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Nuno Gomes e o confinamento nos grandes torneios

Como é a vida num grande torneio? Nuno Gomes fala das restrições que os jogadores enfrentam nas fases finais de provas internacionais.

Nuno Gomes participou em três fases finais do EURO e em duas do Campeonato do Mundo por Portugal
Nuno Gomes participou em três fases finais do EURO e em duas do Campeonato do Mundo por Portugal ©Getty Images

O avançado Nuno Gomes marcou 29 golos em 79 jogos por Portugal e participou em três edições do EURO e em duas do Campeonato do Mundo da FIFA.

Fizemos-lhe algumas perguntas para entender como é a vida em confinamento durante os grandes torneios.

Viveu bons momentos em grandes torneios, mas do que se lembra do tempo passado fora dos relvados?

Nuno Gomes: É engraçado, porque toda gente pensa que os jogadores de futebol têm uma vida maravilhosa e conhecem muitos países. É verdade, viajamos muito, mas principalmente nos grandes torneios estamos presos no mesmo lugar e não temos tempo para visitar a cidade como gostaríamos. Estamos sob muita pressão.

Eu costumava dizer aos meus amigos: "Conheço muitos países, mas só os aeroportos, os estádios e os hotéis onde ficamos. Não conheço a cidade, as ruas, os museus."

Lembra-se de como se divertia e com quem se relacionava mais?

Nuno Gomes num treino de Portugal
Nuno Gomes num treino de Portugal©Getty Images

Nuno Gomes: Se estivéssemos em algum sítio durante muito tempo, haveria uma área especial no hotel para os jogadores, o 'lounge' dos jogadores, onde poderíamos estar juntos e entretermo-nos com alguns jogos, "karaoke" ou jogar bingo. Isso significava que estávamos juntos uma ou duas horas depois do jantar e havia alguns prémios para os vencedores, o que era sempre bom para o espírito de equipa.

Havia alguns engraçados como o Bosingwa e o Raul Meireles, por exemplo. Por eu ser de outra geração, achava também o Petit engraçado, e o Ricardo. Tive sorte com as equipas em que joguei porque havia sempre jogadores menos tímidos do que os outros para ajudar ao bom ambiente.

Quando estamos juntos durante mais de um mês com os companheiros de equipa e não vemos outras pessoas, porque os hotéis estão reservados apenas para nós, passado um tempo cansamo-nos de ver as mesmas pessoas e de fazer as mesmas coisas. É preciso muita imaginação e um bom grupo para ser divertido. Mas não havia nada que nos fizesse querer sair!

Não dever ser fácil estar longe da família e de quem mais se gosta durante um longo período. Como é que lidou ou deu a volta ao assunto?

Nuno Gomes: Durante a carreira de jogador de futebol estamos habituados a ficar longe da família. Há jogos todas as semanas, há a pré-temporada. Saí de casa dos meus pais quando tinha 14 anos para ir morar com outros rapazes na mesma situação do que eu, mas depois acostumamo-nos.

E estamos contentes por estar num grande torneio no qual todos os jogadores querem participar. Por um lado, estamos um pouco tristes porque estamos longe das pessoas que gostamos, mas, por outro, estamos a realizar os nossos sonhos, a fazer aquilo que gostamos.

Tivemos o EURO 2004 em Portugal. Foi diferente de outras situações para nós, porque estávamos próximos da família e dos amigos, e às vezes eram permitidas visitas. É mais fácil de passar os dias.

A alimentação era confeccionada, mas comer as mesmas coisas dia após dia deve ser enjoativo, não? Permitia-se dar a si próprio alguma coisa especial.

Nuno Gomes: Na selecção nacional tínhamos sempre um cozinheiro português. Ele costumava viajar uma ou duas semanas antes de nós para preparar a cozinha do hotel e organizar toda a comida. Era uma das pessoas mais importantes para nós.

Passado algum tempo sentíamos falta de determinados pratos, por isso, para nos sentirmos bem, ele fazia sempre coisas parecidas com o que comíamos em casa. Às vezes, podíamos até comer um extra longe dos olhos de médicos ou nutricionistas. Negociávamos com o "chef" e o "staff" para que pudéssemos comer algo diferente. Em Portugal, gostamos de comer pastel de nata e costumávamos pedir muito isso para a sobremesa!

Como se sentiu no final de um torneio quando se apercebeu que sairia do hotel e iria voltar à "normalidade"?

Nuno Gomes e a dor da derrota
Nuno Gomes e a dor da derrota©Getty Images

Nuno Gomes: Depois do EURO 2000 e do Campeonato do Mundo de 2006, fomos ao estádio para comemorar com os adeptos portugueses. Nunca estamos preparados para regressar, mas depende de quanto tempo é a sua estadia. Se for longa, vai haver algum cansaço à medida que vão passando os dias, mas é bom sinal se ainda lá estivermos.

Quando estamos longe, pensamos no que fazer depois. Eu costumava preparar as nossas férias familiares, porque tínhamos algum descanso após os torneios, por isso estaria a preparar e a escolher um sítio para relaxar e para me afastar de tudo antes de começar a nova época.

Se tivesse oportunidade, voltaria a um torneio para reviver tudo novamente?

Nuno Gomes: Se tivesse a oportunidade de voltar a um torneio, escolheria a final do EURO 2004. Foi no estádio do Benfica, o meu estádio.

Perdemos contra a Grécia, por isso teria de alterar o resultado. Talvez fosse titular, porque comecei como suplente, e talvez marcasse o golo da vitória!

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