Ellingham e o papel de observador dos árbitros

"Aprender e desfrutar" é o lema para os jovens árbitros na Taça das Regiões da UEFA, com o observador Ray Ellingham a explicar ao UEFA.com que é mais um mentor do que um avaliador.

Ray Ellingham é, hoje, um reputado observador de arbitragem e continua com a profissão de árbitro no seu coração
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A Taça das Regiões da UEFA constitui uma etapa importante também para os árbitros presentes na competição e Ray Ellingham salienta que os observadores de arbitragem da UEFA encontram-se presentes não só para avaliar as actuações dos juízes, mas também para os ajudar e encorajar.

"Percebe-se que, por vezes, os árbitros mais jovens têm algum receio estampado no rosto quando se encontram pela primeira vez com os observadores de arbitragem e a primeira coisa que fazem é tratar-me por 'Sr. Ellingham'", explicou ao UEFA.com o antigo árbitro galês. "E eu digo-lhes sempre: 'Chamem-me Ray.' O jogo é deles, nós só cá estamos para dar conselhos. Não há nada pior do que um árbitro entrar em campo com a preocupação: 'Onde está o observador?'."

Os quatro observadores presentes neste torneio amador terão uma palavra na escolha da equipa de arbitragem que dirigirá a final de sábado, talvez um ponto de partida importante rumo a níveis mais altos do futebol europeu, mas "aprender e desfrutar" continua a ser a principal mensagem de Ellingham para os 16 árbitros oriundos de 15 países presentes na fase final da prova. "Queremos que eles desfrutem do que estão a fazer", destacou. "A primeira reunião com os observadores pode assustar um pouco, mas isso passa à medida que a conversa se vai desenrolando."

Todos a desempenhar já funções na primeira categoria do futebol dos respectivos países, os árbitros presentes nesta Taça das Regiões estão agora determinados a dar mais um passo em frente. Ao atingirem este nível, deram já provas do seu valor, mas Ellingham, de 52 anos, sabe bem o quanto eles ainda podem aprender, tanto com os observadores como uns com os outros. Neste torneio, os preparadores físicos dos árbitros asseguram que estes seguem regimes de trabalho físico adequados, enquanto os observadores conduzem sessões de treino práticas, nas quais as equipas de arbitragem vêem e discutem vídeos de lances relevantes de jogos.

A partir de domingo, irão igualmente observar vídeos com momentos das suas próprias actuações. "Editamos as imagens dos jogos e, depois de os árbitros terem uma pequena conversa com o seu observador, juntamo-nos todos numa discussão aberta onde mostramos vídeos dos lances a todo o grupo, alguns com pontos positivos, outros com pontos que é necessário aprender para fazer melhor", explicou Ellingham. "O controlo é importante, tal como o respeito e a interacção. Tudo isso ajuda à correcta tomada de decisões em lances que podem mudar um jogo."

Crucial para esta experiência de aprendizagem é perceber que os árbitros se encontram entre amigos. Muitos conheceram-se pela primeira vez na quinta-feira, mas formam já um grupo bastante coeso. "Eles têm uma forte ligação entre si, apesar de se terem reunido como totais estranhos. Estou certo de que vão sair daqui grandes amigos, após o torneio", referiu Ellingham, actualmente um reputado observador e especialista em condição física de árbitros no País de Gales.

Igualmente determinantes para o ambiente de apoio mútuo vivido na prova são os próprios observadores; podem, todos eles, ter já "pendurado o apito", mas como Ellingham faz questão de destacar, não perderam a paixão pela profissão. "É algo triste", reconheceu o auto-denominado "péssimo futebolista"", que acabou depois por encontrar a sua vocação na arbitragem. "Mesmo quando estou a ver um jogo na televisão, fico lá sentado a dizer 'amarelo!', 'falta!', 'fora-de-jogo!'. Todos os observadores aqui presentes continuam a ser, no fundo do seu coração, árbitros. Só as pernas é que já não são o que eram."

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