ainda este mês. Lippi, que completou 60 anos no mês passado, levou a Juventus a quatro finais da Taça dos Campeões Europeus em duas passagens pelo clube de Turim, mas apenas ergueu o ceptro por uma vez. O técnico transalpino explica ao uefa.com por que considera que Sir Alex Ferguson fará melhor e levantará o troféu pela segunda vez.
uefa.com: Como classifica a actual equipa do United?
Marcello Lippi: Eles possuem grandes jogadores, como [Cristiano] Ronaldo, [Wayne] Rooney, [Paul] Scholes [Ryan] e Giggs, mas a sua grande força é possuir Sir Alex Ferguson, que tem capacidade para extrair o melhor daquele grupo de talentosos atletas. Ele é muito forte na gestão de um plantel. Encontra-se a duas jornadas de vencer a Liga inglesa e chegou à final da UEFA Champions League. Para se ter sucesso em todas em competições é necessário possuir um grande treinador. O United não atravessava um bom período antes da meia-final contra o Barcelona, porque não estava nas melhores condições físicas. Ferguson foi muito inteligente na rotatividade imposta aos jogadores. Ele foi bastante criticado, em virtude de ter feito repousar alguns jogadores antes do encontro ante o Barcelona e sua equipa perder frente ao Chelsea. Mas esta é a única forma de lidar com um grupo, quando o objectivo é vencer todas as competições.
uefa.com: Quais são as principais diferenças entre esta equipa do Manchester United e as que defrontou na fase de grupos das edições de 1996/97 e 1998/99, quando era treinador da Juventus? Qual é a mais forte?
Lippi: É impossível dizer qual é a melhor equipa, uma vez que estamos a comparar eras diferentes. Seria como perguntar qual das minhas equipas da Juventus era melhor. Uma equipa tem as suas próprias forças, níveis de confiança e qualidades diferentes em cada período. Naquela altura, o United tinha vários jogadores de grande qualidade. Alguns ainda permanecem no clube. Penso que, agora, são, provavelmente, mais fortes no ataque, mas a confiança e mentalidade são sempre as mesmas. O conjunto actual está, provavelmente, ainda mais convencido que é uma grande equipa.
uefa.com: Até que ponto vai a importância de Sir Alex Ferguson nesse sentido?
Lippi: Nos dias de hoje, costuma dizer-se que os jogadores fazem a diferença e o treinador apenas conta 20 por cento nos resultados da equipa. Penso que não se trata de nada disso. Acho que, actualmente, o treinador é muito importante, porque, quando se está a trabalhar com um lote de grandes futebolistas - muitos provenientes de países diferentes, com culturas e mentalidades distintas -, o carácter do técnico torna-se crucial. Esse é o caso de Sir Alex Ferguson. Vê-se claramente que qualquer jogador do United está pronto para se sacrificar em prol dos objectivos da equipa. Ninguém pensa individualmente, todos colocam os interesses da equipa em primeiro lugar. Dentro desta atmosfera, pode pedir-se a jogadores como Ronaldo para desempenharem diferentes missões, a Rooney para trabalhar no meio-campo ou na defesa, a Giggs para jogar quase como um defesa lateral, e por aí adiante. Existem muitos jogadores que franzem o sobrolho quando lhes é pedido que desempenhem um papel diferente do habitual. Este não é o caso do Manchester, onde todos remam no mesmo sentido. Todos defendem e, depois, voltam a investir, com o seu impressionante ritmo e técnica.
uefa.com: O que pensa de Cristiano Ronaldo? Será que ainda pode evoluir mais?
Lippi: É difícil imaginar que pode melhorar, atendendo ao nível que já atingiu. Não se pode esquecer que ele faz tudo a uma velocidade supersónica. Portanto, é natural que se cometa erros quando se faz as coisas àquela velocidade. Se ele abrandar um pouco o ritmo a que joga, talvez seja possível reduzir a margem de erros. Mas não precisa de o fazer, porque a sua maior qualidade reside no facto de realizar coisas fantásticas a um ritmo alucinante.
uefa.com: Acha que o United vai vencer a final de Moscovo?
Lippi: Eles têm uma boa possibilidade. O Chelsea derrotou-os na Liga, mas o Manchester não estava no seu melhor. Tratou-se de uma grande injecção de moral para o Chelsea, ainda que saibam que, provavelmente, de nada servirá, uma vez que ao Manchester basta vencer os dois jogos que faltam para revalidar o título. O Chelsea atravessa um bom momento, mas penso que o Manchester tem uma pequena vantagem.
uefa.com: Está surpreendido com aquilo que Avram Grant conseguiu no Chelsea?
Lippi: Penso que uma química especial ajudou o Chelsea a chegar onde está. Quando [José] Mourinho saiu, os jogadores ficaram tristes e desapontados. Provavelmente, não queriam Grant. No entanto, ele conseguiu ganhar a confiança dos jogadores com diálogo, trabalho sério e sem falar muito fora do balneário. Os jogadores devem ter olhado olhos-nos-olhos, estão entre os melhores da Europa e decidiram dar tudo por tudo, independentemente de quem fosse o treinador. Este tipo de factores podem conduzir os jogadores a grandes resultados.