Manipulação de resultados: "Batota para perder"

A UEFA alertou as jovens futebolistas no Europeu Feminino de Sub-17 sobre os perigos da manipulação de resultados, instando-as a ficar longe deste flagelo da modalidade.

As jogadoras da Espanha atentas à apresentação
As jogadoras da Espanha atentas à apresentação ©Sportsfile

Sessões educativas, levadas a cabo em todas as fases finais de torneios jovens da UEFA, são desenhadas de forma a deixar bem vincada a mensagem da UEFA de que a manipulação de resultados tem de ser erradicada do futebol. Na fase final do Campeonato da Europa Feminino de Sub-17, em Nyon, o organismo máximo do futebol europeu falou às quatro selecções presentes da luta contra a viciação de resultados e a corrupção, apelando às jovens para que nunca se deixem envolver nesta praga do futebol.

Graham Peaker, coordenador dos serviços de inteligência da UEFA, explicou às delegações de Bélgica, Polónia, Espanha e Suécia que a manipulação de resultados é "batota para perder" e mostrou de que forma a UEFA está a trabalhar arduamente no combate a este flagelo.

“A UEFA tem uma política de tolerância-zero para com a manipulação de resultados", frisou Peaker à sua audiência. “Isto significa que alguém que seja identificado por nós como estando envolvido – seja jogador, árbitro ou clube – será expulso do futebol. Ser-lhes-á mostrado um cartão vermelho."

A UEFA, realçou Peaker, tinha certos valores: todos os jogos eram disputados sob o espírito da justiça e do respeito, com o resultado a ser exclusivamente determinado pela qualidade dos intervenientes. “O desfecho de um jogo deve ser desconhecido até ao soar do apito final", acrescentou Peaker.

“Os manipuladores de resultados são capazes de fazer milhões de euros. Vêm de poderosos grupos criminosos e a recompensa financeira é tudo o que lhes interessa. O dinheiro que eles usam vem, entre outras coisas, de negócios de droga, venda ilegal de armas, tráfico humano e roubos." A visão da UEFA é a de que um resultado manipulado que seja já é de mais, pelo que fez da luta contra este tão negativo fenómeno a sua primeira prioridade.

Peaker referiu ainda que a UEFA estabeleceu um sistema de detecção de fraudes de apostas abrangendo cerca de 30 mil jogos por ano de ligas domésticas, taças nacionais e competições da UEFA, os quais são monitorizados à procura de quaisquer padrões de apostas irregulares. “A manipulação de resultados é a viciação do desfecho de um jogo", prosseguiu. “Passa por saber, à partida, quem vai ganhar, quem vai perder ou quantos golos vão ser marcados. Trata-se de persuadir uma equipa ou alguns jogadores a perderem um jogo."

As jovens futebolistas presente em Nyon foram alertadas para o facto de poderem vir a ser, em qualquer fase da sua carreira, abordadas para manipularem um jogo. "Essa abordagem é feita por indivíduos que não têm qualquer interesse no futebol", reforçou Peaker. "A sua única preocupação é com a quantia de dinheiro que vão conseguir ganhar. Trata-se de pessoas perigosas, oriundas de círculos do crime organizado, sem qualquer respeito pela vida humana. Se deixarem que elas se envolvam convosco, elas não mais desaparecerão das vossas vidas; seguir-vos-ão nas redes sociais e poderão mesmo começar a ameaçar-vos e a perseguir a vossa família e amigos."

“Vocês são jovens jogadoras de topo e nós estamos aqui para vos protegermos", garantiu Peaker às futebolistas. “Se forem abordadas para manipularem o desfecho de um jogo, por favor não hesitem em informar alguém da vossa federação nacional, do vosso clube ou da UEFA. A viciação de resultados é uma ameaça à integridade do futebol e, se não agirmos desde já, vai tornar-se num cancro ainda maior."