Fabregas vive conto de fadas
terça-feira, 16 de maio de 2006
Sumário do artigo
Finalista da UEFA Champions League aos 19 anos, Cesc Fabregas não mostra qualquer arrependimento em ter trocado o Barcelona pelo Arsenal em 2003.
Corpo do artigo
Finalista da UEFA Champions League aos 19 anos, Cesc Fabregas não mostra qualquer arrependimento em ter trocado o FC Barcelona pelo Arsenal FC em 2003.
Baptismo de fogo
O jovem tem sido fundamental para o Arsenal no decorrer desta temporada, já que disputou os 12 jogos que os ingleses realizaram na competição antes de ganharem um lugar na final e de ele próprio ter sido convocado para o Mundial, em representação da Espanha. No entanto, o destino encarregou-se de lhe pregar uma partida, pois preparou-lhe um reencontro com os catalães na final da UEFA Champions League. "Jogar contra o Barcelona assemelha-se a um conto de fadas”, contou. “Passei seis anos naquele clube e aprendi muito. Tenho lá muitos amigos - não só jogadores, como também treinadores - pelo que será um desafio especial para mim. Mas sei aquilo que quero e isso resume-se a vencer pelo Arsenal”.
Vizinhos e adversários
Numa recente visita à Catalunha, o jogador apalpou o terreno acerca da forma como os locais estão a viver o jogo. “A minha cidade é pequena, mas as pessoas são quase todas adeptas do Barcelona, pelo que muitos não me desejaram sorte quando lá estive há uma semana”, afirmou, antes de antecipar a final: “Se me assobiarem nem sei como reagirei. Sou catalão e sei como a pressão é alta para aqueles lados. Eles tentam ganhar esta taça desde 1992 e já perderam três finais, mas, por outro lado, nós também estamos sob pressão, uma vez que podemos alcançar a vitória na primeira final disputada pelo Arsenal”.
Entre os mais velhos
Fabregas tinha apenas 16 anos quando se mudou para Highbury, tendo sido desde logo aposta do treinador na primeira equipa, onde começou a treinar. Contudo, a alternativa de regressar ao Barcelona constituiria, para Fabregas, um revés. “Nunca me deram as condições para evoluir e amadurecer durante um ou dois anos, o que só aconteceria se eu jogasse contra atletas mais velhos que eu. Por isso, achei que a melhor decisão era mudar-me para Londres”, explicou. "Eu queria treinar no duro e nas equipas jovens do Barcelona isso não acontecia, já que ganhávamos por 20 ou 30 a zero em todos os jogos”.
Paciência como virtude
A velocidade e exigência física dos encontros da Premiership marcaram um dramático contraste com aquilo a que Fabregas estava habituado no Camp Nou, mas alguns anos depois da estreia em Inglaterra, o médio fala desse período como tendo sido fundamental para a sua evolução. “Penso que se queremos ser melhores e mais completos, enquanto jogadores, temos de escolher a liga inglesa, onde se trabalha muito sem, muitas vezes, tocarmos na bola durante cinco minutos”, contou. “Temos de ser pacientes e esperar pela nossa chance, o que não acontece noutras ligas”.
Sacrifícios calculados
"Fiz muitos sacrifícios para chegar à primeira equipa. Como é óbvio, para atingir tal objectivo, há que abdicar de outras coisas”, afirmou ao uefa.com. “Aconteceram-me muitas coisas boas num curto espaço de tempo e, por isso, pergunto-me se o que me está a acontecer é real. Felizmente, é mesmo”.