Carew dá toque de classe

Real Madrid CF 1-1 Olympique Lyonnais
Um fantástico toque de calcanhar de John Carew deu ao Lyon o empate em Madrid e a conquista do Grupo F.

O Olympique Lyonnais qualificou-se para os oitavos-de-final da UEFA Champions League como vencedor do Grupo F após ter empatado (1-1), no Estadio Santiago Bernabéu, com o Real Madrid CF.

Carew em grande nível
Um sublime toque de calcanhar de John Carew, executado aos 72 minutos, foi o suficiente para dar ao Lyon o ponto necessário para sair de Madrid com o primeiro lugar do Grupo F e ainda invicto, tanto na fase de grupos da UEFA Champions League, como a nível interno. O Real Madrid chegara ao intervalo em vantagem, através de um golo de Guti, na sequência de um livre de David Beckham.

Confiança abalada
A equipa da casa partiu para o encontro com o Lyon ainda à procura da melhor forma de esquecer a derrota caseira do fim-de-semana, frente ao FC Barcelona (por 3-0), que não apenas afectou a moral dos "merengues" como custou as lesões de Ronaldo (tornozelo) e Raúl (joelho). Com a qualificação para a fase seguinte já assegurada, as intenções dos madrilenos eram as de fazer as pazes com os adeptos na sequência do desaire com os catalães através da obtenção de uma vitória por uma margem de três golos, que lhe daria o primeiro lugar do grupo.

Míchel Salgado poupado
O treinador do Real Madrid, Wanderley Luxemburgo, deu surpreendentemente a titularidade no centro da defesa a Francisco Pavón, algo que não acontecia há dois meses e mudou Sergio Ramos da defesa para o meio-campo, onde jogou ao lado de Pablo García. Carlos Diogo ocupou o lado direito da defesa, no lugar de Míchel Salgado, que assim foi poupado pelo seu treinador. Zinedine Zidane, ladeado por David Beckham e pelo capitão substituto, Guti, jogou no apoio ao ponta-de-lança solitário, Robinho. O treinador dos campeões franceses, Gérard Houllier, reforçou a defesa da equipa onde alinha Tiago, tendo preferido Sylvain Monsoreau ao mais ofensivo Jérémy Berthod. No ataque, Sidney Govou mantave o seu lugar no flanco direito, em detrimento de Sylvain Wiltord.

Alegria de Guti
O jogo teve um início algo inócuo, antes de o Real Madrid ter dado o primeiro aviso. Robinho chegou ligeiramente atrasado a um cruzamento tenso de Beckham, quando estavam decorridos quatro minutos. Esse lance teve o condão de despertar o Lyon, que respondeu através de um remate rasteiro de ângulo apertado de Carew, que Casillas defendeu com facilidade. Depois, Guti teve o golo nos pés em duas ocasiões. Na primeira, foi negado pelo guardião Grégory Coupet, que defendeu a bola por cima da trave. Depois, foi o defesa Anthony Réveillère que miraculosamente evitou sobre a linha de golo que Guti marcasse. No outro lado, tentou a sua sorte naquela que é a sua grande especialidade (os livres directos) em duas ocasiões, mas em nenhuma delas importunou Casillas. A sorte de Guti mudou finalmente a cinco minutos do intervalo, quando Mahamadou Diarra desviou um livre de Beckham na sua direcção, deixando o internacional espanhol com uma oportunidade que, desta feita, não desperdiçou.

Emoção junto das duas balizas
A segunda parte começou da mesma forma como terminara a primeira: com um toque de génio de Carew. Recebeu a bola de Wiltord e, de costas para a baliza, tocou de calcanhar por entre as pernas de Roberto Carlos, iludindo Casillas ao ponto de este ter-se limitado a olhar para a bola. As coisas podiam ter piorado para a equipa da casa aos 83 minutos, quando Pablo García derrubou Fred a cerca de 40 metros da baliza.