Olhar sobre a primeira volta da Liga portuguesa

A Liga portuguesa chegou a meio, com a 17ª jornada, e a tabela classificativa mostra um Benfica à procura de um feito inédito, um Porto em crescendo e um Sporting em busca da melhor forma.

O golo de Lisandro López, do Benfica, no Dragão manteve as "águias" a uma distância segura do Porto
O golo de Lisandro López, do Benfica, no Dragão manteve as "águias" a uma distância segura do Porto ©AFP/Getty Images

A primeira volta da Liga portuguesa chegou ao fim, com a realização da 17ª jornada. Nessa ronda, realizada no passado fim-de-semana, o líder SL Benfica empatou em casa 3-3 com o Boavista; o segundo classificado FC Porto venceu 3-0 em casa ao Moreirense; o terceiro, SC Braga, bateu o Tondela 2-0; e o Sporting, quarto, empatou 2-2 em Chaves.

Esta sequência de resultados contribui para uma segunda metade de prova mais animada. O Benfica tinha seis pontos de vantagem sobre o Porto, mas agora as duas equipas encontram-se separadas apenas por quatro. O Sporting está no quarto posto, está a oito. Uma espécie de inversão do que aconteceu na mesma altura da temporada transacta, com o Benfica então em terceiro e o Sporting em primeiro. Na altura, a batalha pelo título acabou por se resumir aos dois grandes de Lisboa, mas desta feita os “dragões” surgem como força em crescendo, pelo que se espera emoção até ao fim.

Mitroglou é o melhor marcador do Benfica, com sete golos
Mitroglou é o melhor marcador do Benfica, com sete golos©AFP/Getty Images

Líder em busca do “tetra”
O Benfica é líder isolado, com mais quatro pontos que o Porto, e tenta esta temporada alcançar um feito que nunca antes conseguiu na sua história: vencer quatro campeonatos consecutivos. As saídas de Nico Gaitán para o Atlético de Madrid e de Renato Sanches para o Bayern München causaram alguma preocupação nas hostes benfiquistas, mas Rui Vitória conseguiu encontrar soluções, e também para a onda de lesões que assolou o plantel “encarnado” no arranque da temporada, com jogadores como Jonas, Mitroglou, Jardel e Fejsa a desfalcarem a equipa durante algumas jornadas.

A integração de Franco Cervi rapidamente compensou a ausência de Gaitán, a recuperação de Salvio permitiu a Pizzi assumir um papel fundamental no centro do meio-campo, que era ocupado por Renato, enquanto a “explosão” de Gonçalo Guedes compensou de certa forma a lacuna deixada pela lesão prolongada de Jonas. Assim, o Benfica conseguiu manter uma boa regularidade na prova, somando apenas uma derrota (2-1, em casa do Marítimo), e nesta fase pode-se dizer que o empate arrancado mesmo ao cair do pano no Estádio do Dragão (1-1) é o resultado mais importante da equipa, que assim manteve o Porto a distância segura.

Iker Casillas e a defesa do Porto garantem o melhor sector recuado do campeonato
Iker Casillas e a defesa do Porto garantem o melhor sector recuado do campeonato©AFP/Getty Images

Porto a afinar a pontaria
O “dragão” começou de forma tímida. Os 520 minutos sem marcar qualquer golo, os quatro nulos que registou na Liga até agora e os problemas em concretizar o bom caudal ofensivo tiveram peso até ao momento em termos de pontuação, mas o segundo lugar, com o primeiro não muito longe, muito se deve à defesa de betão da equipa de Nuno Espírito Santo.

Se o Benfica tem o melhor ataque, com 37 golos, o Porto tem o segundo mais concretizador, com 31, mas também a melhor defesa, com apenas sete tentos sofridos. A consistência da dupla composta por Felipe e Marcano tem ajudado Casillas a ir menos vezes buscar a bola à sua baliza.

Bas Dost é um substituto à altura de Slimani
Bas Dost é um substituto à altura de Slimani©AFP/Getty Images

Sporting irregular
Muita era a expectativa em relação à equipa de Jorge Jesus, que na época passada lutou até à última jornada pelo título. Desta feita nem tudo está a correr bem aos “leões”. Afastados das competições europeias (terminaram em quarto lugar na fase de grupos da UEFA Champions League), os homens de Alvalade já só podem almejar à conquista do campeonato, uma vez que foram afastados da Taça da Liga e da Taça de Portugal.

A derrota por 2-1 em casa do Benfica teve um peso grande na força anímica da equipa, que é quarta, a oito pontos do líder. As saídas de Islam Slimani (bem substituído, contudo, por Bas Dost) e de João Mário para outras paragens podem explicar em parte os problemas. Mas muito terá o Sporting que melhorar na segunda volta.

Luta europeia
A luta pelos lugares europeus está ao rubro. Braga, Sporting e V. Guimarães ocupam nesta altura a “pole position”, embora os dois primeiros tenham uma palavra a dizer na luta pelo topo. Mas a boa forma recente do Marítimo e até a grande surpresa deste campeonato – o recém-promovido Desp. Chaves -, já para não falar no Rio Ave, espreitam os lugares apetecíveis de acesso à UEFA Europa League. Mesmo a saída de Jorge Simão para o Braga não retirou, aparentemente, ímpeto aos transmontanos, que ainda agora tiraram pontos aos “leões”.

Um holandês goleador
Já aqui referimos a potencial importância que a transferência de Islam Slimani para o Leicester City FC teve no momento menos consistente do Sporting, mas a verdade é que o clube de Alvalade colmatou bem a saída do argelino. A aposta no holandês Bas Dost foi relevante – a mais cara transferência de sempre do emblema leonino, por dez milhões de euros –, mas tem dado frutos. Desde que chegou do VfL Wolfsburg, Dost marcou 15 golos em todas as competições, 13 deles na Liga portuguesa, na qual lidera a tabela de goleadores. Marega (Vitória de Guimarães) e André Silva (FC Porto) seguem-se na lista, com dez cada.

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