O renascimento de Tiago Costa

Campeão europeu de Sub-17 em 2003, o defesa de Braga, Tiago Costa, espera que a Taça das Regiões da UEFA o possa ajudar a chegar de novo ao topo, após uma carreira recheada de lesões.

Tiago Costa, central da equipa de Braga, quer voltar a subir a escada que leva ao topo do futebol português
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Outrora apontado como um dos mais promissores defesas portugueses, Tiago Costa viu uma grave lesão num joelho impedi-lo de assinar um contrato profissional com o FC Porto quando tinha 17 anos de idade. No entanto, o campeão europeu de Sub-17 em 2003 espera agora que a Taça das Regiões da UEFA o possa ajudar a voltar a sonhar com uma carreira de sucesso.

Com a sua equipa de Braga a precisar apenas de um ponto para se apurar para a final da mais importante competição amadora do Mundo, Tiago Costa falou com o UEFA.com sobre o seu passado, a presente campanha na prova e um futuro que o central de 24 anos acredita poder ainda vir a ser tão brilhante como um dia imaginou.

UEFA.com: Percorreu um longo caminho desde que conquistou o título europeu de Sub-17 em 2003 até esta presença na Taça das Regiões da UEFA. O que é que mudou em si nestes oito anos?

Tiago Costa: Para começar, tenho muito mais maturidade agora. Quando joguei no Europeu de Sub-17 em 2003 tinha apenas 17 anos e agora já tenho 24. Sou uma pessoa completamente diferente e tenho muito mais experiência e responsabilidade. Quando se tem 17 anos apenas nos preocupamos em jogar e nada mais importa. Não há qualquer tipo de pressão. Já ganhei um troféu da UEFA, mas agora apenas tenho um objectivo em mente: ajudar Braga a trazer para Portugal este troféu da Taça das Regiões. Seria muito bom para o país e, claro está, para mim se conseguirmos vencer a prova. A última vez que passei por algo semelhante foi em 2003. Sinto falta dessa sensação!

UEFA.com: O que é que correu mal na sua carreira?

Tiago Costa: Sempre disse que o momento mais importante na carreira de um jogador é quando passa a sénior. Sofri uma grave lesão no joelho no meu último ano de júnior e, como resultado disso mesmo, o meu clube de então, o FC Porto, decidiu não oferecer-me um contrato profissional. Sentia-me no topo de Mundo e de repente dei um trambolhão. Todas as portas pareciam estar fechadas para mim, pelo que tive de recomeçar tudo de novo. Foi como iniciar uma nova carreira.

UEFA.com: Como é jogar nas divisões inferiores?

Tiago Costa: É muito diferente e muito mais complicado. Os jogadores não são tão disciplinados do ponto de vista táctico, o que significa que somos sempre surpreendidos por aquilo que vão fazer no relvado. No entanto, isso também é uma excelente forma de melhorar enquanto jogador. Alguém que é capaz de impor o seu jogo na quarta divisão está pronto para enfrentar o Mundo.

UEFA.com: Até que ponto é importante para si representar a região de Braga neste torneio?

Tiago Costa: É uma honra e um privilégio poder jogar nesta fantástica competição. Estamos a disputar uma verdadeira competição europeia e isso apenas sublinha ainda mais a qualidade dos 20 jogadores que formam esta equipa e a respectiva equipa técnica. Somos como uma família. Não estive aqui para a Fase intermédia, mas não podia ter sido melhor recebido pelos meus colegas. Esta experiência tem sido realmente inesquecível.

UEFA.com: A sua equipa venceu os dois jogos que já realizou e tem recebido muitos elogios. Com tanta qualidade no vosso grupo, como é possível estes jogadores não alinharem em divisões superiores?

Tiago Costa: Já fiz várias vezes essa pergunta a mim mesmo e a verdade é que não consigo compreender, até porque, na minha opinião, estes atletas têm qualidade suficiente para jogarem, por exemplo, na UEFA Europa League. Se há este talento aqui, por que é que os clubes portugueses têm de contratar tantos jogadores estrangeiros? Confesso que é um mistério para mim.

UEFA.com: Poderá este torneio ajudá-lo a atingir aquilo que as lesões ameaçaram tornar impossível: um contrato como profissional?


Tiago Costa: Sempre fui uma pessoa ambiciosa e, como é óbvio, ainda me sinto capaz de jogar, por exemplo, na primeira divisão portuguesa. Quero sempre mais para mim, mas por agora estou 100 por cento concentrado em vencer a Taça das Regiões. Temos uma excelente oportunidade para conquistar a prova, uma vez que jogamos em casa e podemos contar com o 12º jogador: as nossas famílias e amigos. Eles estão sempre presentes para nos apoiarem e o facto de irem aos estádios ver os nossos jogos tem feito toda a diferença. Espero que sejamos capazes de retribuir esse carinho com uma vitória no torneio.

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