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Missão a Moscovo

"É diferente do ponto de vista do Chelsea. É a primeira vez na história do clube, muito diferente do que sucede com o United, que já lá esteve".

John Terry e Anderson durante um embate entre o Chelsea e o Manchester United
John Terry e Anderson durante um embate entre o Chelsea e o Manchester United ©Getty Images

Depois da Espanha (2000) e da Itália (2003), vai ser a vez da Inglaterra, em Moscovo, no dia 21 de Maio, quando Manchester United FC e Chelsea FC pisarem o Luznhiki Stadium para a primeira final inglesa da UEFA Champions League. O decisivo jogo vai ter lugar, por sinal, no mesmo estádio onde, em Outubro passado, a selecção inglesa foi derrotada no caminho para o UEFA EURO 2008™ – perdendo frente à Rússia, selecção que viria a ultrapassá-la na fase de qualificação. Agora, as duas formações mais fortes da Premier League na actualidade vão decidir quem arrecada o título de melhor da Europa. Se produzir tanta emoção quanto a vitória do Chelsea sobre o Manchester United, por 2-1, no passado sábado, então prevê-se uma audiência televisiva global de mais de 100 milhões de pessoas.

"Feito assinalável"
Dado o poderio financeiro da Premier League, estava previsto que isso acontecesse mais cedo ou mais tarde – e teria sido o caso no ano passado, não fosse o United ter sucumbido nas meias-finais frente ao AC Milan. A única vez, em temporadas anteriores, que dois clubes ingleses disputaram a final de uma competição europeia foi quando o Tottenham Hotspur FC bateu o Wolverhampton Wanderers FC, a duas mãos, na Taça UEFA da época 1972/73, não havendo um único jogador, entre os 25 que jogaram, que fosse originário de outro país que não aqueles que constituem as Ilhas Britânicas.

Influência inglesa
Em contraste, o United e o Chelsea, juntos, apresentaram dez jogadores de nacionalidades diferentes, para além de ingleses, nos jogos desta semana, a contar para a segunda mão. Essa é a natureza da moderna e poliglota Premier League, que o confronto entre United e Chelsea também vai colocar frente-a-frente um proprietário americano e um russo, com Roman Abramovich a jogar "em casa", em Moscovo. Ainda assim, não seria sensato menosprezar a influência do contingente inglês em ambas as equipas. Didier Drogba pode ter liderado a partida de forma magnífica para o Chelsea, no sucesso por 3-2 na segunda mão contra o Liverpool FC – marcando dois belos golos – mas a exibição da noite pertenceu a Frank Lampard. Jogando menos de uma semana depois do falecimento da mãe, o médio inglês demonstrou coragem em abundância ao tomar para si a responsabilidade de marcar o penalty que balançou a eliminatória para o lado do Chelsea, aos oito minutos do prolongamento.

Promessa a Scholes
O herói do United também foi um inglês, apesar dos seus melhores dias enquanto médio concretizador parecerem distantes. Paul Scholes, cuja batalha a meio-campo com Lampard em Moscovo pode ser de capital importância, não marcava desde Agosto passado, isto antes do remate imparável para a baliza à guarda do guardião do Barcelona, Victor Valdés, naquele que foi o único tento do difícil confronto em Old Trafford. Com Cristiano Ronaldo a protagonizar um dos jogos menos influentes da temporada e Wayne Rooney ausente, coube a um dos jogadores da "velha guarda" decidir a contenda. Sir Alex já prometeu que Scholes vai jogar de início a final da prova, atendendo a que o jogador, de 33 anos, falhou o desafio de 1999 frente ao FC Bayern München, por estar suspenso, e que terminou com a vitória da formação inglesa. Se a sorte esteve do lado do United frente ao Bayern – quando, nos minutos finais, uma dramática reviravolta no marcador assegurou o segundo triunfo continental para o emblema do Norte de Inglaterra, naquele que seria o dia do 90º aniversário de Sir Matt Busby, arquitecto da primeira conquista, em 1968 - é tentador pensar que o destino pode estar novamente com eles, 50 anos após o desastre aéreo de Munique.

Elogio a Ferdinand
"O destino é o destino, mas penso que o mais importante é estarmos na final", disse Sir Alex, sem dúvida aliviado depois de ter perdido as três meias-finais anteriores. Na mesma fase da prova em que, há 12 meses, foi eliminado pelo AC Milan, desta feita a equipa revelou-se forte o suficiente para ultrapassar as ausências de Wayne Rooney e Nemanja Vidić frente aos "blaugrana". Wes Brown jogou bem ao lado de Ferdinand no centro de uma defesa renovada, sendo que com todas as atenções concentradas na sua linha atacante, é importante lembrar que o United concedeu apenas cinco golos no caminho para a final de Moscovo. Mais tarde, Michael Carrick descreveu Ferdinand como "provavelmente, o melhor defesa do Mundo", pelo que Ferdinand frente-a-frente com Drogba promete ser um duelo deveras interessante.

O papel de Grant
Outro enredo fascinante vai ser Sir Alex contra Avram Grant. Ao israelita foi dado pouco crédito quando substituiu José Mourinho, mas, ainda assim, conseguiu suplantar as longas ausências de jogadores-chave como, por exemplo, Petr Čech, Terry, Lampard e Drogba, mantendo o Chelsea na luta pela vitória na Premier League e, acima de tudo, conseguindo triunfar onde o "Special One" nunca tinha conseguido, ao conduzir o Chelsea à sua primeira final da UEFA Champions League, depois de vencer o Liverpool FC. Enquanto Sir Alex precisou de 104 jogos na competição para colocar o United novamente na final, desde a vitória de 1999, Grant conseguiu esse feito ao cabo de apenas 11 jogos. "Depois de chegarmos onde chegámos, e ainda se continuar a questionar o papel do treinador no clube é, de facto, incrível", disse o capitão John Terry, quando instado a comentar se a passagem à final de Moscovo significava a continuidade de Grant à frente da equipa na próxima época.
  
Indicador histórico
O defesa inglês descreveu o acesso do Chelsea à sua primeira final da prova como um "feito assinalável" e disse que as comemorações no terreno de jogo duraram mais tempo em Stamford Bridge do que em Old Trafford. "É diferente do ponto de vista do Chelsea. É a primeira vez que acontece, por isso é um marco histórico para o clube e para os jogadores, muito diferente do que se passa com o Manchester United, que já lá esteve". Ainda não se sabe quem vai celebrar em Moscovo no dia 21 de Maio, mas existe um indicador histórico curioso: nas duas finais anteriores da UEFA Champions League entre clubes do mesmo país, foi o emblema que terminou mais mal classificado na competição interna (Real Madrid CF em 2000 e AC Milan em 2003) que se sagrou campeão da Europa.