Grande final
quarta-feira, 25 de maio de 2005
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A 50ª final da Taça dos Campeões Europeus teve golos, suspense, tensão, nervos e um dramático desempate por grandes penalidades.
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Por Adrian Harte no Estádio Olímpico Atatürk
49 anos depois da primeira final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, a 50ª final foi, talvez, a melhor e mais dramática de todas elas, pois o Liverpool FC recuperou de uma desvantagem de tr^s golos para ganhar a sua primeira UEFA Champions League e o seu quinto título europeu.
Audiência global
Foi longo o caminho da competição desde a sua primeira final, jogada no velhinho Parque dos Príncipes, em 1956. Essa partida foi vista por 33 mil pessoas no estádio, enquanto a final de 2005 teve uma audiência global de cerca de 200 milhões de telespectadores.
Grande atmosfera
No estádio, o Liverpool, com mais adeptos, via os seus seguidores fazerem-se ouvir cantando bem alto o seu mítico hino, o "You'll Never Walk Alone". No entanto, os adeptos italianos foram mais além, pois, colocados num dos topos, e com uma criativa coreografia, mudavam, sucessivamente, as suas cores de vermelho, para branco e depois para preto, com uma coordenação assinalável.
Épico encontro
Coreografias à parte, o espectáculo que se seguiria foi sensacional, pois assistiu-se a uma final impar. As expectativas estavam viradas para um jogo frio e calculista, mas, ao invés, assistiu-se, pela mão do Liverpool, à mais espantosa recuperação, numa final épica.
Maldini imperial
O Milan esteve imperial no início do jogo. Um livre apontado por Andrea Pirlo, ainda o jogo não tinha passado o seu primeiro minuto, encontrou um Paolo Maldini sem marcação, que perto da marca de penalty, rematou à meia volta, de pé direito, marcando o seu terceiro golo no seu jogo 148, que constitui um novo máximo de partidas disputadas por um jogador nas competições europeias. Na primeira parte o Milan dominou o jogo a seu bel prazer e tudo parecia correr bem aos italianos. O golo foi uma excelente recompensa para o defesa de 36 anos que igualava o recorde de sete presenças em finais, pertença da glória do Real Madrid CF, Francisco Gento.
Domínio total
A chave do domínio do Milan no primeiro período esteve na excelente visão e capacidade de passe de Pirlo, não dando quaisquer chances ao seu rival, Xabi Alonso. Rafael Benítez preferira colocar mais um homem na frente, fazendo avançar Harry Kewell em detrimento de Dietmar Hamann, o que deixou o Liverpool em desvantagem numérica no meio-campo, algo que possibilitava a Kaká ter espaço e tempo para fazer o que queria em campo.
Crespo infalível
Aos 39 minutos, Hernán Crespo fez o 2-0, segundos depois de Luis García ver negado o seu pedido de penalty na área do Milan, com a excelente conclusão do argentino, cinco minutos depois, a fazer crer que tudo estava resolvido à entrada do intervalo. Ficava a evidência de um Liverpool que se parecia com aquele que, penosamente, acabou a 37 pontos do líder da Premiership, o Chelsea FC.
Três golos em sete minutos
Mas os seus adeptos não desistiram, voltando a cantar o seu hino quando soou o apito para o intervalo. A equipa como que sentiu que ainda era possível, muito devido à entrada de Hamann que arrumou todo o meio campo dos “reds” e deu a liberdade que Steven Gerrard tanto precisava, para poder estar mais à frente no terreno, perto das zonas de decisão. Foi dele o cabecamento, aos 54 minutos de jogo, que fez o 3-1, naquele que foi o primeiro golo em sete minutos. Um remate de longe do entrado Vladimír Šmicer seguiu-se pouco depois e o penalty convertido, à segunda, por Alonso voltou a pôr tudo na estaca zero.
Drama
Sem golos no prolongamento, coube ao desempate por grandes penalidades decidir o vencedor, dando a esta partida o ingrediente que faltava, pois nesta final viu-se de tudo: golos, drama, suspense, tensão, e, por fim, a alegria e a tristeza que só somente a roleta russa do futebol pode dar. O criador da competição, o jornalista, Gabriel Hanot, decerto que aprovaria uma 50ª final assim.