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Benfica no palco dos sonhos

O Benfica nunca bateu o United e Ronald Koeman relembra que a equipa onde actua Cristiano Ronaldo não se encontra no seu melhor, face a ausências de jogadores influentes e aos maus resultados.

A visita do Benfica a Old Trafford oferece a oportunidade, nas palavras de Sir Alex Ferguson, para "recorrer aos bancos de memórias". E a principal no embate entre o campeão português e o Manchester United FC relembra a final de 1968, que trouxe o primeiro sucesso continental aos "red devils", quando, sob as ordens de Sir Matt Busby, se tornaram na primeira equipa inglesa a conquistar a Taça dos Clubes Campeões Europeus, ao derrotar os lisboetas, por 4-1, em Wembley, após prolongamento.

Memórias por todo o lado
Experimente andar pelos corredores de Old Trafford e constate que as memórias daquele triunfo estão espalhadas por todo o lado. Na sala onde Sir Alex Ferguson e Ronald Koeman deram as habituais conferências de Imprensa antes do encontro para o Grupo D da UEFA Champions League, destaca-se uma página de jornal emoldurada de uma edição de 30 de Maio de 1968 com o título "Os Novos Reis da Europa". Ao lado, está outra moldura, com uma imagem em sépia que mostra Sir Matt Busby e George Best, acompanhada pelas seguintes palavras do então técnico: "Não deve ser o fim da linha, mas apenas parte do princípio da viagem".

Criticismo pouco habitual
É claro que o desejo de Sir Matt Busby ficou por cumprir até à chegada de outro escocês, Sir Alex Ferguson, pelo que é bastante irónico que, numa semana em que os adeptos do United se relembram dos momentos de glória de 1968, o próprio Ferguson tenha sido alvo de uma pouco habitual onda de criticismo da parte de alguns adeptos do clube, que, descontentes com o sistema táctico de 4-5-1 apresentado em casa, frente ao Blackburn Rovers FC, o assobiaram quando a derrota caseira (por 2-1) ficou consumada.

Koeman optimista
Esse resultado levou a que o Manchester United esteja já a dez pontos do líder da Premiership, o Chelsea FC, pelo que talvez se justifique, mais tarde ou mais cedo, uma concentração de atenções na campanha europeia. Contudo, a onda de lesões que assola a equipa torna o panorama bastante tenso entre os "red devils", que não dão como segura uma vitória sobre um Benfica em crescendo e que poderá aproveitar as eventuais vulnerabilidades da equipa de Cristiano Ronaldo e companhia. Assim, o Manchester United apresenta-se sem os habituais Gary Neville, Gabriel Heinze e, provavelmente, sem John O'Shea na defesa, assim como sem os suspensos Roy Keane e Wayne Rooney, no meio-campo e no ataque, respectivamente. Ferguson espera que "a experiência na linha de ataque proporcionada por Ruud van Nistelrooij, Paul Scholes e Ryan Giggs venha a causar um ponto de viragem para a equipa", mas, como Ronald Koeman faz menção de assinalar: "Eles não estão no seu melhor".

Aviso
O treinador holandês do Benfica acrescentou: "Temos mais possibilidades agora de alcançarmos um bom resultado do que teríamos caso eles estivessem na máxima força ou se estivessem num bom momento de forma ou a transbordar confiança. Mas isto é diferente da Premiership, é a Liga dos Campeões - eles têm virtudes suficientes para uma boa reacção e temos de estar prontos para isso. Sabemos que vão começar logo à procura de um golo madrugador, pelo que temos de estar prontos para essa eventualidade".

Rapidez no ataque
Koeman voltou a chamar o grego Georgios Karagounis, depois de o jogador ter recuperado de lesão, contudo, o atleta não deverá ser titular esta noite, já que ainda não se apresenta a cem por cento. Caso Karagounis alinhe de início, Simão e Fabrizio Miccoli terão mais liberdade ainda para atacar, tentando desequilibrar através da sua rapidez. "Podemos superiorizarmo-nos à defesa do Manchester porque temos jogadores mais rápidos na frente de ataque do que os defesas deles", concluiu Koeman, que, entretanto, confessou ser "impossível marcar Cristiano Ronaldo", o português que brilha no conjunto de Old Trafford.

"Santo Graal"
Do lado do Manchester, Ferguson relativizou a frustração dos adeptos, antes optando por falar apaixonadamente do "Santo Graal" que constitui a Europa. O homem que trouxe a Taça dos Campeões de volta a Old Trafford afirmou: "Temos um jogo frente ao Benfica que é envolvido de um ambiente histórico, pelo que se trata de um encontro fantástico para os nossos jogadores mais jovens. Um jogo europeu traz outro entusiasmo e outro desafio a qualquer jogador, uma vez que vão defrontar os melhores futebolistas do Mundo. Actualmente, é uma prova mais importante que o Mundial". E, consequentemente, mais difícil de vencer. Relembrando o desaire do Milan em ambas as frentes em Maio último, acrescentou: "Eu pensava que eles tinham uma grande hipótese, mas começaram a soçobrar e talvez seja ainda mais difícil, mesmo para clubes como o Milan, vencer o campeonato e a Liga dos Campeões na mesma época".