Wenger quer noite memorável

O treinador do Arsenal acredita que a sua equipa terá de ditar o ritmo de jogo frente ao Villarreal para que Highbury tenha a despedida europeia que merece.

Após 93 anos e 22 épocas de competições europeias de clubes, Highbury recebe, na noite de quarta-feira, o seu derradeiro encontro internacional, pelo que o treinador do Arsenal FC, Arsène Wenger, exige uma exibição dominante dos anfitriões frente ao Villarreal CF, na primeira mão das meias-finais da UEFA Champions League.

Mudança no Verão
A formação londrina vai deixar, no Verão, aquela que foi a sua casa desde 1913, mudando-se para o novo estádio, situado em Ashburton Grove, e apesar de ter em perspectiva a primeira final da Taça dos Clubes Campeões Europeus da sua história, Wenger ainda encontra tempo para deixar o seu tributo ao estádio antigo. “Será, certamente, uma ocasião muito emocional. Parte da minha alma ficará neste estádio quando sairmos. Passei a maior parte da minha carreira desportiva aqui e Highbury tem um ambiente especial. A emoção poderá jogar a nosso favor frente ao Villarreal. Os ingleses têm um grande sentido de história e queremos ficar orgulhosos da nossa última noite europeia em Highbury”, disse Wenger.

Excelência técnica
Ambas as equipas estão nas meias-finais pela primeira vez e Wenger já pode contar com os regressados Cesc Fabregas e Fredrik Ljungberg, após lesões. Ao invés, os laterais Ashley Cole e Gaël Clichy não estão disponíveis, apesar de terem regressado aos treinos. Sol Campbell falha a partida por ter fracturado o nariz. O treinador francês acredita que a sua equipa enfrenta um novo desafio, depois de ter eliminado Real Madrid CF e Juventus nos oitavos e quartos-de-final, respectivamente. “O Villarreal é um pouco como o Arsenal. Em Janeiro, possivelmente não esperava estar aqui em Abril. São tecnicamente muito bons, maduros tacticamente e tem jogadores que podem decidir um encontro. São menos físicos que a Juventus, apostando mais na mobilidade”, indica o treinador do Arsenal.

Influência sul-americana
Os homens de Wenger não sofrem um tento desde a segunda jornada – estão há 739 minutos sem conceder golos – e precisam dessa consistência frente a uma equipa que, apesar de ser pouco experiente nas competições europeias, ainda não perdeu em cinco deslocações a Inglaterra. O treinador do Arsenal está particularmente avisado do numeroso contingente sul-americano. “Jogam de uma forma bastante sul-americana, a um ritmo morno, e ditam o tempo antes de decidirem o momento certo para atacar. Há bastantes semelhanças entre as equipas e cabe a nós marcar o ritmo de jogo. Jogaremos com velocidade e queremos um ritmo elevado”.

Alterações necessárias
Wenger não poderá contar com o extremo internacional espanhol José António Reyes, mas a sua convocatória parece bastante simples quando comparada com os problemas que o seu antagonista, Manuel Luís Pellegrini, enfrenta. Já sem poder contar com o habitual guardião titular, Sebastián Viera, devido a suspensão (que verá o seu lugar ocupado por Mariano Barbosa), o treinador chileno deve ter desesperado quando viu ambos os centrais titulares, Gonzalo Rodríguez e Juan Manuel Peña, lesionarem-se na sexta-feira, no jogo da Primera División frente ao FC Barcelona. Quique Álvarez e César Arzo serão os seus substitutos. “Gonzalo e Peña são jogadores muito importantes para nós, mas temos de saber ultrapassar estes obstáculos”, disse Pellegrini.

Vibrações positivas
O chileno mostrou-se, ainda assim, descontraído, tendo dito: “Tenho recebido vibrações positivas de todo o lado. Estar nas meias-finais da UEFA Champions League, frente a um grande clube como o Arsenal e num estádio famoso como Highbury, é uma grande sensação”. Pellegrini, que vai apresentar uma marcação zonal para tentar travar Thierry Henry, que já soma cinco tentos na prova, não está muito preocupado pela assunção de Wenger de que o Arsenal tentará apostar num ritmo elevado. “O que interessa não é se uma equipa joga rápido ou devagar, mas sim quem é a melhor. O Arsenal não é apenas uma boa defesa mais o Henry. São uma grande equipa, que merece estar aqui. Mas não chegamos às meias-finais desta competição todos os dias. Saboreámos o nosso primeiro gosto de UEFA Champions League, mas isso não significa que não queiramos ir mais longe”. O Arsenal está, desde já, avisado.