Luz do Celtic brilha em Camp Nou
quarta-feira, 24 de novembro de 2004
Sumário do artigo
FC Barcelona 1-1 Celtic FC
Os visitantes, já eliminados, seguraram o empate frente ao "todo-poderoso" Barça.
Corpo do artigo
Por Graham Hunter, no Camp Nou
O FC Barcelona não conseguiu converter em vitória a superioridade patenteada durante a etapa inicial frente ao Celtic FC, no desafio da quinta jornada da UEFA Champions League, permitindo à formação de Martin O'Neill sair de cabeça erguida de Camp Nou.
Recompensa justa
O golo de John Hartson, apontado "em cima" do intervalo, foi recompensa de uma noite de trabalho intenso para os bravos escoceses, anulando a vantagem conseguida pelos catalães através do golo de Samuel Eto, o melhor marcador do Barça na presente temporada.
Criatividade sacrificada
O Celtic iniciou a partida exibindo a organização e confiança características das formações orientadas por O'Neill. Com Dianbobo Balde e Didier Agathe recuperados fisicamente, o técnico do Celtic apresentava-se na máxima força, mas preferiu prescindir de elementos criativos como Juninho Paulista, Henri Camara e Aiden McGeady, por forma a parar o jogo da equipa da casa com um desenho 4x4x2.
Defesa caótica
A aposta parecia resultar, frustrando os intentos catalães, até que uma série de momentos caóticos na área do Celtic pareciam anunciar o primeiro golo do encontro. Primeiro, Jackie Mcnamara quase traía o seu guarda-redes, Magnus Hedman, ao cortar o esférico; de seguida, o sueco foi obrigado a uma série de intervenções de recurso para impedir a entrada da bola na sua baliza.
Deco assiste Eto'o
Pouco tempo depois, o Barça abriu o activo. Eto'o aplicou-se a fundo para captar a bola, tabelou com o internacional português Deco, antes de bater Hedmam. Era precisamente o que faltava para animar a moldura humana de Camp Nou e o africano Samuel Eto'o.
Barça acutilante
O Celtic já revelava dificuldades para manter a posse de bola e a formação da casa utilizou repetidamente ambos os flancos na procura do segundo golo. Pouco tempo após a abertura do marcador, Sylvinho, o primeiro dos jogadores do Barça inferiorizados devido a lesões nos ligamentos a regressar ao activo, recebeu um toque de calcanhar de Ronaldinho e centrou para Eto'o, que rematou a rasar o poste.
Xavi falha
A ambiente nas bancadas estava ao rubro, bem como o andamento da partida - dois factores que agradavam sobremaneira aos catalães. No entanto, o conjunto espanhol desperdiçou a oportunidade de resolver a partida a dez minutos do intervalo, quando um belo passe de Ronaldinho colocou Ludovic Giuly cara-a-cara com Hedman. O guarda-redes lançou-se com bravura aos pés do francês, mas, na recarga, Xavi Hernández disparou por cima com a baliza escancarada.
Hedman na altura certa
O Barça voltou a lançar-se ferozmente no ataque e Ronaldinho, depois de trocar as voltas a um opositor, fintando para um lado e "mandando" Stanislav Varga para o outro, voltou a assistir Eto'o. Depois de ganhar espaço, o internacional camaronês parecia estar perante um golo certo, mas Hedman interveio na altura certa, esticando-se para defender com os pés.
Hartson empata
Pouco tempo depois, em cima do minuto 45, o Celtic seria premiado pela bravura e determinação colocadas na defesa da sua área. Varga ganhou posição a Carles Puyol e desviou, de cabeça, para o segundo poste um pontapé-livre apontado por Stilian Petrov, onde Hartson, em posição legal, bateu Víctor Valdés, estabelecendo um resultado que não reflectia o que se passou em termos de jogo, posse de bola, ou oportunidades.
Confiança renovada
O Barça nunca baixou a produção de jogo para níveis medianos, mas foi bem evidente, e importante, a confiança conferida pelo golo de Hartson ao conjunto escocês. Ao observar a actuação do campeão escocês é mesmo difícil perceber como não conseguiu conquistar qualquer triunfo fora de portas na Liga dos Campeões.
Adeptos fantásticos
O Barcelona passou a criar cada vez menos oportunidades e, como o Celtic passou a controlar a posse de bola e a trocá-la como nunca havia feito durante a etapa inicial, o apoio dos 10.000 adeptos que viajaram da Escócia tornou-se intenso.
Opção de ataque
O'Neill estava tão confiante que a sua equipa poderia transformar um empate improvável numa vitória incrível, que trocou o médio-defensivo Varga pelo ponta-de-lança Camara, numa tentativa de abordar os movimentos ofensivos em 4x3x3. Todavia, o golo da vitória não passou de pura ilusão.