A missão de Ricardo Carvalho
quarta-feira, 26 de maio de 2004
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O defesa do FC Porto tem pela frente a difícil tarefa de anular Fernando Morientes.
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Por Diogo Teixeira
São várias as vozes junto do FC Porto que afirmam que Ricardo Carvalho é um dos jogadores mais promissores do futebol português. As restantes estão convencidas de que, apesar da sua idade, o defesa central é já um dos melhores da Europa.
Sempre presente
Com apenas 26 anos de idade, Ricardo Carvalho é um dos três elementos que alinhou em todos os minutos da campanha do FC Porto na UEFA Champions League, juntamente com Vítor Baía e Paulo Ferreira. Durante esses 1.080 minutos, o jovem internacional português demonstrou todo o seu potencial, afirmando-se como um dos melhores defesas da actualidade.
Vários talentos
Figura imponente, Ricardo Carvalho é praticamente imbatível no jogo aéreo, revelando-se ainda precioso no auxílio ao ataque, com as suas habituais incursões por terrenos mais avançados. Também rendeu dividendos com o seu jogo de cabeça, oferecendo valioso contributo ao apontar o segundo golo do FC Porto no jogo disputado em casa frente ao Olympique Lyonnais, nos quartos-de-final.
Duro teste
Todavia, o defesa será sujeito a um duro teste quando, na quarta-feira, na final de Gelsenkirchen, defrontar Fernando Morientes, avançado do AS Mónaco FC, que, com onze golos, é o melhor marcador da Liga dos Campeões. Trata-se de um perigo para o qual o português está prevenido.
Trabalhos forçados
"A melhor forma de neutralizar os avançados é dar-lhes o menor espaço possível", referiu. "Morientes pode fazer coisas impressionantes num curto espaço de terreno, portanto, a nossa tarefa será ainda mais complicada".
Campanha sensacional
Ricardo Carvalho ingressou no FC Porto na época 1997/98, mas apenas se afirmou na equipa quatro anos depois, após uma série de períodos de empréstimo. Agora, após a sensacional temporrada 2002/03, é no Estádio do Dragão que a generalidade dos adeptos gostaria que permanecesse.
Prelúdio em Sevilha
Contudo, se a vitória por 3-2 sobre o Celtic FC na final de Sevilha parecia ser o auge da carreira do central, esse momento não terá passado do prelúdio de algo ainda mais significativo na presente edição da Liga dos Campeões - algo que nem o mais optimista jogador do FC Porto poderia prever.
"Força colectiva"
"Não era o nosso objectivo no arranque da época e também não era o que o Mónaco esperava", observou. "Penso que este dado confere um 'tempero' especial a este jogo. O Mónaco está na final na sequência de uma época brilhante. Eles são muito semelhantes a nós - não são famosos pelas suas individualidades, mas sim pela força colectiva".
Sem vantagem
A experiência de ter participado há pouco tempo numa grande final parece ser uma vantagem para o FC Porto, mas Ricardo Carvalho coloca algumas reticências nessa linha de pensamento. "Uma final é decidida pelos jogadores e pelo desempenho das equipas, não pelos que tiveram a experiência mais recente", explicou. "Devemos lembrar-nos que o Mónaco possui excelentes jogadores".
Derrota na taça
Esta abordagem calculista poderá advir da recente derrota sofrida pelo Porto na final da Taça de Portugal, frente ao Benfica. "Queríamos muito vencer essa taça", disse. "Trata-se de um troféu importante que nos fugiu. Agora temos de nos concentrar nesta final, para assim fecharmos a temporada com uma vitória e mais um título".
Hábito de vencer
Tendo adquirido o hábito de vencer nas últimas temporadas, Ricardo Carvalho não está acostumado a estas decepções. Porém, se os companheiros conseguirem conciliar o seu estilo e humildade em Gelsenkirchen, Ricardo poderá estar condenado a uma série extremamente curta de derrotas.