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1965: Nasce um campeonato

A 14 de Setembro de 1965, ficou decidido que a Taça das Nações Europeias deveria ser rebaptizada de Campeonato da Europa; o UEFA.com lembra o que originou a histórica decisão.

Angelo Domenghini marca para a Itália, futura campeã, frente à Bulgária, na edição inaugural do Campeonato da Europa, em 1968
Angelo Domenghini marca para a Itália, futura campeã, frente à Bulgária, na edição inaugural do Campeonato da Europa, em 1968 ©Getty Images

A UEFA respondeu recentemente aos desejos das federações por uma competição envolvendo as selecções, com a entrada em vigor da UEFA Nations League a partir de 2018.

Há cinquenta anos, nesta semana, um desejo semelhante por todo o continente levou a uma decisão que deu um forte impulso à competição de selecções na Europa – quando a Taça da Europa das Nações se tornou no Campeonato da Europa.

A UEFA considera as selecções como uma fonte de identidade e orgulho, que podem também servir de veículo de expressão da filosofia futebolística de um país. A UEFA Nations League responde ao desejo de melhorar a qualidade e estatuto do futebol de selecções. As federações partilham cada vez mais a opinião de que os jogos particulares não estão a proporcionar a necessária competitividade para as selecções.

A meio da década de 60, pensamentos semelhantes eram expressos por toda a Europa. A primeira competição continental de selecções, a Taça da Europa das Nações, foi lançada em 1958, e nas duas primeiras edições, em 1960 e 1964, União Soviética e Espanha conquistaram a prova.

A UEFA estava naturalmente satisfeita com o progresso da prova no que toca aos países que nela desejavam participar, conforme escreveu o Secretário-Geral, Hans Bangerter, no relatório da temporada 1964/65: "O facto de 29 federações terem participado na segunda Taça da Europa das Nações [1962-64], comparado com as 17 da primeira edição (1958/60), é prova do manifesto aumento de popularidade desta competição. Cinquenta e quatro jogos, presenciados por 1.808.186 espectadores, foram disputados entre 1962/64".

No entanto, alguns aspectos em redor das selecções preocupavam a UEFA. No Anuário da UEFA de 1963/64, o Presidente da UEFA, o suíço Gustav Wiederkehr, sinalizou preocupações quanto à prova, e o organismo que liderava estava determinado em fazer algo quando a isso. "A reavaliação dos jogos internacionais é uma tarefa que temos de considerar da maior importância", escreveu.

"Como resultado da popularidade das competições de clubes na Europa e dos numerosos eventos internacionais em que os clubes participam", acrescentou, "o interesse do público, e em parte também da imprensa, nos jogos internacionais tem, em muitos países, caído consideravelmente... pelo que, em circunstância alguma, iremos ignorar este desenvolvimento".

“Na grande maioria dos casos, as nossas federações dependem das receitas dos jogos internacionais de maneira a responderem às suas responsabilidades no que toca ao futebol amador, que é uma das nossas maiores preocupações".

A UEFA achou que era chegada a altura de consultar as suas federações de modo a melhorar a competição envolvendo as selecções, e a resposta não podia ser mais clara: "Precisamos de competir mais". Foi pacífica a aceitação do facto de os jogos particulares entre selecções não serem mais capazes de atrair os adeptos, cuja atenção estava virada apenas para os jogos oficiais.

Como resultado, a 14 de Setembro de 1965, o Comité Executivo da UEFA reuniu-se no Parkhotel, em Sandefjord, Noruega, para preparar a mudança. O comité decidiu, como consta da acta, transformar a Taça da Europa das Nações num Campeonato da Europa, e instou o comité organizador da competição a preparar os necessários regulamentos. A UEFA confirmou que o primeiro campeonato iria começar depois do Campeonato do Mundo de 1966, em Inglaterra.

O nome do troféu, Taça Henri Delaunay, continuou o mesmo, de modo a honrar o primeiro Secretário Geral da UEFA, o pioneiro que estivera na origem da competição e que falecera em 1955, sem nunca, infelizmente, ver o seu sonho ser cumprido. Até hoje, o troféu tem o nome de Henri Delaunay como tributo ao seu legado e visão.

Um novo formato foi introduzido para a edição inaugural da prova, de 1966 a 1968. Oito grupos foram formados, sendo disputados encontros fora e em casa entre os seus participantes, com os vencedores de cada um deles a apurar-se para os quartos-de-final, a disputar em duas mãos.

O formato anterior foi mantido para as fases seguintes – as duas meias-finais, a final e o jogo do terceiro e quarto lugares seriam disputados num país escolhido pelo Comité Executivo da UEFA, na sequência de proposta do comité organizador. Assim, a Itália foi a escolhida para organizar a fase final em 1968, que acabaria por vencer.

Das 33 federações-membro, apenas Malta e Islândia não participaram na competição, que teve início a 7 de Setembro de 1966, com um empate a dois golos entre Holanda e Hungria, em Roterdão, a contar para o Grupo 5. A República Federal da Alemanha estreou-se na competição e as quatro federações britânicas – Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales – ficaram no Grupo 8, para um versão europeia do tradicional Campeonato da Grã-Bretanha. A maior assistência num jogo de um Campeonato da Europa da UEFA foi estabelecido na fase de apuramento - 130.711 adeptos encheram Hampden Park, em Glasgow, para assistir ao empate a um entre Escócia e Inglaterra, a 24 de Fevereiro de 1968.

No seu relatório, três anos antes, Hans Bangerter falou à UEFA e às suas federações sobre o optimismo que sentia quanto ao sucesso do novo Campeonato da Europa. "É esperado", escreveu, "que esta medida, que foi ao encontro do pedido de todos em terem mais jogos oficiais, irá proporcionar um crescente interesse junto do público em relação às partidas envolvendo as selecções".

"Se o Campeonato da Europa para as selecções tiver um interesse semelhante ao da Taça dos Clubes Campeões Europeus", concluiu, "então esta nova competição irá, sem dúvida, tornar-se a maior e mais importante competição europeia".

Passados cinquenta anos, juntamente com as bem-sucedidas competições de clubes da UEFA, o Campeonato da Europa dá uma prova inequívoca do que as selecções e os seus jogadores significam para milhões de adeptos em todo o continente.